sábado, 11 de junho de 2011

O QUE SÃO SABBATHS




Existem oito datas principais na Wicca, conhecidas como Festivais ou SABBATHS(Sabás). 
Nos Festivaisas(os) Bruxas(os) fazem Rituais de adoração e agradecimento aos Deuses.                                                                                               Uma vez por mês, durante a Lua Cheia, nós também nos reunimos nos chamados Esbás.
 Esses encontros são usados para se discutir assuntos referentes ao grupo, para a realização de Feitiços e Rituais extraordinários, bem como para estudos e realização e exercícios de relaxamento, visualização, etc.

 Um Coven, deve ser como uma grande família, portanto ele também pode se reunir, para passear, viajar, ir ao cinema, ao futebol, simplesmente para jogar conversa fora, ou para Obras de Melhoria do nosso Planeta, como por exemplo trabalhos em prol da Ecologia, dos animais, dos Direitos das Pessoas Humanas, ou de Pessoas Carentes. A Roda do Ano - Representada pelos Oito Sabás, tem por objetivo, sincronizar a nossa energia com as Estações do Ano, ou seja, com os ciclos do Planeta Terra e o Universo.
 Ela descreve o Caminho do Sol durante o ano, representando as várias faces do Deus: Seu nascimento, crescimento, união com a Deusa, e finalmente seu declínio e morte.
 Da mesma forma que o Sol nasce e se põe todos os dias, e da mesmaforma que a Primavera faz a Terra renascer após o Inverno, o Deus nos ensina que a Morte é apenas um ponto no Ciclo Infinito de nossa evolução, para podermos renascer do Útero da Mãe.

Entreterimento.

A Regra que seguimos.



A Lei e o compromisso sacerdotal dos wiccanos, que se encaia a quase todas as pessoas que tem o minimo de bom senso.


Apesar da grande sacerdotisa Doreen Valiente, ter dito que desconhecia o real significado dado por Gardner a esta lei, indicando inclusive que ele usou a expressão em um momento específico de um RITUAL e que ela não concebia uma lei que fosse exclusiva para bruxos, há não só uma interpretação como uma ação que permite ao individuo submeter-se a esta lei com exclusividade, dando a ela outro enfoque que não somente a responsabilidade por suas ações, mas um mecanismo de ampliação de suas capacidades mágicas e pessoais além de um maior compromisso e responsabilidade quanto às crenças Wiccanas. Não entendeu nada? Vou explicar.

Quando caminhamos rumo a uma iniciação não apenas desenvolvemos nossas habilidades mágicas e percepções como nos desfazemos de muitas crenças, manias, desejos e características. Permitimos que nossas máscaras caiam ou sejam arrancadas, testamos nosso empenho e vivenciamos momentos que vão do desespero ao êxtase. Tudo pelo que passamos tem como objetivo nos preparar para o seriíssimo compromisso de nos tornamos sacerdotes.

Neste momento, onde alcançamos maturidade nas práticas e capacidade pessoal, quando nossas crenças estão enraizadas, nossos objetivos bem desenvolvidos e, grande parte de nossas dúvidas existenciais sanadas, assumimos para a nossa vida a manutenção de um culto ancestral e o compromisso de nos tornamos um elo entre este mundo e o mundo além.

Assim sendo magicamente existe a possibilidade e como sacerdotes, estamos preparados para nos submetermos a diferentes “leis” ou “enredos energéticos” onde estipulamos ações mágicas que podem agir ao longo de nossa vida. Cada caminho/tradição possui seus mecanismos, egrégoras e afins que favorecerão ou limitarão seus sacerdotes de acordo com suas regras estruturais.

A Lei tríplice pode tranquilamente fazer parte disto e normalmente faz por isso o nome bonitinho. Ao determinar para ela a função de agir na vida do sacerdote como um ampliador de suas ações e logicamente das conseqüências, o sacerdote com exclusividade dará a então comum lei do retorno outro significado, outra função inserida magicamente por sua vontade e compromisso.

Deste modo quando o sacerdote trabalhar em prol de um objetivo qualquer, ele possuirá a capacidade de ampliar seu poder seja por três, por vinte ou por mil através dessa “lei”, e com isso ele terá condições de obter melhores resultados atentando-se claro a sua responsabilidade e capacidade pessoal de lidar com as conseqüências dessas ações ampliadas.

Gerei mais dúvidas ou consegui dar um direcionamento melhor na compreensão da lei? Vamos unir agora as duas interpretações? 


Esse artigo visa esclarecer da melhor forma possível esta Lei abordando suas interpretações comuns e principalmente transmitindo um pouco do conhecimento pessoal absorvido ao longo dos anos. Se você está começando a estudar a WICCA agora, talvez tenha ainda um pouco de dificuldade para compreender certos termos utilizados ao longo do texto, não desanime, pesquise um pouco ou me envie um e-mail com quaisquer dúvidas e lhe ajudarei.

Diz-se da lei: “Tudo aquilo que fizer retornará a você nesta vida triplicado de três a sete vezes."
 (assim que você tem o conhecimento disso).

Esta lei vem sendo debatida há muitos anos na comunidade Wiccana, principalmente porque com o crescimento desordenado da religião muitos grupos foram atribuindo aleatoriamente significados e interpretações distintas a lei, tornando-a ora muito lógica ora absurda. Existem duas interpretações que se complementam que são para mim um ponto chave para compreender a lei, vou comentar cada uma abaixo.

A Lei e sua simbologia.

O número três possui um significado simbólico ligado aos processos primários da vida onde todo ciclo começa, se desenvolve e termina. Dentre as trindades mais comuns temos: Físico-Mental-Espiritual; Jovem-Mãe-Anciã; Criança da promessa-Caçador-Senhor da morte; Renascimento-vida-morte; Terra-Céu-Mar; Positivo-Neutro-Negativo; e etc.

Muitas culturas e religiões enxergam neste número um poder ligado à criação e manutenção da vida, aqui vou chamá-lo de “mistério da triplicidade”. Você pode percebê-lo ao estudar a mitologia e liturgia de algumas religiões, como, por exemplo: Os mitos de Ísis, Osíris e Hórus, ou então os de Deméter, Hades e Perséfone e talvez caso você venha de uma cultura cristã seja mais fácil enxergar este mistério analisando a trindade Deus Pai, Espírito Santo e Jesus, mesmo que essa trindade não corresponda ao PAGANISMO , a idéia central cristã mostra a triplicidade ligada a geração da vida assim como nos ensinamentos pagãos.

Eu não sei até que ponto Gerald Gardner ao transmitir seus ensinamentos sobre a lei tríplice de fato a focou neste mistério, todavia creio que sendo quem era não me admira que ele tenha inventado este termo com tal intuito. Partindo disto tal lei torna-se não apenas uma chamada a nossa consciência quanto à responsabilidade que precisamos ter sobre nossos atos, mas também é um ponto de reflexão sobre a influência de nossas ações nos ciclos da vida.

Na WICCA aprendemos que a liberdade é importantíssima para o nosso desenvolvimento, quando falamos em leis alguns não compreendem e por algum motivo consideram essas regras castradoras de suas liberdades, com isso as negligenciam e/ou deturpam. Agir assim, ao menos pra mim, demonstra falta de maturidade e profundidade no estudo e vivencia da fé Wiccana. Digo isto por que ao compreender as leis que regem o universo e os mistérios que envolvem nosso ‘poder bruxo’ agir corretamente perante essas elas tende a nos libertar cada vez mais dando-nos ainda mais poder de ação, seja na magia seja no culto.

A lei tríplice, portanto, equivale à universal “lei do retorno” ou “lei da causa e efeito” onde nossas ações sempre geram reações. Porém nessas leis o retorno é equivalente, não existe nenhum mecanismo que propicie uma ampliação desse retorno como a lei tríplice supõe. Então como a compreender? Por que é dito que o retorno se dará triplamente? Uma interpretação inicial diz que ao levar em conta a simbologia do número três esse retorno é triplo porque pode e invariavelmente vai nos atingir em diferentes graus. Ou seja, pode nos atingir quando formos JOVENS , maduros ou velhos, pode nos atingir no físico, no emocional ou no ESPIRITUAL (ou nos três casos) e assim sucessivamente, enfim, nos atingirá de alguma forma na totalidade de possibilidades.

Nisto outras leis/crenças Wiccanas surgem e agem paralelamente a lei tríplice como a crença da Grande Teia/Rede. Mas será que acaba por ai? Será que a lei tríplice é apenas uma forma bonita de dizer que o retorno se dá em diferentes graus e possibilidades? Pra mim não, isso é só o começo...
porem acho que é tudo por hoje.

Verdades... Quase Universais.

Nós não somos maus.

Nós não prejudicamos ou seduzimos muito as pessoas.

Nós não somos perigosos, quando somos amigos.

Nós somos pessoas normais como você.

Nós temos famílias, empregos, esperanças e sonhos.

Nós não somos um culto satanico.

Esta religião não é uma piada.

Nós não somos o que você acha que somos quando vê TV.

Nós somos reais.

Nós Rimos e Choramos.

Nós somos sérios, mas também temos senso de humor.

Você não precisa ter medo de nós.

Nós não queremos converter você.

E por favor não tente nos converter.

Apenas nos dê o mesmo direito que nós damos a você: Viver em Paz.

Nós somos muito mais similares a você do que você imagina.


Os Valores Matrifocais da Wicca.


As grandes religiões atuais são baseadas em figuras e princípios masculinos.
Deus, sacerdotes, teólogos e a maioria dos santos, profetas e iluminados são homens ou são figurados como homens.

Grandes religiões como a Cristã, Islâmica e Judaica confrontam-nos com uma longa sucessão de figuras paternas e de valores patriarcais. Esta ênfase do masculino estende-se a todos os domínios da sociedade ocidental:
A inteligência analítica, o raciocínio linear, a frieza e o controle de sentimentos, a força física, a capacidade de domínio são valores mais considerados do que a intuição, a beleza, a compreensão e a capacidade de exprimir e partilhar sentimentos.

Durante séculos ou mesmo milênios, sobretudo na civilização judaico-cristã, os valores femininos foram relegados para um segundo plano, chegando mesmo a serem identificados com o mal, com o demônio. Esta situação deixou as pessoas, principalmente nos países protestantes, cujas Igrejas não incluem o culto de Maria ou dos santos, sem uma referência feminina, sem algo que defendesse, apoiasse e permitisse a expressão dum conjunto de sentimentos que dificilmente se encaixa numa religião patriarcal.

A sociedade Celta era Matrifocal, isto é, o nome e os bens da família eram passados de mãe para filha.
Homens e mulheres tinham os mesmo direitos, sendo a mulher respeitada como Sacerdotisa, mãe, esposa e guerreira, participando das lutas ao lado dos homens.

O culto da Grande Mãe e do Deus Cornífero predominaram nas regiões da Europa dominadas pelos Celtas, até a chegada dos romanos, que praticamente dizimaram as tribos Celtas, que já estavam sofrendo com a influência do patriarcado. Porém, em muitos lugares, a religião da Grande Mãe continuou a ser praticada, pois havia certa tolerância por parte dos romanos, chegando certos ramos da BRUXARIA a incorporar elementos do Panteão Greco-Romano, especialmente na BRUXARIA Italiana.

É importante perceber que não somente entre o povo celta os valores matriarcais eram trabalhados, mas em praticamente todos os povos do passado a mulher era vista como sagrada, a capacidade de gerar filhos, de se purificar todos os meses através da menstruação, sua sensibilidade, sua coragem em proteger seus filhos e maridos... As mulheres tinham um papel de destaque no comando da casa, nas atividades dentro de seus lares os homens agiam de acordo com o que elas estipulavam, o respeito prevalecia, o homem e a mulher do passado viviam em igualdade de valores, cada um tendo suas obrigações e organizando suas famílias e tribos, não havia esse desequilíbrio, ninguém era melhor ou mais sagrado, ambos eram essenciais à vida.

Foi somente na Idade Média que a BRUXARIA foi relegada às sombras com o domínio da Igreja Católica e a criação da Inquisição, cujo objetivo era eliminar de vez as antigas crenças, que eram uma ameaça a um clero muito mais preocupado em acumular bens e riquezas do que a propagar a verdadeira mensagem de Jesus.

O PAGANISMO propõe-se a recuperar a complementaridade entre homem e mulher, entre macho e fêmea, simbolizado no Deus e na Deusa, que não são superiores um ao outro, mas que se complementam. Dentro doPAGANISMO a WICCA dá à Deusa um papel preponderante, quer nas suas práticas quer nos seus mitos, criando assim o seu principal símbolo e mostrando a sua importância fundamental quer para as mulheres quer para os homens.

O credo das Bruxas


Apresentamos abaixo duas versões do Credo das Bruxas, poesia litúrgica ESCRITA pela Sacerdotisa Doreen Valiente para expressar as crenças básicas e comportamentos idealizados pelos seguidores da Religião.
Observe a forma de Doreen descrever de forma sutil crenças e práticas Wiccanas.

Versão Original em Inglês:


The Witches Creed

Hear now the words of the witches,
The secrets we hid in the night,
When dark was our destinys pathway,
That now we bring forth into light.

Mysterious water and fire,
The earth and the wide-ranging air,
By hidden quintessence we know them,
And will and keep silent and dare.

The birth and rebirth of all nature,
The passing of winter and spring,
We share with the life universal,
Rejoice in the magical ring.

Four times in the year the Great Sabbat
Returns, and the witches are seen
At Lammas and Candlemas dancing,
On May Eve and old Halloween.

When day-time and night-time are equal,
When sun is at greatest and least,
The four Lesser Sabbats are summoned,
And Witches gather in feast.

Thirteen silver moons in a year are,
Thirteen is the COVENS array.
Thirteen times at Esbat make merry,
For each golden year and a day.

The power that was passed down the age,
Each time between woman and man,
Each century unto the other,
Ere time and the ages began.

When drawn is the magical circle,
By sword or ATHAME of power,
Its compass between two worlds lies,
In land of the shades for that hour.

This world has no right then to know it,
And world of beyond will tell naught.
The oldest of Gods are invoked there,
The Great Work of magic is wrought.

For the two are mystical pillars,
That stands at the gate of the shrine,
And two are the powers of nature,
The forms and the gorces divine.

The dark and the light in succession,
The opposites each unto each,
Shown forth as a God and a Goddess:
Of this our ancestors teach.

By night hes the wild winds rider,
The Hornd One, the Lord of the Shades.
By day hes the King of the Woodland,
The dweller in green forest glades.

She is youthful or old as she pleases,
She sails the torn clouds in her barque,
The bright silver lady of midnight,
The crone who weaves spells in the dark.

The master and mistress of magic,
Thet dwell in the deeps of the mind,
Immortal and ever-renewing,
With power to free or to bind.

So drink the good wine to the Old Gods,
And Dance and make love in their praise,
Till Elphames fair land shall receive us
In peace at the end of our days.

And Do What You Will be the challenge,
So be it Love that harms none,
For this is the only commandment.
By Magic of old, be it done!
(Doreen Valiente, "Witchcraft For Tomorrow" pp.172-173)


Versão da Tradução para o português:



O credo das Bruxas


Ouça agora a palavra das Bruxas, 
os segredos que na noite escondemos,
Quando a obscuridade era caminho e destino,
e que agora à luz nós trazemos.

Conhecendo a essência profunda,
dos mistérios da Água e do FOGO ,
E da TERRA e do AR que circunda,
manteve silêncio o nosso povo.

No eterno renascimento da Natureza,
à passagem do Inverno e da Primavera,
Compartilhamos com o Universo da vida,
que num Círculo Mágico se alegra.

Quatro vezes por ano somos vistas,
no retorno dos grandes Sabás,
No antigo Halloween e em Beltane, 
ou dançando em Imbolc e Lammas.

Dia e noite em tempo iguais vão estar, 
ou o Sol bem mais perto ou longe de nós, 
Quando, mais uma vez, BRUXAS a festejar, 
Ostara, Mabon, Litha ou Yule saudar.

Treze Luas de prata cada ano tem, 
e treze são os COVENS também, 
Treze vezes dançar nos Esbás com alegria,
para saudar a cada precioso ano e dia.

De um século a outro persiste o poder,
Que através das eras tem sido levado,
Transmitido sempre entre homem e mulher,
desde o princípio de todo o passado.

Quando o círculo mágico for desenhado,
do poder conferido a algum instrumento,
Seu compasso será a união entre os mundos,
na TERRA das sombras daquele momento.

O mundo comum não deve saber, 
e o mundo do além também não dirá,
Que o maior dos DEUSES se faz conhecer, 
e a grande Magia ali se realizará.

Na Natureza, são dois os poderes, 
com formas e forças sagradas,
Nesse templo, são dos os pilares,
que protegem e guardam a entrada.

E fazer o que queres, será o desafio,
como amar a um AMOR que a ninguém vá magoar.
Essa única regra seguimos a fio,
para a Magia dos antigos se manifestar.

nove palavras o credo das BRUXAS enseja:
sem prejudicar a ninguém, faça o que você deseja!

A relação da Bruxaria com o Mundo



A BRUXARIA orienta que os poderes mágicos são latentes a todas as pessoas, porém devido ao nosso modo de vida estes poderes se atrofiaram. O que BRUXARIA faz é desenvolver e ampliar esta força, assim como ensinar e auxiliar a providenciar uma atmosfera propícia na qual eles possam se manifestar.


Os Wiccanianos são praticantes de uma Religião baseada em uma crença e uma prática tão antiga quanto o próprio mundo, por isso muitas das práticas e ritos têm sido adaptados à realidade atual. Bruxos são pessoas das mais variadas idades, posição social e raça que têm em comum uma Religião voltada ao reencontro de um caminho ESPIRITUALharmônico com a TERRA e com as manifestações da natureza.



Os Wiccanianos são universalmente caracterizados pelo AMOR incondicional à natureza. Os pagãos acreditam que à volta da ligação com a natureza é o único caminho para uma vida harmônica e equilibrada, por isso todos os Ritos sagrados da BRUXARIA estão centrados nas Estações do Ano e fases lunares. 



Os Bruxos provavelmente são os precursores dos movimentos ecológicos e de inúmeros outros movimentos sociais que lutam e reivindicam igualdade entre os homens. A alegria e a satisfação de viver são as bases da Bruxaria, pois ela é uma Religião de AMOR e prazer que permite a manifestação da individualidade como é sentida, mas que também encoraja a responsabilidade social e ambiental. 



Os Bruxos não acreditam no dualismo de opostos absolutos do “bem contra o mal” (Maniqueísmo). A BRUXARIA ensina que todas as coisas existentes têm o seu próprio lugar e funções e que devemos nos empenhar em harmonizar todas as coisas. A BRUXARIA tem sua própria filosofia sobre a reencarnação e vida após a morte. Porém cada Bruxo pode ter sua própria filosofa sobre o assunto, pois a WICCA não estabelece uma obrigatoriedade de crença nisso ou naquilo sem variações.



Os dogmas são flexíveis. Um exemplo: Você precisa crer na Deusa e no Deus pra ser WICCANO , mas a forma como você vai trabalhar essa crença pode ter variações, sem que isso crie conflitos com o dogma original que é "crer nos deuses".



Os Bruxos acreditam que todos devem cultuar os DEUSES à sua própria maneira, pois não existem leis que exijam que os Wiccanianos sigam uma maneira prescrita de liturgia. Bruxos nunca comprometem seus filhos com a sua fé particular, pois acreditam que cada um deve seguir o seu próprio caminho. As crianças sempre são ensinadas a honrar sua família, amigos, a ter integridade, honestidade, a tratar a TERRA como sagrada e a amar e respeitar todas as formas de vida. 



O fanatismo é repudiado pelos pagãos, assim como o proselitismo é inadmissível. Bruxos nunca divulgaram sua Religião porta a porta. São extremamente discretos, pois acreditam que a aproximação à BRUXARIA deve resultar de uma escolha individual.



O movimento neopagão sempre cresceu e continua a crescer sem que para isso pessoas sejam abordadas ou aliciadas à tornarem-se pagãos.



A BRUXARIA cresce em todo mundo por que seu senso de liberdade, religiosidade e AMOR à natureza fundem-se dando abertura e compreensão ao verdadeiro sentido de ser.

METAS DA WICCA

Assim como qualquer Religião a Wicca tem metas...
São 13 que agora vou agora citar...


1. Conhecer a si mesmo.

2. Saber a sua arte.

3. Aprender e buscar conhecimento sempre.

4. Usar o que você aprendeu corretamente.

5. Manter o balanço (equilíbrio) de todas as coisas.

6. Manter suas palavras verdadeiras.

7. Manter seus pensamentos verdadeiros.

8. Celebrar a vida.

9. Alinhar você mesmo com os ciclos da TERRA .

10. Manter seu corpo saudável e forte.

11. Exercitar seu corpo, sua mente e seu espírito.

12. Meditar, relaxar e se controlar.

13. Honrar a Deusa e o Deus em todos os momentos.

Wicca, por Wiccanos


A WICCA é uma religião neopagã, mistérica, iniciática e sacerdotal que tem seu culto destinado a um casal divino cósmico, criador e imanente. Tornou-se conhecida por meio de Gerald Brusseau Gardner (1884-1964) que com os conhecimentos obtidos em diferentes sistemas ocultistas e ramificações de BRUXARIA desenvolveu e compilou aquilo que viria a se tornar as bases da religião.
As práticas da WICCA são baseadas em diferentes sistemas de crença, culto, cultura, organização e mistérios dos povos Europeus. A Religião da forma que a conhecemos hoje é nova, criada por volta da década de 50, mas a origem de sua estrutura é bastante antiga.
A religião celebra a vida e a morte por meio de festivais sazonais conhecidos como Sabás, neles os praticantes se reúnem para meditar, agradecer, dançar, encontrar amigos, prestar culto aos DEUSES , projetar desejos para o futuro e harmonizar corpo, mente e espírito. Além dos Sabás, que são relacionados aos ciclos solares, os Wiccanos se reúnem também nos ciclos lunares para enviar oferendas, agradecimentos, pedidos, para se conectar com as divindades, fazer consagrações e purificações e demais práticas comuns a religião.
Para entender a Religião WICCA e saber se ela é um caminho válido para você dedique muito tempo e esforço lendo sobre sua origem, história, estrutura e crenças, para que obtenha um conhecimento mínimo sobre a religião. Após isso, busque sacerdotes capacitados para lhe tirar dúvidas e direcionar qual é o melhor caminho que você pode seguir dentro da religião.
Seguem abaixo alguns trechos de livros, ressaltamos que não temos responsabilidade sobre a veracidade das informações e as disponibilizamos apenas como uma forma de ampliar as possibilidades de leitura sobre o assunto. Pedimos que ao utilizar qualquer informação do site em outros locais que citem as fontes.
“A WICCA é a continuação de uma tradição de mistérios muito antiga, que veio para o ocidente a partir de 4000 a.C., unindo-se aos cultos ainda existentes e sendo posteriormente assimilada pelos celtas durante sua vinda para a Europa”. (...) “Mas se quisermos encontrar as bases da Wicca, devemos procurá-las nos cultos Paleolíticos da Velha Europa, que se estabeleceram mais tarde entre os minóicos, os etruscos, os gregos e posteriormente os romanos”. [MARTINEZ, p. 17]
“Wicca é uma religião de veneração da Natureza e da Divindade, ambos contendo os aspectos femininos e masculinos. É encontrada nas raízes espirituais das crenças e práticas Européias pré-cristãs. Quando a WICCA veio a público pela primeira vez no inicio dos anos 50 através dos esforços de Gerald Gardner, ela foi retratada como remanescente do antigo culto de fertilidade Europeu. Os praticantes se referem à WICCAcomo a Antiga Religião. Ela também era conhecida como a Arte dos Sábios. Superficialmente a WICCA moderna parece ser um sistema folclórico de magia tradicional”. [GRIMASSI, p.294]
“Wicca (nome alternativo para a arte da feitiçaria moderna) é uma religião de natureza xamanístíca, positi¬va, com duas deidades reverenciadas e adoradas em seus ritos: a Deusa (o aspecto feminino e deidade ligada à antiga Deusa Mãe em seu aspecto triplo de Virgem, Mãe e Anciã) e seu consorte, o Deus Chifrudo (o aspecto masculino)”.[DUNWICH, p. 08]
“A WICCA é uma religião filosófica (com certeza), mas com fundamentos e bases inegáveis”. (...) “A WICCA é realmente a religiosidade que se fundamenta nos ciclos naturais da terra. Uma tentativa do resgate mesmo que em novos moldes da consciência pagã de outrora”. (...) “Assim, a WICCA tem seus RITUAIS e filosofia fundamentados nas práticas agrícolas, pastoris e de respeito à TERRA iniciadas no paleolítico e neolítico”.

MILLENNIUM p. 07 e 18].

DUNWICH, WICCA a Feitiçaria Moderna, São Paulo: Bertrand Brasil, 2001.

GRIMASSI, Raven. Enciclopédia de WICCA e Bruxaria, São Paulo: GAIA, 2004.

MILLENNIUM. “Wicca – A BRUXARIA saindo sãs Sombras”. São Paulo: Madras, 2004.
MARTINEZ, Mario. WICCA Gardneriana, São Paulo: GAIA, 2005.



Ocultista e, ocultismo.

Quando normalmente digo a alguem "Sou Ocultista" logo o que ouço eh...
"o que é um ocultista" o que um ocultista faz? e é o que vou responder agora...
 nos preceitos Normais...

Ocultismo é um conjunto de teorias e práticas cujo objetivo seria desvendar os segredos da natureza, do Universo e da própria Humanidade.
 O ocultismo trata de um tipo de conhecimento que está além da esfera do conhecimento empírico, o que é sobrenatural e secreto.
Não é aceito pela comunidade científica por não compartilhar de suas metodologias.
O ocultismo está relacionado aos fenômenos sobrenaturais, e as praticas, com auxilio de elementos da natureza para mudar o nosso mundo exterior...
No ocultismo... Temos Muitas vertentes (Tradições) religiões extras e tal...
aos poucos vou postar aqui, algumas que já tive a Honra de Praticar e/ou estudar....



Nas ciências ocultas, a palavra oculto refere-se a um "conhecimento não revelado" ou "conhecimento secreto", em oposição ao "conhecimento ortodoxo" (corriqueiro) ou que é associado à ciência convencional. 
Para as pessoas que seguem aprofundando seus estudos pessoais de filosofia ocultista, o conhecimento oculto é algo comum e compreensivel em seus símbolos, significados e significantes.
Este mesmo conhecimento "não revelado" ou "oculto" é assim designado, por estarem no escuro ou permanecendo nas raízes das culturas.
Originalmente no século XIX era usado por ter sido uma tradição que teria se mantido oculta à perseguição da Igreja, e da sociedade e por isso mesmo não pode ser percebido pela maioria das pessoas.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O MAL EXISTE???



Durante uma conferência com vários universitários, um professor da Universidade de Berlim desafiou seus alunos com a seguinte pergunta: "Deus criou tudo que existe?

Um aluno respondeu valentemente: "Sim, Ele criou"...

O professor continuou, "Se Deus criou tudo, então Deus fez o mal! Pois o
mal existe, e partindo do preceito de que nossas obras são um reflexo de
nós mesmos, então Deus é mau."

O jovem ficou calado diante de tal argumento e o professor, feliz, se regozijava
de ter provado mais uma vez que a fé era um mito.

Outro estudante levantou a mão e disse: "Posso fazer uma pergunta, professor?"

"Lógico" foi à resposta.

O jovem ficou de pé e perguntou: "Professor, o frio existe?"

"Que pergunta é essa? Lógico que existe, ou por acaso você nunca sentiu frio?"

O rapaz respondeu: "De fato, senhor, o frio não existe. Segundo as leis
da Física, o que consideramos o frio, na realidade é a ausência de
calor. Todo corpo ou objeto é suscetível de estudo quando possui ou
transmite energia. O calor é o que faz com que este corpo tenha ou
transmita energia. O zero absoluto é a ausência total e absoluta de
calor. Todos os corpos ficam inertes, incapazes de reagir, mas o frio
não existe. Nós criamos essa definição para descrever como nos sentimos
se não temos calor."

"E, existe a escuridão?", continuou o estudante.

O professor respondeu: "Existe".

O estudante respondeu: "Novamente comete um erro, senhor, a escuridão
também não existe. A escuridão na realidade é a ausência de luz. A luz
pode ser estudada, a escuridão não! Até existe o prisma de Nichols para
decompor a luz branca nas várias cores que a compõe, com suas diferentes
longitudes de ondas. A escuridão não! Um simples raio de luz atravessa
as trevas e ilumina a superfície onde termina o raio de luz.

Como pode saber quão escuro está um espaço determinado? Com base na quantidade de luz presente nesse espaço, não é assim? Portanto a
escuridão é uma definição que o homem desenvolveu para descrever o que
acontece quando não há luz presente".

Finalmente, o jovem perguntou ao professor: "Senhor, o mal existe?"

O professor respondeu: "Lógico que existe, como disse desde o começo, é
só ler as manchetes: vemos ações terroristas, crimes e violência no
mundo o tempo todo".

E o estudante respondeu: "O mal não existe, pelo menos não existe por si mesmo. O mal é
simplesmente a ausência do bem, como nos casos anteriores, o mal é uma
definição que o homem criou para descrever a ausência de Deus. Deus não
criou o mal. Não é como a fé ou como o amor, que existem como existem o
calor e a luz. O mal é o resultado da humanidade não ter Deus presente
em seus corações. É como acontece com o frio quando não há calor, ou a
escuridão quando não há luz".

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Ingestão de cafeína é um vício, afirma cientista


Afirma cientista



Ingestão de cafeína é um vício, 



Se você acredita que um cappuccino ou um expresso duplo são uma boa maneira de começar o dia, atenção: aquela xícara pode indicar que você sofre de um distúrbio psicológico. De fato, a dependência de cafeína agora é vista como um verdadeiro vício e é provável que a privação da substância seja incluída na próxima edição do Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios Mentais dos Estados Unidos. Roland Griffiths, neurocientista da Escola de Medicina Johns Hopkins, em Baltimore, está entre os que recomendam que a dependência da cafeína seja considerada um vício e tratada. Ele publicou recentemente no Journal of Psychopharmacology uma revisão de 70 estudos sobre o efeito da cafeína na saúde e no comportamento e afirma que o problema da dependência da cafeína já ficou tempo demais sem reconhecimento. A cafeína é "a droga de alteração do humor mais consumida no mundo": ela aparece não só no café, mas no chocolate, nos refrigerantes, chá e medicamentos sem receita. "Cerca de 80% dos ocidentais consomem cafeína; portanto, milhões de pessoas poderiam ser dependentes", diz. Os médicos deveriam ter os meios para diagnosticar a dependência, afirma ele, para "fazer o diagnóstico correto de outras condições médicas cujos sintomas se justapõem aos da privação da cafeína. E alguns pacientes podem precisar ser instruídos a suspender a ingestão de cafeína". Os médicos também "precisam avaliar a dificuldade que alguns têm de cortar a cafeína e estar preparados para oferecer uma alternativa à sua suspensão abrupta". Na Grã-Bretanha, são consumidos 70 milhões de xícaras de café por dia e o britânico toma em média 421 xícaras por ano. Griffiths afirma que apenas 100 mg de cafeína - presentes em meia xícara de café instantâneo - podem levar algumas pessoas à dependência física. Ele sugere que pelo menos 50% dos consumidores regulares de cafeína sofreriam sintomas de abstinência se parassem de ingeri-la, entre eles dor de cabeça, fadiga e sonolência, depressão ou irritabilidade e sinais parecidos com os de gripe ou virose, como náusea e dor muscular, o que poderia levá-los a se afastar vários dias do trabalho.


Fonte: http://pt.shvoong.com/medicine-and-health/1754413-viciado-em-cafe/#ixzz1OWIMBArm

Conhecendo Mais sobre minha Religião, me conhecer fica mais façil.



As Raízes da Antiga Religião

Quando iniciamos o estudo de algo que nos é novo, a primeira pergunta que nos vêm à mente é: “de onde surgiu?”. Portanto, nadamais correto do que usar a história da Arte como ponto de partida. De onde veio a Wicca? Como tornou-se o que é hoje? O que ela é hoje? Wicca é uma palavra do inglês arcaico que quer dizer “bruxo” (plural wicce). Há quem diga que seu significado é “sábio”, mas isso não corresponde à verdade. A palavra tem sua origem na raiz indo-européia ‘wikk-’, significando ‘magia’, ‘feitiçaria’. O nome Wicca é o mais usado para denominar nossa religião. Ela também é conhecida comoBruxaria, Feitiçaria, Antiga Religião e Arte dos Sábios, ou, simplesmente, A Arte. As origens da Bruxaria remontam à aurora dahumanidade. Nossas crenças começaram a tomar forma no Paleolítico, há aproximadamente vinte e cinco mil anos.
Neste período, o ser humano era nômade, e suas principais fontes de subsistência eram a caça e a coleta. Tudo era misterioso para o homem e a mulher do paleolítico: o trovão, o sol, a escuridão… Para eles, o mundo era um lugar perigoso, cheio de forças que deveriam ser temidas, respeitadas e reverenciadas. Com o tempo, a idéia das forças foi evoluindo para a idéia de Deuses. Um dos primeiros e, seguramente, o mais importante Deus primitivo a surgir foi o Deus de Chifres. Para que o clã nômade sobrevivesse, uma das principais atividades era a caça: dela provinham carne para alimentar-se, peles para vestir-se, ossos e chifres para fazer instrumentos.
Os animais considerados mais valiosos, cujo abate cobria de honras aquele que o realizava, eram animais que possuíam chifres, como cervos e bisões. Assim, tomou forma na mente do ser humano primitivo a idéia de um Deus das Caçadas, dotado de chifres, símbolo de seu poder. Alguns membros do clã iniciaram a prática de atividades de caráter mágico-religioso, compostos por um elemento religioso (esboços de rituais e mitos dedicados à adoração do Deus de Chifres, forças da natureza e espíritos dos antepassados) e por um elemento mágico (práticas que tentavam atrair a benevolência destas divindades e espíritos, a fim de manipulá-la para interesses práticos do clã). Neste momento estava se delineando algo que se assemelhava muito a grosso modo com uma classe sacerdotal. Estes ‘sacerdotes’ realizavam ritos do que hoje é denominado magia simpática, ou seja, práticas baseada na atração dos semelhantes. Pintavam-se cenas de membros do clã vencendo e abatendo animais cobiçados, para garantir o sucesso da próxima caçada. Miniaturas destes mesmos animais eram confeccionadas, em osso, chifre ou barro, e então simulava-se sua caça e abate. Estes ritos eram geralmente dirigidos por um destes ‘sacerdotes’, geralmente usando a primeira de todas as túnicas: peles de animais e uma máscara dotada de chifres.
Em Trois Frères, na França, existe uma pintura de doze mil anos, conhecida como “Le Sorcière” (“O Feiticeiro”).
 É a figura de um homem vestido de peles, com cauda e chifres de cervo. À sua volta, paredes cobertas por pinturas de animais em caçadas. A seus pés, uma saliência na rocha, constituindo um altar. Mas as caçadas não eram a única coisa que faziam o clã sobreviver. Havia um Mistério: o dafertilidade. O clã precisava continuar. De tempos em tempos, a barrigadas mulheres crescia, e, ao fim de algumas luas, delas surgia um novo membro da tribo, pequeno, mas que crescia com o passar do tempo. Os animais também tinham filhotes, e isso garantia o alimento das futuras gerações.
A chave de todo esse Mistério era a mulher, aquele enigmático ser que, se já não bastasse ser a única responsável pela continuação datribo (ainda não havia a consciência da participação do homem na reprodução), também alimentava as crianças com leite de seu próprio corpo. Além disso, aquela criatura mágica vertia sangue de dentro de seu corpo em algumas ocasiões, mas mesmo assim não morria. Todas estas constatações deram origem ao surgimento de uma Deusa daFertilidade, uma Grande Mãe. Figuras pré-históricas desta Deusa são incontáveis. Uma das mais famosas é a Vênus de Willendorf: seu corpo parece uma grande massa disforme da qual se destacam um gigantesco par de seios e uma proeminente barriga grávida. Ela não tem pés nem braços, e seu rosto está coberto. Estas características são comuns a várias outras ‘Vênus’ pré-históricas, e se devem à ênfase que o ser humano primitivo dava ao aspecto de fertilidade damulher .
A Deusa era a Grande Mãe Natureza, fonte de toda a vida. Com o tempo, os homens foram se conscientizando de seu papel na reprodução, e o aspecto de fertilizador passou a ser mais um dos atributos do Deus de Chifres. Ele tornou-se filho da Deusa, pois dela era nascido, e também seu amante, pois a fertilizava para que um novo ser surgisse. A partir desta concepção, novos ritos foram adicionados às práticas mágico-religiosas, onde esculpiam-se ou pintavam-se animais ou humanos copulando, e todo o clã entregava-se ao ato sexual, já tendo recebido a graça dos Deuses.
No Neolítico, o ser humano desenvolveu a agricultura, e começou a formar aldeias e povoados. Com a descoberta das técnicas de plantio, a Deusa assumiu maior importância, passando a acumular também o aspecto de guardiã da colheita. O Deus de Chifres começou a ganhar uma nova face, a de alegre Deus das Florestas, protetor dos animais e criaturas dos bosques. Quando o homem adquiriu a noção das estações do ano, esboçaram-se as primeiras idéias sobre a Roda do Ano. Havia um período quente e fértil, onde realizavam-se as colheitas e a natureza mostrava todo seu esplendor. Neste período, reinava a Deusa em seu aspecto de Mãe Fértil. Mas havia outro período, frio e escuro, quando as folhas das árvores secavam e caíam e tudo parecia estar morto.
O povo voltava a depender da caça para sobreviver, pois não podia viver só dos alimentos armazenados. Quem regia este período era o Deus das Caçadas, que também adquiria seu novo aspecto de Sombrio Senhor da Morte (nesta época nasceram também os primeiros conceitos sobre a vida após a morte). Surgiram então os primeiros mitos sobre a descida da Deusa ao mundo subterrâneo, que, séculos mais tarde, tomaria forma definitiva na Grécia, com o mito de Perséfone, e na Mesopotâmia, com a lenda de Ishtar. As culturas desenvolveram-se com o passar dos séculos, e novos aspectos dos Deuses foram descobertos.
Cultos religiosos se estruturaram, centrados nos ciclos de nascimento, morte e renascimento da natureza. O tempo da plantação e o tempoda colheita eram muito importantes, marcados com festividades, assim como o período do recolhimento do gado e a época de sua liberação ao pasto. Nestas datas, juntamente com as de mudanças de estação, realizavam-se encenações de mitos nos quais um Deus Velho morria para um Deus Jovem nascer, representando a morte da antiga colheita e o nascimento de uma nova. Estes cultos possibilitaram o refinamentoda classe sacerdotal, que chegou ao requinte de gerar representantes como os druidas, sacerdotes celtas que encantaram os gregos e romanos com sua profunda filosofia e integração com a natureza. Sua erudição era admirável, e acumulavam funções como a de legisladores, médicos, poetas, bardos e guardiões da tradição oral. Na Grécia Antiga, floresceram os Cultos de Mistério, dos quais deve destacar-se os Ritos de Elêusis e os Mistérios Órficos. Também foram de grande importância os cultos dionisíacos. Deve-se ter em mente que estas são linhas gerais do início da bruxaria, que confunde-se com o surgimentodas primeiras manifestações religiosas humanas. O que relatei acima aconteceu, em épocas diferentes, nos mais variados lugares. É verdade que nem tudo ocorreu exatamente da mesma maneira em todos os lugares: enquanto no Crescente Fértil da Mesopotâmia nasciam avançadas civilizações, na Europa ainda vivia-se de caça e coleta. Mas o que impressiona e é importante não são as diferenças, e sim as semelhanças dos primeiros esboços de religião.
Meu objetivo, com a pequena exposição acima, foi dar ao estudante noções de como foi o surgimento da idéia dos Deuses e seu desenvolvimento. Para aqueles que desejarem um estudo mais detalhado, há uma lista de leitura recomendada no fim dos polígrafos.
O Surgimento do Cristianismo
Ao contrário do que se pensa, o cristianismo não foi imediatamente adotado pelo povo europeu ao ser declarado religião oficial do Império Romano. Esta conversão dos Romanos ao catolicismo teve motivos políticos, e não teve grande penetração fora dos centros urbanos. A grande massa da população permaneceu fiel a seus deuses antigos.
Os cultos antigos, então, receberam a denominação pejorativa de “pagãos” (“pagani”, plural de paganu, ‘ morador do campo’), por ter como foco de resistência à nova religião o povo dos campos, longe das cidades e das zonas de comércio e ensino. Os missionários cristãos, com o tempo, passaram a ter mais aceitação nas cidades, mas continuavam sendo repelidos no campo, nas montanhas e nas regiões distantes, verdadeiros enclaves da Antiga Religião.
Houve ainda uma tentativa de reativar o paganismo e o culto aos Deuses antigos como religião oficial do Império Romano. Esta última esperança deveu-se ao Imperador Juliano (conhecido como “O Apóstata”), que reinou no século IV EC. Mas, como sabemos, essa tentativa não foi frutífera, derrubada pela própria conjuntura da época, onde já se pressentia o poder de manipulação, domínio e intriga do cristianismo, evidenciado nos séculos seguintes.
Um dos ardis utilizados pelos cristãos era o de apropriar-se de festividades pagãs como comemorações religiosas de sua própria religião. Assim, por exemplo, o festival do solstício de inverno, onde se comemorava o nascimento do Deus-Sol, transformou-se no Natal cristão. Também o festival de Samhain, comemorado em intenção dos mortos, recebeu o nome de Dia de Todos os Santos, logo seguido pelo dia de Finados. A despeito destas tentativas, as tradições pagãs continuaram mantendo sua força.
A partir de um decreto do papa Gregório, os cristãos também se apossaram dos locais sagrados da Antiga Religião e, derrubando os templos ali existentes, erigiram suas igrejas. Os Deuses de cadasantuário foram transformados em santos e santas (um exemplo é Santa Brígida, da Irlanda, na verdade a Deusa Bhríd, protetora do fogo e dos partos). Quando os cristãos deram-se conta da importância daDeusa-Mãe para as pessoas, aumentaram a proeminência da Virgem Maria no culto cristão. Mitos e práticas pagãs foram, sistematicamente, absorvidas, distorcidas e transformadas em ritos cristãos. Esculturas de temas pagãos foram incluídos em igrejas e capelas . O maior exemplo de sincretismo entre costumes pagãos e cristãos é o cristianismo irlandês, que ainda hoje conserva hábitos célticos mesclados a liturgias cristãs. Os padres tinham a seu favor o tempo, o poder e a força. Os pagãos tinham que lutar sozinhos contra a profanação de seus templos, crenças e costumes. Desta maneira, o povo simples dos campos foi acostumando-se à nova religião, e, gradualmente, foi sendo convertido.
Mas os sacerdotes restantes da Antiga Religião não se renderam à nova ordem. Juntamente com pessoas ainda fiéis às antigas crenças, mantiveram o culto ao Deus de Chifres e à Deusa Mãe. As crenças pagãs, enfatizando a adoração aos Deuses e a realização dos festivais de fertilidade, foram amalgamando-se à magia popular, criando aBruxaria Européia. A magia popular consistia em um conjunto de feitiços feitos com o uso de ervas, bonecos e diversos outros meios. Estes feitiços tinham como objetivo a cura, a boa sorte, atrair amores, e fins menos nobres,como a morte de algum inimigo. São práticas desenvolvidas a partir do que restara da magia simpática pré-histórica, unidas ao conhecimento xamânico dos povos bárbaros. Os teólogos cristãos passaram então a sustentar que a Bruxaria não existia. Assim, pretendiam terminar com a credibilidade dos bruxos e anular sua influência. Foi um período de relativa paz para a Arte. Mas logo os cristãos perceberam que seus esforços para exterminar completamente o paganismo não haviam dado resultado. Fizeram então mais uma tentativa: transformaram o Deus de Chifres na personificação do Mal, do Antideus, do Inimigo. A natureza dos Deuses pagãos é completamente diferente da do todo-poderoso “senhor de bondade” dos cristãos. Nossos Deuses são quase “humanos”, pois têm características tanto ‘boas’ quanto ‘más’. A teologia cristã já pressupunha a existência de um antagonista a seu Jeová (o ‘Satan’ hebraico do Antigo Testamento e o ‘diabolos’ do Novo): um Inimigo. Ele ainda não possuía forma definida e, quando era representado, o era em forma de serpente, como a que persuadiu Adão a comer a fruta daÁrvore da Sabedoria. Dando a seu Satã a forma do Deus de Chifres (notadamente de deuses agropastoris como Pã e Sileno, dotados de cascos de bode e pequenos cornos), os cristãos conseguiram iniciar um clima de terror e medo em relação aos praticantes da Antiga Religião, o que os forçou a praticarem seus ritos em segredo. Mas a era mais triste da Arte ainda estava por vir.
A Era das Fogueiras

bruxas.gif (61384 bytes)     A situação da Igreja até o século XIII era caótica. Facções adversárias lutavam entre si, cada uma degladiando-se em favor de um dogma. Nos numerosos concílios realizados, ora uma das facções impunham sua visão, ora outra. Isso favorecia um desmoralizante ‘entra-e-sai’ de dogmas, o que desacreditava a Igreja. Algumas destas facções também criticavam a corrupção e o jogo de poder dentro da classe sacerdotal, e levantavam dúvidas sobre o poder espiritual do papado. Foi então criado um instrumento de repressão: o Tribunal de Santa Inquisição. Consistia em um corpo investigatório ignorante, brutal e preconceituoso, dirigido pela ordem dos Dominicanos. Sua função primordial era a de acabar com as facções que se opunham à Igreja (denominadas ‘heréticas’), através do extermínio sistemático de seus membros. Exemplos destas facções ‘heréticas’ eram os cátaros, os gnósticos e os templários.
As Bruxas, na visão medieval
Com o tempo, os cristãos perceberam outro uso para seu Tribunal. Ainda persistiam cultos aos Deuses Antigos, e, graças à transformação do Deus de Chifres no Demônio Cristãos, eram acusados de delitos absurdos, como o canibalismo, a destruição de lavouras (acusar de tal crime uma Religião dedicada à manutenção da fertilidade das colheitas é, no mínimo, ridículo) e muitos outros. Foi então proclamada, em 1484, a Bula contra os Bruxos, pelo Papa Inocêncio VIII. Neste documento, ele relacionava os crimes atribuídos aos bruxos e dava plenos poderes à Inquisição para prender, torturar e punir todos aqueles que fossem suspeitos do ‘crime de feitiçaria’. Em 1486 foi publicado o Malleus Malleficarum (‘Martelo dos Feiticeiros’), escrito pelos dominicanos Kramer e Sprenger. O livro, absurdo e misógino, era um manual de reconhecimento e caça aos bruxos, e, principalmente, às bruxas (o livro trazia afirmações surpreendentes, como : “quando uma mulher pensa sozinha, pensa em malefícios”). A partir daí, a Igreja abandonou completamente a postura de ignorar a Bruxaria: pelo contrário, não acreditar na sua existência era considerada a maior das heresias. Iniciou-se então um período de duzentos anos de terror, conhecido entre os bruxos como “Era das Fogueiras”. Mas os bruxos (e também os hereges e inocentes: doentes mentais, homossexuais, pessoas invejadas por poderosos, mulheres velhas e/ou solitárias) não pereciam só em fogueiras: eram também enforcados e esmagados sob pedras. Isso quando não pereciam nas torturas, as quais são tão cruéis e sádicas que não merecem nem ser mencionadas.
A Inquisição tornou-se uma válvula de escape para as neuroses daépoca: em época de forte repressão sexual, condenavam-se mulheres jovens, que eram despidas em frente a um grupo de ‘investigadores’, tinham todo seu corpo revistado diversas vezes, à procura de uma suposta ‘marca do diabo’, e, por fim, eram açoitadas, marcadas a ferro e violentadas. Terminavam condenadas e executadas como bruxas. Seu crime: serem mulheres jovens, belas e invejadas. Anciãs que moravam sozinhas, geralmente em companhia de alguns animais, como gatos (daí a lenda da ligação dos gatos com as bruxas), eram alvo de desconfiança e logo declaradas ‘feiticeiras’, e, assim, assassinadas. A maioria das vítimas dos tribunais de Inquisição não eram verdadeiros praticantes da Arte, mas muitos bruxos pereceram na mão dos cristãos. Aproximadamente nove milhões de crimes como este foram cometidos durante a Inquisição, ironicamente em nome de uma religião que se dizia ‘de amor’. Nunca uma religião demonstrou tanta necessidade de exterminar seus antagonistas como o cristianismo. A perseguição aos bruxos não resumiu-se apenas ao países católicos: espalhou-se pela Europa protestante. Os protestantes não se guiavam pelo Malleus Malleficarum, mas davam razão à sua paranóia através do uso de uma citação do Antigo Testamento: “não deixarás que nenhum bruxo viva”.
Na Era das Fogueiras, os praticantes da Antiga Religião adotaram o único comportamento que lhes possibilitaria a sobrevivência: “foram para o subterrâneo”, ou seja, mantiveram o máximo de discrição e segredo possível. A sabedoria pagã só era passada por tradição oral, e somente entre membros da mesma família ou vizinhos da mesma aldeia. Como técnica de proteção, os próprios bruxos ajudaram a desacreditar sua imagem, sustentando que a Bruxaria não passava de lenda, ou disseminando idéias de bruxos como figuras cômicas e caricatas, dignas de pena e riso.
Por volta do final do século XVII, a perseguição aos bruxos foi diminuindo gradativamente, estando virtualmente extinta no século XVIII. A Bruxaria parecia, finalmente, ter morrido. Mas os grupos de bruxos (“covens”) resistiam, escondidos nas sombras. Algo que surgiu nos primórdios da humanidade não morreria assim tão facilmente.
O Renascer da Bruxaria
A partir da metade do século XIX, a Bruxaria tornou-se novamente objeto de discussão, graças ao renascer do interesse em mitologia, folclore e magia. Em 1862, Jules Michelet lançou sua obra “A Feiticeira” , na qual falou sobre a sobrevivência dos cultos pagãos nas Idades Média e Moderna e sobre o surgimento paralelo do satanismo. Apesar de importante, as principais intenções de seu livro eram políticas: pretendia provar que a Bruxaria era um culto surgido nas camadas inferiores da sociedade em protesto à repressão da classe dominante. Isso pode ser verdadeiro para o satanismo, mas não corresponde à realidade quando se trata de Bruxaria.
Mas isso não diminui a importância de seu livro: sua tese dasobrevivência dos cultos pagãos influenciou o trabalho de vários antropólogos e folcloristas do final do século XIX e do início do século XX. Um deles foi o norte-americano Charles Leland, um folclorista conhecido na época por suas pesquisas sobre cultura cigana. Em 1899, Leland lançou um livro intitulado “Aradia, ou o Evangelho das Bruxas”. Foi a primeira obra de grande importância para o renascimento da Bruxaria no século XX. Neste livro, Leland registrava as crenças reunidas por uma bruxa toscana chamada Maddalena, que ele conhecera em uma viagem pela Itália no ano de 1866. O livro falada vecchia religione praticada naquela região: o culto à Deusa Aradia, filha de Diana com seu irmão Lúcifer. Aradia foi la prima strega (‘a primeira bruxa’), enviada à Terra por sua mãe para ensinar as artes dafeitiçaria aos humanos. A idoneidade do livro é contestada atualmente por alguns historiadores da feitiçaria, que argumentam que Leland dirigiu sua pesquisa para enquadrar-se em suas concepções e nas idéias de Michelet. Outros dizem ainda que Maddalena traiu a boa fé do folclorista. O fato é que nada disto tira o mérito do livro, um clássicoda Bruxaria moderna.
A década de 20 produziu dois importantes livros para a Bruxariamoderna: um deles foi “O Ramo de Ouro” (‘The Golden Bough’), gigantesca obra do antropólogo James Frazer, versando sobre rituais de fertilidade. As idéias que expôs em sua obra, juntamente com o conhecimento passado por Leland em ‘Aradia’ levaram a antropóloga Margaret Murray a lançar seu importante livro “O Culto de Bruxaria na Europa Ocidental” (‘The Witch-Cult in Western Europe’), em 1921. Nele Murray sustentava que a Bruxaria era uma antiquíssima religião organizada, presente em toda a Europa, baseada no culto a um deus chifrudo da fertilidade, que ela denominou de Dianus (ela falou mais sobre ele em seu livro ‘The God of the Witches’). De acordo com ela, essa religião havia sobrevivido à perseguição e continuava com suas práticas, de maneira oculta. Muitas críticas já foram feitas à Murray, e a maioria se baseou na fraqueza de alguns de seus argumentos para defender a suposta ‘organização’ dessa religião. Hoje sabemos que ela não era tão organizada nem praticada em tantos lugares quanto Murray sustentava, mas indubitavelmente existia um culto pagão, praticado de formas diferentes em lugares diferentes, que sobreviveu à perseguição. Em 1948 Robert Graves escreveu sua excelente obra ‘A Deusa Branca’ (‘The White Goddess’), no qual concordava com Murray quanto à existência de um culto pagão disseminado pela Europa, mas apoiava a tese de que sua divindade mais importante era uma Deusa-Mãe, e não o Deus de Chifres. Três anos depois, em 1951, caíram as últimas leis anti-feitiçaria da Inglaterra. A porta estava aberta para os bruxos.
Surge então Gerald Gardner, o mais importante personagem do renascimento da Bruxaria como religião. Gardner era um folclorista inglês, amigo pessoal do grande mago Aleister Crowley. Admirador de Frazer e Murray, realizava profundas pesquisas sobre os cultos de fertilidade pré- cristãos e sua sobrevivência. No decorrer destas pesquisas, em 1939, conheceu um grupo de pessoas que mais tarde descobriu fazerem parte de um Coven secreto (como o eram todos, na época). Gardner ficou fascinado: a existência destes bruxos confirmava as teses de Margaret Murray. Estabeleceu uma relação de amizade profunda com os membros deste Coven (denominado Coven de New Forest), e acabou por receber Iniciação.
O Coven de New Forest, dirigido por uma bruxa conhecida por ‘Old Dorothy’, era representante de uma tradição que havia sobrevivido às perseguições. Há quem insinue que Gardner inventou o Coven paradar bases à seu trabalho posterior, e que Old Dorothy nem ao menos existiu. Essas declarações foram refutadas com alegadas evidências históricas por Doreen Valiente, no ensaio “Em Busca de Old Dorothy”, publicado no livro “The Witches’ Way” (‘O Caminho dos Bruxos’), do casal Janet e Stewart Farrar. Com o passar do tempo, Gardner preocupou-se com o futuro da Tradição, pois todos os membros do Coven eram idosos, e não havia previsão de aceitar novos iniciados. Ele não aceitou esse destino, e pediu permissão para publicar algumas práticas da religião. Relutantes, os Sábios do Coven negaram. Mesmo assim, Gardner publicou, em 1948, “High Magic’s Aid”, um romance no qual descrevia, sutilmente, alguns rituais da Arte. A publicação do livro causou polêmica entre o Coven de New Forest, e Gardner quase foi banido. Mas, com a queda das leis anti-feitiçaria, os Sábios do Coven reviram sua posição e deram permissão a Gardner para afirmar que aBruxaria estava viva, desde que não revelasse nenhum segredo. Então, em 1954, Gerald Gardner publicou o primeiro livro da BruxariaModerna: “Witchcraft Today”, seguido de “The Meaning of Witchcraft” (1959). Neles, Gardner afirmava estarem certas as teorias de Murray, pois ele mesmo era um bruxo iniciado. Os livros falavam apenas superficialmente sobre a Tradição que lhe havia sido confiada, concentrando-se mais no aspecto histórico da religião.
Paralelamente à publicação dos livros, Gardner saiu do Coven de New Forest e iniciou seu próprio Coven, iniciando pessoas que lhe pareciam sinceras e dedicadas. A essas pessoas, transmitia integralmente o conteúdo de um manuscrito, por ele denominado de “Livro das Sombras”. Este livro continha integralmente a Tradição do Coven de New Forest, mesclada a práticas mágicas retiradas da Clavícula de Salomão e dos escritos de Crowley. Seu conteúdo, copiado por todo iniciado, passou a ser denominado de Tradição Gardneriana, a primeira Tradição da Bruxaria Moderna.
O ‘Livro das Sombras’ Gardneriano teve três versões, conhecidas pelas letras A, B e C. O texto que é utilizado atualmente pelos Covens Gardnerianos é o C, escrito por Gardner em conjunto com uma de suas iniciadas, Doreen Valiente, responsável por grandes mudanças no texto original. Valiente ‘paganizou’ ao máximo os ritos e textos, retirando qualquer influência de magia judaico-cristã ou textos escritos por Crowley. Atualmente, a Gardneriana é a mais sigilosa de todas as Tradições modernas.
Gardner morreu em 1964, e o comando de seus Covens foi passado à Monique Wilson, conhecida como Lady Olwen. Na década de 60, surgiu outro personagem importante na história moderna da Arte: Alex Sanders, que recebeu o título de “Rei dos Bruxos”. Sanders era um grande interessado em bruxaria, que nunca havia conseguido ingressar em um dos Covens Gardnerianos. De algum modo que até hoje não está bem esclarecido, conseguiu tomar posse de um ‘Livrodas Sombras’ Gardneriano. Uniu o conhecimento do livro (provavelmente cópia do texto A) ao que afirmava ter sido transmitido por sua avó, uma bruxa familiar. Sanders possuía um temperamento completamente antagônico ao de Gardner. Era um especialista em marketing pessoal, o que lhe deu extrema notoriedade. Milhares de pessoas foram iniciadas em seus Covens, e ele aparecia em entrevistas em TV, rádio e jornais. Era tão público que foi ameaçado de maldição por bruxos mais tradicionais, temendo que ele revelasse algum grande segredo da Arte. Mas isto nunca ocorreu: Sanders era um ‘show-man’, mas não era burro.
A Tradição Alexandriana, fundada por Alex Sanders, é muito semelhante à Gardneriana. Sua principal diferença é a maior ênfase mágico-cabalística, quase inexistente na Tradição de Gardner. Sanders morreu em 1988, mas sua Tradição é uma das mais difundidas no mundo. Existe também uma Tradição moderna denominadaAlexandriana-Gardneriana (Al-Gard), que tenta conciliar os ensinamentos de ambas, com a inclusão de novos elementos, em sua maioria de origem céltica. Os maiores representantes públicos atuaisda Al-Gard são Janet e Stewart Farrar, da Irlanda.
Nos EUA, o primeiro bruxo a se manifestar publicamente foi o anglo-gitano Raymond Buckland, iniciado por Gardner e Lady Olwen. Considerado pelo próprio Gardner um de seus herdeiros, Buckland migrou para os Estados Unidos logo após a morte do bruxo. Lá, ganhou notoriedade por seus livros sobre Ocultismo e por ser o fundador da Tradição Saxônica da Bruxaria, a Seax-Wica. Nos Estados Unidos, com raras exceções, a Arte ganhou um novo aspecto, inexistente na Bruxaria Européia: o aspecto político.
A Bruxaria uniu-se ao feminismo para gerar uma nova forma daReligião. Surgiram então Covens denominados “Diânicos” , formados só por bruxas. Algumas das representantes da Bruxaria feminista americana são Starwahk, Zsuzsana Budapest e Laurie Cabot. Com exceção da primeira, nenhuma delas é levada muito a sério pelos bruxos tradicionalistas europeus, que julgam-nas produtoras de distorções no verdadeiro espírito da Arte.

texto retirado:http://mortesubita.org/jack/paganismo/textos/a-historia-da-bruxaria-de-acordo-com-a-tradicao/view