quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Fatos sobre a Swástica

Desde que o ser humano aprendeu a observar o mundo a sua volta, ele começou a se aperceber de quão variados são os desenlaces do meio em que vive, e começou então a notar os pontos de similaridade que subsistem no mesmo. Desta forma, já os neandertais e cromagnons entenderam que a estrutura percebida no decorrer do tempo, se posicionava em repetições em maior ou menor escala, dos dramas terrestres e estelares com os quais lidava em seu dia a dia.

Viam estes povos anteriores ao homo sapiens, que da mesma forma que a lua cresce e míngua no céu, as mulheres passavam por ciclos similares e vinculados a mesma quantidade de tempo, e a terra somente gerava frutos segundo a estação do ano, com base na presença de umidade e sol na quantidade correta (nem mais nem menos), para gerar vida, tanto e da mesma forma como a geração de novos membros de cada tribo acabava por ocorrer.

O drama da primavera os levou a observar a verdadeira festa da natureza, onde as flores após uma estação inteira de frio interminável e pouca caça, desabrochavam em meio a um clima morno e amistoso, onde os animais em puro êxtase passavam pelos ciclos de acasalamento.

Depois seguia-se o verão e a luz, em oposição ao frio do inverno e sua neve, onde havia fartura de caça e tempo para festas e jogos.

A seguir eram brindados com uma estação onde os frutos em enorme quantidade lhes eram ofertados pela mãe natureza, e onde contemplavam a natureza tornando-se avermelhada preparando-se para o frio que viria (pois no norte do planeta, realmente a maioria das folhas dos vegetais muda de cor para o vermelho, no outono, antes de caírem).

E por fim vinha o inverno, onde por força de necessidade aprenderam a guardar alimentos e estocá-los da melhor forma que podiam, e a manterem-se reunidos para estarem protegidos do frio e dos predadores, que expostos a falta de caça, começavam a atacar os bandos de humanos desprotegidos ou fracos, como em verdade rege a lei natural do forte suplantando o fraco.

Nestes períodos de aconchego familiar, contavam histórias do passado, de seus heróis, dos feitos da tribo, e viam o sol chegar no ponto máximo de queda no horizonte, do dia 22 a 24 de Dezembro, em meio ao frio do hemisfério norte, para no dia 25 de dezembro erguer-se mais uma vez, para voltar a travar a batalha que os símbolos da tribo representavam, com histórias e mitos.

No período de 22 a 24 de Dezembro, o Sol entra na perfeita polarização com o cinturão de Orion, chamado no Brasil de 3 Marias e no restante do Mundo de “...Os Três Reis Magos...”, e então se alinham diretamente com SÍRIUS, a estrela que regula a órbita do sol, e grande astro celebrado por egípcios e sumérios (Sothis e Kaksisa).

A Swástica lida com a idéia de Fluxo, do decorrer do ano, das estações fluindo aumentando e minguando, e com o seu passar ocorrendo ao mesmo tempo em que o aprendizado sobre a vida e seus estatutos simbólicos eram aprendidos por todos na tribo, sobre tudo pelos mais sensíveis a observação destes estatutos, aqueles que foram depois taxados com o título de Xamãs.

Ela lida com o decorrer do tempo, e ao mesmo tempo que a sociedade humana foi se desenvolvendo, o entendimento dos fluxos das estações e da vida, que são plenamente observáveis nela acabaram por sofrer complementos, ao mesmo tempo em que o conhecimento do universo e do mundo acabava por se expandir.

Assim na Mesopotâmia e no Egito, o conhecimento a cerca das estações e o desenvolvimento da astronomia e da matemática, levou ao entendimento do diâmetro da terra via o cálculo do que depois foi chamado de Número “...PI...”, que inclusive foi usado para a construção tanto dos Zigurates sumérios quando das Pirâmides do Egito (sobretudo das maiores e mais antigas).

Disto e do estudo das estações e da rotação estelar, acabou sendo gerado o entendimento a cerca do giro da terra e do tempo que o mesmo levava, assim como dos tempos do calendário Venusiano e Lunar, e por fim do calendário Solar.

Deste conhecimento evoluiu o cálculo do tempo em que o sol levaria para dar uma volta em torno do Astro que regula sua própria órbita (Vega contrabalanceada por Sírius), e notou-se que se a órbita anual solar da Terra é no sentido de Leste para Sul, contrário se dá com a órbita e com o decorrer do grande ano estelar.

A Swástica que representa o movimento horário e solar indica fluxo e giro para a direita, quando vista de frente, assim como aquela que determina o giro do grande ano estelar, perfaz seu movimento para o sentido anti-horário.

Mas a coisa não parou apenas nisto, pois uma vez que o estudo das constelações veio a nascer, a observações do giro horário e anti-horário também teve seu ponto de contato ali, uma vez que ambos os giros levam em consideração 12 constelações que são usadas na astrologia (tanto a de características gregas quanto a de características hindus e Tibetanas – ambas tendo sua origem nos trabalhos sumérios e egípcios).

As pontas básicas da Swástica, vinculadas aos signos que estavam vinculados ao ponto onde ocorria o ápice de poder de cada estação do ano, vieram a ser vinculados com as Constelações ligadas justamente aos períodos do ano que estavam mais afetados por cada uma das estações.

Assim Aquários veio a estar ligado ao Ar, por conta dos ventos frios do inverno no norte do planeta, e Leão ao Fogo pela plenitude do Verão que ocorre na metade Agosto, no hemisfério norte.

Touro eclode juntamente com o ápice da Primavera, e lida com a potência do macho ativada pelos ciclos e cio da fêmea, nesta estação.

E escorpião lida com o período de plenitude do Outono, quando então a natureza fica avermelhada como o Coração Vermelho da Constelação de Escorpião, ou seja Antares sua estrela alpha.

Os demais Oito Signos estão presentes na equação representativa da Swástica, como parte do sistema de fluxo durante o giro da Swástica de uma estação a Outra.

O que nos leva aos princípios do Kalachacra, a roda do Tempo do deus tibetano Mahakal (Shankara para os Hindus), pois o tempo tudo devora, e somente o que é imperecível devora o tempo.

Justamente esta estropia presente no fluxo do tempo, no decorrer das estações, implica no giro da Swástica para o Bonpo (o sistema de shamanismo que havia no Tibete antes do budismo, e que não podendo ser sobrepujado pelo mesmo, foi absorvido e mantido como uma forma de Budismo com todas as suas tradições preservadas nele).

No Bonpo, a Yungdrung (swástica) é o próprio Mahakal e o Kalachacra em si mesma.

É vista por esta característica marcante ligada ao tempo, como sendo o Sol muitas vezes, o que é interessante no caso Eslavo, Hindu e Nórdico pois nestes países Sunen, Suria e Sowelo são os nomes das Deusas que representam o sol nas tradições originais destas regiões, e no caso nórdico o símbolo de Sowelo ou Siegil, é a Runal Sig, que é uma construção simples da Swástica expressando o seu giro.

Este é o motivo real para que o nome “...Swástica...” signifique em sânscrito :

“...Sw - bom ou bondade; Asti – que virá a ser; Ka – sufixo. E sua combinação implica simplesmente bondade que virá ou será colhida...”

Disto provém o contexto da Swástica coligada a Lua, pois da mesma forma que a mulher da a vida, e sempre foi vista em muitas culturas como uma expressão desta (apesar de o caso nórdico, sumério e eslavo apontarem os deuses lunares como masculinos, mas tendo elementos vinculados aos princípios femininos em vários de seus elementos de representatividade), como é o caso de Urd, Skuld e Verdank (passado, futuro e presente), que são as Nornes, ou Nwarns, responsáveis por tecer o destino dos homens (tais e quais as Parcas gregas ou as Iabas da tradição ioruba africana).

A face sem luz do sol, ou face sombrio era identificada com a fúria feminina, e com os atos de desfecho funesto ou punitivo, como podemos notar na representação da Morrigan ou Morgana dos celtas, ou na Deusa Freia ou na deusa Skhad dos Nórdicos.

Glossário de Stregheria


Um Glossário contendo alguns termos e jargões utilizados dentro do universo da Bruxaria Tradicional Italiana. Alguns dos termos são específico de uma dada tradição ou de certas tradições, já outros podem ser aplicados a todas. Misturam-se aqui influências das culturas etrusca, romana e grega, bem como da Língua Italiana oficial e dos mais variados dialetos falados na península.

Animulare: As Streghe da Sicília. Seita das Bruxas Sicilianas, que clamam o poder da Transfiguração e estão estreitamente ligadas ao Culto dos Mortos.

Asteris: Nome utilizado em alguns Clãs Stregonesci para designar o Reino dos Deuses que se situa entre as estrelas. Termo de origem Etrusca. Na antiga religião etrusca este Reino era envolto em Brumas, e os Deuses das Brumas eram os antecessores dos Deuses da Terra.
Bele Butele: As Streghe do Veneto Ocidental.

Benandanti: 'Bruxos' que usa(va)m seus poderes para o bem e harmonia. Linhagem de bruxos que luta(va)m contra os malandanti. Conhecidos por usar varas mágicas feitas do galho da erva-doce para atrair os bons augúrios e combater o 'mal'.

Boschetto: Termo que indica um grupo de bruxos que realizam suas práticas juntos. Palavra derivada de bosco (bosque), local tradicional de encontro de bruxos. Semelhante ao coven wiccano. Congrega.
Capinera: O Homem de Negro. Emissário da Velha Religião. Nas épocas da perseguição ele era o mensageiro dos Sacerdotes, enviado aos camponeses para assegurar a sobrevivência dos antigos cultos. O Homem de Negro ou Capinera inspecionava os vilarejos e observava indivíduos que procuravam a solidão dos bosques ou lugares isolados. Geralmente, essas pessoas só eram abordadas se o seu comportamento sugerisse um interesse em crenças populares ou se parecessem proscritos da cidade ou vilarejo. Às vezes um Boschetto era no início organizado e conduzido pelo Capinera. É interessante notar que a figura do Capinera é encontrada não somente na Bruxaria Italiana, mas em toda a Europa, onde era conhecido normalmente como o Homem de Negro ou o “Diabo”. A maioria dos relatos da Inquisição apontam para ele, que aparecia para as Bruxas para lhes “converter” ao Culto da Bruxa. O Capinera ou o Corvo é o Mensageiro do Clã, responsável pela comunicação entre os Boschetti que fazem parte do mesmo Clã, e como Mensageiro do Clã, é o Acólito e “braço direito” do Grimas.

Chama Espiritual: Chama Ritual que é acesa no Altar, produzida por algum líquido alcoólico, que simboliza o Poder da Bruxaria e a Presença dos Espíritos dos Velhos Caminhos.

Cimaruta: Termo que significa ramo de arruda. Amuleto, normalmente feito em prata (metal relacionado à Lua), símbolo da Vecchia Religione. O símbolo é composto por um ramo de arruda (erva sagrada da Bruxaria Italiana), onde estão dispostos uma flor de verbena com cinco pétalas, um peixe, uma lua com uma serpente e uma chave. A flor de verbena representa a proteção, o peixe representa prosperidade e sorte, a lua com a serpente representa os poderes ocultos e psíquicos e a chave representa o conhecimento dos Mistérios.

Clã: 1 - Boschetti e Bruxos ligados entre si por um 'Boschetto Principal' ou por um Grimas fundador. 2 - Tradição da Stregoneria. Existem diversos Clãs na Stregoneria, tais como: o Clã Nemorensino, o Clã Tanarrico, o Clã Fanarrico, o Clã Janarrico, a Tradição Aridiana, a Tradição Ariciana, o Clã Napolitano, as Streghe de Benevento (Janare), a Tradição Hereditária Siciliana (Animulare), Clã Bazure, etc...

Clã Nemorensino: Clã de Stregoneria formado a partir da união de dois Stregoni de diferentes Clãs do Norte da Itália, que unindo seus conhecimentos, fundaram o Clã Nemorensino da Bruxaria Italiana. O nome refere-se a herança que os dois Clãs que fundaram este último detém dos Mistérios ensinados na região do Lago Nemi. No Clã Nemorensino os Ensinamentos e Treinamentos são secretos, e a pessoa somente se torna membro efetivo após sua Iniciação formal em um Boschetto, assim sendo, não há auto-iniciações no mesmo. Não confundir com suposta 'Tradição' brasileira neo-wiccana de nome similar.

Congrega: Grupo de bruxos que se reúne para celebrar os ritos sagrados. Congregação de bruxos. Boschetto. O termo Congrega é mais Tradicional entre os Clãs de Streghe e mais utilizado, ao invés de Boschetto que, ao que parece, não é muito comum na maioria dos Clãs.

Corvo: Mensageiro. Bruxo ou bruxa que desempenha o papel de mensageiro entre os membros da congrega. Capinera.

Encapuzado, O: Um dos três aspectos do Grande Deus. Senhor dos Bosques, Guardião das Florestas e Protetor dos Mistérios da Deusa. Ele é coberto de folhas, é o Deus das Matas. Equivalente Streghe ao celta Greenman. Rex Nemorensis.

Familiar: Animal Totêmico. Espírito Familiar. É o termo usado normalmente para o espírito do reino animal que acompanha a Bruxa, auxiliando-a em seus Ritos e Magias. Pode também ser um animal físico de um Bruxo ou Bruxa. É o animal que acompanha e serve de guia aos Bruxos nos Outros Planos, e também pode ser usado como auxiliador em oráculos.

Fata:
 Uma Raça de Espíritos da Natureza, ligadas aos riachos e bosques.
Fauni: Uma Raça de Espíritos da Natureza regentes das Florestas, Bosques e Campos.

F
esta dell'Acqua: Festa da Água. Um dos nomes utilizados pelas Streghe para o Ritual de Lua Cheia. Veglione. Esbá.

Festa dello Fuoco: Festa do Fogo. Um dos nomes utilizados pelas Streghe para designar um Ritual de Sabbath, de Treguenda. Feste dello Fuoco (pl).

Follettino Rosso: Um tipo de Folletto, conhecido como 'Duende Vermelho', que habita a Pedra Redonda Sagrada e também a Pedra Furada das Streghe e serve-lhes de Espírito Elemental Familiar.

Folletti: 
Raça mais comum de Espíritos da Natureza. São os Elfos e Gnomos que regem os mais variados reinos naturais. Folletti é o Termo usado tanto para o plural como também para designar um desses espíritos femininos. O Masculino singular é Folletto.

Genio: Termo genérico geralmente usado para designar certos seres ligados às forças da natureza. Espírito ou deidade ligada a determinada espécie de planta ou animal ou a um lugar (genius loci).

Gettatura: Do verbo gettare (jettare). O mesmo que jettatura.

Gli Spiriti: Os Espíritos do Velho Caminho.

Grimas: Um ancião de uma tradição. Strega ou stregone que detém uma longa jornada nos Caminhos. Fundador de um clã.

Grigori: Guardiães dos portais entre os mundos dos homens e dos Deuses. Seres de altíssimo poder, relacionados às estrelas e aos elementos da natureza. Semideuses que testemunham, protegem e auxiliam as praticas ritualísticas.

Involutti: Os Deuses da Bruma. Os Involutti são de origem etrusca, são os Deuses por tras dos Deuses. Muitas vezes chamados de "A Bruma", são a força criadora do Universo, a Trancendência; Aqueles que criaram mas nunca foram criados, pois são pré-existentes. Se manifestam na Terra como os aspectos de Diana e Lucifero. A seguinte passagem do Vangelo de Leland se refere aos Involutti: "Então Diana dirigiu-se aos Pais do Princípio, às Mães, aos Espíritos que existiam antes do primeiro espírito". Dentro da "classificação" dos Involutti estão também os Grigori e muitos daqueles conhecidos como "Espíritos dos Velhos Caminhos".

Janare: Bruxa, Strega no dialeto da Campânia. Janarra ou Dianarra; Bruxas da região de Benevento. Seu culto está centrado nos Mistérios Lunares e, antigamente elas realizavam seus Rituais em volta da famosa "Nogueira de Benevento".

Jettatura:
  Do verbo jettare. Mau-olhado. Maldição ou magia lançada pelos olhos. Ocorre que na Língua Italiana moderna o j foi abolido do alfabeto e substituído pelo g, mas as duas formas ainda podem ser encontradas.

Larario: Santuário dos Ancestrais. Pequeno altar colocado no lado Oeste da casa, onde se prestam os devidos cultos e oferendas aos Lare e às Lasa, os Espíritos Ancestrais. Alguns Clãs da Stregoneria também mantém uma chama perpétua no Larario em honra a Deusa Vesta, senhora do fogo purificador e dos Lare; Vesta também é conhecida como Acca Larentia ou pelo nome etrusco Larunda pelas Streghe.

Lare: Espírito ancestral que protege as casas e famílias. Antepassados consangüíneos. O Termo Lare indica os Ancestrais como um todo, ao tempo que um Ancestral em particular é designado pelo termo Mane.

Lasa: Espíritos ancestrais das Tradições. Bruxos e bruxas que partiram para o Outro Mundo. Os Poderosos da Bruxaria. Termo intimamente ligado às Fadas.

La Vecchia:
 Literalmente, A Velha, ou seja, A Velha Religião. Maneira carinhosa de se referir à Stregoneria.

Malandanti: Bruxas e bruxos que usa(va)m seus poderes para causar o mal e a destruição.

Malocchio: 
Mau-olhado, olho gordo, inveja, maldição.

Mane: Os Ancestrais. Enquanto o termo Lare é usado para designar os ancestrais coletivamente, Mane é o termo que refere-se a um ancestral em particular.

Masche: As Bruxas das regiões do Piemonte, Ligúria e Lombardia.

Numen: É a força que vive nas coisas. O Poder de um objeto é o Poder se seu Numen. É o 'espírito' que há nos objetos.

Pallas: Termo utilizado em alguns Clãs de Stregoneria para designar a reunião e Ritual de Lua Cheia. Veglione. Tregua.

Pedra Furada: Importante objeto mágico-religioso da Stregoneria. Uma Pedra Furada naturalmente é considerado um grande presente de Diana, e seu portador é agraciado com poderes e a bênção da Rainha das Bruxas e Fadas.

Rei dos Bosques (Rex Nemorensis): 1 - Nome que era dado ao Guardião do Templo de Diana em Nemi. 2 - Um termo que se utiliza para o aspecto Encapuzado do Grande Deus. 3 - Título dado ao Alto Sacerdote de um Boschetto do Clã Nemorensino da Stregoneria.

Reino de Luna: Mundo Além. Local onde as almas vão após a morte. Pós Morte.

Sabba: Diferentemente do significado que a palavra tem na Bruxaria Moderna, não se refere a um dia ou a uma celebração, mas a um lugar de poder.

Senhora do Lago: Também Dama do Lago. Título dado à Alta Sacerdotisa de um Boschetto do Clã Nemorensino da Bruxaria. Refere-se a uma Grã-Sacerdotisa do Lago Nemi, sagrado à Diana. A Alta Sacerdotisa também é chamada de Senhora ou Dama.

Strega: Bruxa, literalmente.

Streganera: 
palavra formada pela junção de strega +nera, ou seja, bruxa negra, bruxa má. Aquela que se dedica às forças das trevas, que destrói e amaldiçoa.

Streghe:
 Plural de strega.

 Stregheria: Literalmente, Bruxaria. Deriva de strega. A rigor, Stregheria e Stregoneria são palavras equivalentes, embora as evidências lingüísticas apontem para o aspecto predominantemente feminino da primeira e masculino da segunda. Algumas tradições adotam o termo Stregheria para designar a si mesmas, outras Stregoneria e isso pode variar também conforme a região de origem.

Stregone: Bruxo, literalmente.
Stregoneria: Literalmente, Bruxaria, só que deriva de stregone. Ver Stregheria.
Stregoni: Plural de stregone.

 Treguenda: Sabbath das Bruxas. Tregenda. Ritual Sazonal. Uma das oito cerimônias que compõe o calendário. Similar ao 'sabá' wiccano.

Tregua: Reunião de bruxas e bruxos. O termo significa "descanso", e é a raiz da palavra Treguenda.

Vangelo delle Streghe: Evangelho das Bruxas. Texto onde é narrada a história da Strega Sagrada e seus Ensinamentos, assim como as Peregrinações que é a história dos discípulos de Aradia após seu desaparecimento. Atribui-se esses textos a Teresa, uma das discípulas de Aradia, a qual viveu uma época na casa de nobres; enquanto há aqueles que digam que a prória Aradia tenha escrito treze Pergaminhos contendo seus ensinamentos sagrados, os quais foram chamados de Evangelho de Diana. Há também uma versão chamada Aradia, O Evangelho das Bruxas escrita por Charles G. Leland e publicada em 1899, onde há fragmentos da Stregheria mesclados com elementos cristãos e do folclore popular. Acredita-se que o famoso e importante livro de Leland seja um resquício dos Pergaminhos que Aradia e seus seguidores escreveram.

Veglia: Significa sarau, vigília. Utilizado na B.I. como uma lenda ou história oral contada durante um ritual ou reunião.

Veglione: Ritual de Lua Cheia. Vigília da Lua Cheia.

 Verbena: Erva aromática sagrada na Stregheria. Erva das Oferendas, sagrada à Diana.

 Volontà: Literalmente, vontade, mas neste contexto é usada como substantivo concreto e não abstrato como no Português. É algo mensurável, e possui a conotação de 'energia' ou poder canalizado para um fim.

Guia Astrológico da Sedução

COMO CONQUISTAR UM HOMEM DE ARIES

NÃO DÊ MOLE. Neguinho não aguenta mulher sempre chorando e correndo atrás, ele quer coisas difíceis. Então deite e role: passe na frente da casa dele com o seu (dele, lógico) melhor amigo; nunca se lembre do dia dos namorados, do seu aniversário e de outras bobagens; no fim de semana suma e nem telefone (mas apareça nos lugares que ele frequenta na maior cara de pau, assim como quem não quer nada e diga: você aqui?!); de vez em quando, na hora H, troque o nome dele e, quando "tiver" que sair com ele boceje algumas vêzes, mas assim que chegar na festa descubra a Ginger Rogers que existe em você, dançando com todos que puder e sempre lhe dizendo que nada como a independência de cada um para manter o relacionamento perfeito! E lembrando sempre que "os brutos também amam", saiba que em todo ariano existe uma alma romântica e sensível. Portanto, surprenda-o com uma canção ou poesia feita só para ele, e peça para o maestro ou dj mais próximo tocar "a música de vocês". Ele não vai entender nada, mas vai adorar!!! Boa sorte!
Homens de Áries: Marlon Brando, Alec Baldwin, Roberto Carlos, Antonio Fagundes, Warren Beatty, Cazuza, Paul Newman, Jorge Ben, Edmundo, Jean-Paul Belmondo, Maurício Mattar e o seu bofe.

COMO CONQUISTAR UM HOMEM DE TOURO

Se você está pensando em seguir carreira de top-model e acredita mais na anorexia do que na providência divina, desista. Aqui estamos no reino da sensualidade e da abundância, daí que mulher para ele fica algo assim entre a Sharon Stone e a Nana Caymmi.  Sem carnes mesmo só o menu de certos taurinos mais chegados a uma dieta vegetariana ou defensores dos direitos dos animais. Conquistar um taurino, graças a deus, não requer escalar montanhas no Tibet nem lutar pela paz no Oriente Médio, e não é das coisas mais difíceis. Na realidade são cinco os caminhos que levam ao seu coração : visão - fique o mais linda possível! olfato - não esqueça do perfume! paladar - se não sabe cozinhar, ligue para um bom restaurante! audição - som na caixa, música de primeira! ...e tato - massageie o pescoço taurino, e vez em quando, use meias de seda... Mestre no antes, no agora e depois, tem paciência infinita para fazer você descobrir toda a felicidade de ser mulher. Mas claro que como qualquer mortal tem lá as suas complicações quando por exemplo a paciência se transforma em...teimosia, ou quando a barriga ronca deixando que a suavidade e a doçura entornem num intransponível mau humor, ou ainda, naquelas vêzes em que a possessividade e o ciúme o enlouquecem tratando você como um mero objeto...do seu desejo. Portanto, conselho de amiga: geladeira cheia e muita paciência!!! para aguentar esse bom (e bota bom e gostoso nisso!) filho de Afrodite. Depois você me conta se não valeu a pena, santa!

Homens de Touro: George Clooney, Fred Astaire, Harrison Ford, Mike Tyson, Anthony Quinn, Joe Cocker, Rodolfo Valentino, Carlos Lyra, e o Al Paccino...no papel de Michael no Poderoso Chefão.

COMO CONQUISTAR UM HOMEM DE GÊMEOS

Perfeito para quem tá a fim de uma coisa assim meio passageira, relacionamento nada conclusivo e de jeito maneira, monógamo. Bom prá umas voltas de bicicleta nas imediações, um suco de laranja e um bom papo no bar, praia ou padaria (conforme o lugar desse Brasil),e deu. Quer dizer, talvez nem isso. Mas é ótimo também para aqueles casos tipo namoro a tres ou a quatro, sem preconceitos quanto a sexo, gênero, chapa ou código de barra. O geminiano é super cabeçaberta, pronto prá qualquer novidade, numa boa! É o único signo que jamais vai fazer fiasco se souber que foi traído, até porque essa palavra não existe no seu dicionário. Ou em outras palavras, não se espante mas você poderá ser a terceira ou a sétima namorada dele na ocasião. Ele muitaz vêzes se parecerá com aquele irmão ou melhor amigo que toda mulher desejaria ter, o único capaz de passar a tarde com você escolhendo modelitos sem reclamar. Melhor : atento a tudo e até à moda, saberá exatamente quais as tendências do momento, dará palpites sobre o que lh convém, não tendo problema algum até em lhe acompanhar àquela festa a fantasia no reduto gay (sem encher o saco e achando tudo muito divertido). Entenderá de homeopatia a conserto de máquina de lavar, passando por treinamentos de gatos, política do Oriente Médio e comida tailandesa. Mas, como nada é perfeito, saiba que ele dura pouco, mas ficará para sempre no seu coração...como um de seus melhores amigos!

Homens de Gêmeos: Chico Buarque, Paul MacCartney, Fernando Pessoa, Millor, Bob Dylan , Sidney Magall, Errol Flynn, Cole Porter ,Walt Whitman, e ...o seu melhor amigo.

COMO CONQUISTAR UM HOMEM DE CÂNCER

Aqui tem que meter a mãe no meio, quer dizer, tem que considerar a possibilidade da dita senhora estar sempre metendo nariz, opinião e sei lá mais o quê no namoro, pois sem ela o seu canceriano não vive. Você no mínimo, tem que ser uma mãe prá ele, é mole? se não, nem pensar.Ele é super maternal, caseiro e...enrolado.  Nesse caso o noivado (eu falei NOIVADO) tem que durar OITO ANOS, fora a prorrogação. Mas o hôme compensa. Estatística e astrologicamente falando ele é o Máximo!!! Superromântico, dez na cozinha, lava, passa, prega botão, faz o super e troca as fraldas da gurizada, e ainda tem uma palavra de compreensão e/ou um abraço amigo prá quando você chega estressada do trabalho, excomungando com o patrão. Também o canceriano é um filho da Lua! Sim, esse é o seu "planeta" regente, e a Lua, como todo mundo sabe, representa o nosso lado feminino. Então, como um caso raro hoje em dia, ele assume o seu lado feminino SEM SER VEADO!!! Inacreditável, veja você! Outra coisa que é bom salientar: ele não pega uma night, não é chegado a vida noturna e essas coisas do demo. Tradicional, o negócio dele é ficar no aconchego do sofá, ligando prá mamãe(dele) a cada meia hora. Prá quem gosta...

Homens da Câncer: Gilberto Gil, Ringo Starr, Henrique VIII, Lennie Dale, Júlio César, Ronnie Von, Jean Cocteau, Yul Brynner, Marcel Proust, Alceu Valença, John D.Rockefeller, Tom Hanks, e...o seu noivo.

COMO CONQUISTAR UM HOMEM DE LEÃO

Se ele notar que você também existe e é filha de Deus (Dionisius, off course), já é um grande passo. Totalmente centrado e até um tanto egocêntrico, mas vai reclamar o quê? o homem sozinho vale uma festa...ou um circo! Teatral até as últimas consequências, você muitas vêzes terá a ligeira impressão que está contracenando firme com Marlon Brando logo no seu café da manhã. Temperamental, ele jogará a capa sobre os ombros (ou o casaco, não importa, o que importa é o efeito cênico),e sairá de cena, tal qual uma rainha afrontada, só porque você não lhe emprestou o Segundo Caderno. Aliás, você talvez nem tenha notado que era o que ele queria às sete da manhã. Mas não esquente, à noite, quando se reencontrarem ele nem se lembrará do episódio. E esse é o lado positivo de Leão : ele jamais fará pacto com o baixo-astral, com a tristeza ou coisas no gênero. Ele tem o dom de espalhar a alegria por onde passa. Alegria só não, também espalha luz, brilho e esplendor, este último capaz de matar de inveja a Mangueira em sua aoteose...Seja digna, o que tiver que dizer, diga-lhe olhando-o bem firme nos olhos, aja como uma rainha, suba nos tamancos e mostre importância. Solte a Madonna ou a Jackie Kennedy (às vêzes a Tiazinha) que existe em você (todas leoninas, graças a deus) e divirta-se! Ah, e aproveite-o para a decoração de festas infantis, Natal e o que mais imaginar (ele adora!).E, em casos de surtos de realeza, mostre-se bem impressionada, procurando entremear o seu discurso com ahs e ohs de espanto e admiração, e quando nem ele se aguentar com os seus exageros, caia no riso na cara dele, e descubra o bom caráter que ele é.

Homens de Leão: Antonio Banderas, Robert Redford, Caetano Veloso, Mick Jaegger, Alfred Hitchcock, Dustin Hoffman, Leonardo Villar, Jardel Filho, José Wilker, Fidel Castro, Bill Clinton, Osmar Prado, Carl Jung, Jorge Amado, e, em todos os sentidos...Napoleão, é claro.

COMO CONQUISTAR UM HOMEM DE VIRGEM

Que de virgem não tem nada, só a cara. É justamente o tipo de homem que parece que não tá com nada, que é meio desligado, coisa e tal, mas NÃO VÁ NESSA! É o que encabeça a lista dos "come quietos" do zodíaco.Com carinha de santo, todo limpinho, com a camisa abotoada até o último botão, com os carnês e a contabilidade em dia, parece que não vai render. Pura bobagem. Na hora do rala e rola não parece mas é... o cara mais incrível, o que fica até tarde no bem bom, e como é detalhista, jamais vai esquecer de lhe dar prazer, centímetro a centímetro, ou gemido a gemido. Também entende prá caramba de comida natural, homeopatia, ecologia e coisas no gênero. Claro, ele tem os seus exageros, por exemplo: acenda seu cigarro perto dele e aguarde... vai ouvir o que quer e o que não quer, e o pior...acabar vendo que ele está certo, totalmente certo. Ele é o tipo de homem que vai lhe deixar mais magra, mais saudável e com os armários arrumados. Mas confesso que lhe falta um pouco de romantismo, de "deixar prá lá"..., de um ouco de desorganisação e até de loucura. Nem pensar naquela trepada calorosa no chão da cozinha(até porque é muito frio, lembrará ele muito objetivamente).Chegado aos pequenos rituais diários é o homem perfeito para lhe surpreender com aquela massagem oriental e terapêutica nos pés, no fim do dia, além do suquinho de cenoura que vai deixar a sua pele linda. Enquanto é claro, lhe pergunta (e, lhe ouve, pode acreditar) sobre como foi o seu dia e o que poderá fazer para facilitar a sua vida amanhã. Perfeito? realmente. Mas se você for uma mulher normal, achará que com certeza tem algo errado. E, se tudo correr conforme as expectativas, em duas semanas acabou o namoro. Ora, desde quando amor é prá dar certo?

Homens de Virgem: D.H.Lawrence, Sean Connery, Raul Cortez, Geraldo Vandré, Walmor Chagas, Tony Ramos, Peter Sellers, Goethe, Nelson Xavier, Gene Kelly,e o seu ex.

COMO CONQUISTAR UM HOMEM DE LIBRA

Seja romântica até o último fio de cabelo, encha a casa de flores, ponha o Tim Maia na vitrola e faça de sua vida uma eterna Primavera. Não role o barraco, mas não seja insensível. Nunca esqueça dos famintos sobre a Terra e esteja sempre bem informada sobre os rumos da (socorro!) política do país. Ele é não é o Zorro, mas é um justiceiro (não o mascarado, infelizmente), um homem que sempre lhe mostrará o lado mais equilibrado em cada situação da vida. Abrirá a boca no seu devido tempo, mas lhe deixará espaço para falar, expor e defender seus pontos de vista, e até dará força, pois adora essa tal de igualdade feminina. E é aí que mora o perigo, pois EM TESE ele será totalmente a favor, mas na hora de pegar na vassoura ou ir dar uma olhadinha nas crianças, linda, ó! você vai ver o seu lindo libriano bem do seu, refestelado no sofá lendo o seu livro preferido, que claro, será "A Opressão Secular da Mulher e a Libertação do Trabalho Escravo Feminino". Então nem esquente, esse será ótimo para namorar, curtir e dar longas (ah, não muito...)caminhadas pelo mundo no maior papo. Bonito como ele só, é mais para ser visto, ouvido e cheirado do que levado muito a sério. Apaixonado pelo amor e por isso acreditando que você é a mulher da vida dele, bastará você acabar o namoro para perceber que ele estará se declarando ardorosa e apaixonadamente pela próxima, e pela próxima, e pela próxima. Mas, curta as flores que ele vai lhe trazer(como nenhum outro), os deliciosos passeios à tardinha e os românticos amassos na frente da lareira durante o inverno. Nada como um libriano para fazer a gente viver o mais romântico sonho de amor que já aconteceu na face da Terra.

Homens de Libra: Franz Liszt, Tchaikovsky, Marcello Mastroianni, John Lennon, Christofer Lambert, Guga, Tim Maia, Vinicius de Moraes, Daniel Filho, Claudio Marzo, Tchê Guevara, Terence Stamp, Nuno Leal Maia, Lobão, Charlton Heston, e...o seu grande amor.

COMO CONQUISTAR UM HOMEM DE ESCORPIÃO

Esqueça o Tim Maia do signo anterior e radicalize: vá de tango, Bolero de Ravel ou Carmen, a ópera. Acenda o abajur lilás, prepare a tequila, coloque aquele vestido vermelho, o salto 7 e mande ver. Ele é a tentação em pessoa, tudo o que você pediu a Deus e quem a mamãe mandou você evitar. Portanto, se gosta de emoções fortes, minha amiga, estás bem servida. Sexy e provocador, até as últimas consequências, é daqueles que te vira do avesso e perdão pelo clichê, "te despe com o olhar". Tem parte com o dêmo, parentesco com o Drácula e um jeito de lobisomem na lua cheia. E prá completar é possessivo, obsessivo e ciumento. E às vêzes, meio demente. Mas...só coisa boa? perguntará a não muito indefesa interessada. Bem, digamos que entre os seus piores defeitos, encontram-se as suas melhores qualidades. Por exemplo, naquela sua eterna atração pelas camadas mais profundas e pelos mistérios da alma humana, poderá fazê-la perder medos, inseguranças e um bocado de inibição...Intenso e profundo, num eterno flerte com o perigo; às vêzes mudo e quase invisível, a gente não sabe o que é pior...Tente não perder o controle e pense no que você economiza em montanha-russa, rafting nas corredeiras ou psiquiatra. Você não vai se arrepender!...

Homens de Escorpião: Burt Lancaster, Pablo Picasso, Alain Delon, Pelé, Fábio Júnior, Bill Gates, Darcy Ribeiro, Richard Dreyfuss, Milton Nascimento, Príncipe Charles, Paulinho da Viola, Belchior, Roberto de Carvalho e...aquele pedaço de mau caminho que você conhece.

COMO CONQUISTAR UM HOMEM DE SAGITÁRIO

Provavelmente você o conhecerá em Florianópolis, num luau de surfistas-ecologistas, num cruzeiro às ilhas Tai-tai, ou em um seminário sobre política e preservação ambiental, superentusiasmado e empolgando todo mundo, inclusive você, com as suas idéias um tanto arrazoadas, mas sempre geniais. Parceiro e amigo prás horas boas e más, quase sempre de bom humor, parecerá a resposta às suas preces, seu pedido a Papai Noel e a certeza de que Deus existe...Vai te fazer poesia, comida tailandesa, te ligar cinco vêzes por dia, brigar com os teus inimigos e ler para que possas dormir...enquanto durar a sua lua de mel, ou seja, nas duas primeiras semanas de namoro. Até que...esquecerá um encontro ou... desmarcará aquela viagem. Nesse meio tempo você poderá ficar sabendo daquelas seis mulheres e cinco filhos em sua vida. Ou porque Hera vivia às turras com Zeus no Olimpo, descarregando raios e trovões aqui na Terra a cada pulada de cerca do seu consorte. Perdoá-lo é o de menos, até porque ele não vai mentir e jamais negará tudo. E é aí que mora o perigo, pois nesse momento, sem querer você passa a fazer parte daquele clube não tão fechado das suas ex, sempre super amigas, quase irmãs e prontas para um reinício...ou para uma eterna camaradagem. Quer um conselho? tente não se estressar porque realmente não vale a pena. Divirta-se enquanto puder e aproveite o affair para conhecer lugares novos, povos exóticos, aprender quem sabe um pouco de sânscrito, muito de filosofia e para dar boas risadas. Só uma coisinha...jamais compre armas de fogo e esconda a porcelana!!!

Homens de Sagitário: Frank Sinatra, Woody Allen, Francisco Cuoco, Bruce Lee, Billy the Kid, Jim Morrison, Maradona, Keith Richards, Kirk Douglas, Jimi Hendrix, e...o seu companheiro de viagem.

COMO CONQUISTAR UM HOMEM DE CAPRICÓRNIO

O charme às avessas, o homem mau, o bandido que te olha atravessado, o antipático que você jura que JAMAIS!!!(pela manhã, felizmente),e que nas primeiras horas da tarde já está gamadinha da silva, totalmente perdida e siderada. O que ele fez? NADA, só te olhou. Avaliou. E decidiu. Que valia a pena. Bem assim. Sozinho. E sem te consultar. Apenas decidiu. E te comunicou que estava a fim. Mas só até as três da tarde, quando ele terá que voltar para o trabalho, para casa, ou seja lá para quê (nunca para alguém, fique tranquila). Mas até lá, minha amiga, você com certeza conhecerá o significado de PARAÍSO NA TERRA...Apenas na hora em que ele tiver que ir, por favor, não faça drama, não entre em crise, não dê vexame. Ou pelo menos não espere que ele vá se comover. Ele é frio, mas é sincero. E se você lembrar bem, ele falou exatamente às três e não lhe prometeu tules cor de rosa, poesia e violinos. E você? não tem nada para fazer? vai ficar aí parada? Não com um homem de Capricórnio. Contenha-se, e lembre-se que quando ele reaparecer novamente vai ser inesquecível. Quer agradá-lo? trabalhe, trabalhe e comente com ele toda a empolgação com a sua vida profissional. Ele certamente entenderá que você (também) antes de mais nada está casada com a sua carreira, com as suas pesquisas ou com os seus estudos. E dará a maior força. E se for para vocês ficarem juntos, saiba que ele será o companheiro constante que saberá proporcionar-lhe o silêncio necessário para sua cabeça pensar, com a certeza de que ele estará sempre ali, pronto para de vez em quando botar prá quebrar numa transa sexual daquelas de ficar na história. Mas por enquanto, comporte-se...

Homens de Capricórnio: Humphrey Bogart, Henry Miller, Elvis Presley, Eddy Murphi, Casé, Luis Melodia, David Bowie, Jorge Mautner, Jimmy Page, Gerard Depardieu,e...aquele homem se fazendo de difícil ali na sua frente.

COMO CONQUISTAR UM HOMEM DE AQUÁRIO

- Na reunião do seu partido político, nas arquibancadas junto à torcida organizada do seu time, visitando uma aldeia indígena ou numa passeata contra o FMI, estará o seu aquariano. O único que é impossível de se ficar "enfim, sós" pois estará sempre com uma galera à sua volta. Defensor intransigente dos direitos humanos e das liberdades individuais, pouco se importará se você é fiel ou não, já que esse tipo de conceito ultrapassado - possessividade -, não tem nem terá nunca lugar em sua existência. Ciúme, para ele, é uma coisa tão antiga como o Império Romano, e se você também for uma mulher super liberada entenderá que a amizade vale mais que o amor. Adorando experimentar coisas novas, poderá querer fazer amor nos lugares mais inusitados e das maneiras mais loucas, mas apenas como uma experiência, sem a sofreguidão e a entrega de um grande envolvimento sexo-emocional. Eternamente "do contra", nunca espere que se lembre de datas como dia dos namorados ou aniversário de casamento. Em festas, tente se enturmar, ou acabará ficando sozinha, pois ele jamais deixará de brilhar junto aos amigos ou ao grupo do qual faz parte. Seja esperta, e ocupe logo o lugar de sua melhor amiga. E esteja preparada, porque a qualquer momento ele poderá chegar com duas passagens para o primeiro ônibus que irá à Lua ou para uma lua de mel no fundo do mar, que com certeza será de arrasar...

Homens de Aquário: Tom Jobim, John Travolta, James Dean, Jack Lemmon, Mozart, Pepeu Gomes, Paul Newman,Somerset Maugham, Clark Gable, Lewis Carroll, Júlio Verne,e...o seu amor mais louco.

COMO CONQUISTAR UM HOMEM DE PEIXES

Você já ouviu falar no mito do boto cor-de-rosa? Aquele moço lindo ( às vezes são dois ) que aparece sem mais nem menos, na sua frente, no meio de uma festa, vindo sabe-se lá de onde ,e que após deixá-la totalmente fora do ar some assim como apareceu? Pois minha amiga, você acabou de fazer contato com o mundo de Peixes, onde os sonhos podem se materializar e a realidade, como num passe de mágica, virar fumaça. E a sua vida a partir daí, poderá oscilar entre a ilusão e o pesadelo, o inferno e o paraíso, ou o desejo realizado e o nada. Peixes é do elemento Água, e a Água reflete o que estiver à sua frente. Portanto, deseje John Malkovitch e ele aparecerá. Duvide ,e poderá ver seu príncipe transformado em abóbora. Outra coisa que você logo perceberá no pisciano é a sua tremenda compaixão por todos os famintos e desabrigados do planeta (inclusive aquela vizinha carente do quarto andar).Num belo dia, você poderá estranhar ao ver aquele mendigo que ficava ali na esquina, dormindo ao seu lado na cama, ou sair do quarto tropeçando em meia dúzia de gatos que o bom coração do seu amor não pode deixar abandonados à própria sorte. E é aí que você começa a se perguntar se faz mesmo alguma diferença ou se é mais uma vítima desse mundo cruel que ele está prestes a salvar. A escolha, vamos lembrar, é sua, acredite no que quiser...

Homens de Peixes: Jon Bon Jovi, Spike Lee, Gabriel Garcia Márquez, Chuck Norris, Bruce Willis, Lou Reed, Axl Rose, Kurt Cobain

Explorando o Arquétipo da Bruxa Má


Passados os festejos do Samhain, é uma boa hora para fazer uma avaliação daquilo que se atribui as típicas praticantes de bruxaria. Aquelas que não se dobram ao ecletismo pagão da atualidade, e muito menos faz algum esforço para ser aceita, seja qual for o método que ela utiliza para atingir seus objetivos. A bruxa malvada é o significado mais imponente da chamada bruxaria. Desde os artigos comercializados para as festas de 31 de Outubro, ano após ano, ou na literatura com as bruxas de Shakespeare em Macbeth, ou na bruxa do mágico de Oz.

A maioria, se não a totalidade de nós, praticantes de bruxaria, tentamos excluir a imagem da velha bruxa de cara esverdeada, a verruga na ponta do nariz e sua vassoura; numa busca mais "realista" da vida que levamos normalmente. A bruxa malvada é o arquétipo mais poderoso do poder inexplorado da mulher, por vezes renegado instintivamente. Mas isso é o certo a se fazer ? É o que devemos fazer?

Sua imagem não é nada atraente, feia e obscura, independente e solitária que se aproveita do infortúnio alheio. Ela manipula os poderes do lado negro da natureza; é sempre vista no fim das contas, escapando da punição que o ser humano comum sofre, nos abandonando em direção ao seu abençoado abrigo. Ela faz parte daquele grupo de mulheres que a inquisição tanto temia; que era incapaz de perseguí-la. Ela quase não têm preocupações mundanas, nada mais é tão importante quanto devorar criancinhas no jantar ou escravizar os outros.

Examinando velhos tabus: ela é sempre solitária, com que freqüência você um coven de bruxas malvadas? Ela não têm uma melhor amiga para passar o tempo e falar da vida alheia. Ela não têm ninguém que a julgue, muito menos alguém que tenha a liberdade de questioná-la. Ela é sempre será "feia" aos olhos dos outros e sempre suspeita. Nunca estará cercada por luz qualquer. A escuridão foi sua escolha pessoal. Ela escolheu ser feia? Quem se importa? Ela certamente não se importa nem um pouco.

Seu visual e os cosméticos que ela usa não passam do trivial. Ela sempre terá a verruga no nariz, não importa o que ela faça, então porque se importar com uma bobagem dessas ? Esse tipo de preocupação faz parte apenas do dia a dia de quem quer ser aceito e busca ascensão ou aceitação social. A bruxa má nunca precisa disso. Sua consciência é quem diz qual é seu status social e a ela basta aceitar a si mesma.

Ela é sempre auto-suficiente. Se você aparecer em sua porta pedindo um prato de comida, ela perguntará, "O que você veio fazer por mim?" Se você contra-argumentar com conceitos cristãos de bondade e justiça ela revidará da seguinte forma, "Então vá pedir a Jesus um pedaço de pão e quem sabe um pouco de vinho". Ela já se considera condenada não importa o que ela faça e prefere não dar ouvidos a questões éticas.

Os arquétipos da bruxa má sempre retornam a baila pois em seus olhos; nós sempre enxergamos a mesma pergunta: "O que você realmente quer?" Moralidade e ética a parte, você pode ter o que você quiser ! É bom pensar nisso sempre!

Em algum lugar do fundo de seu caldeirão, há sempre um jeito, uma maneira de se conseguir o que se quer, mas é no estilo de vida humilde e reservado dela é onde encontramos as respostas. É do auto-conhecimento que se descobre a resposta sobre tudo aquilo pelo qual batalhamos mas que por uma razão ou outra, não é exatamente aquilo que temos ou queremos.

É verdade, você têm razão, ela acha graça na desgraça alheia, no tombo do próximo. Ela já desistiu há muito tempo, de tentar compreender a razão dos sentimentos abalados que todos nós temos, quando aquele carro desejado, aquela jóia brilhante, aquela casa mui decorada com toda a prata e porcelana do mundo não vêm.

Ela possui um grande conhecimento a respeito dos animais e espíritos dentro da imensa cadeia negra do ocultismo, seu magnetismo, suas qualidades mágicas, ou onde e como encontrá-los num bosque ou numa floresta noturna. Ervas e plantas venenosas. Gatos pretos e enormes corujas são seus familiares, ela sempre sabe, ela sabe de tudo e sobre todos nós. É uma boa razão para levar o que pensamos sobre ela em consideração.

Você jamais vai encontrá-la faminta, mendigando nada a ninguém; você acha que ela opera suas magias em busca de uma mansão ? Uma guarda roupas cheio de roupas de grife? Ela vai ao médico? Suas preocupações limitam-se ao reino espiritual; muito longe das questões que fazem parte do local e da comunidade onde ela vive.

Ela parece sempre estar acima de tudo e de todos, têm obviamente suas preocupações, seus objetivos e suas metas na vida, mas estes objetivos, estas metas, estão além de nossa vã compreensão. Ele devora criancinhas. Embora compreendido em sentido figurado, não é seu sangue e sua carne que ela devora, mas a inocência e ignorância delas. Elas no caso somos nós; as criancinhas chorosas.

Quando somos criancinhas no sentido real, brincando de esconde-esconde, cantando canções singelas no jardim de infância, partilhando nosso lanche e nossa lancheira. Não há com o que se preocupar; mas então crescemos e então caímos na real, quando enfim, o lanche e a lancheira já não é mais o bastante, precisando de mais, de muito mais. Então viramos alvo da bruxa malvada. Elas estão por todo lugar.

Justiça e certo ou errado são conceitos espirituais. Imaginamos e desejamos ignorantemente que um dia haverá paz no Oriente-Médio, enquanto amaldiçoamos os vizinhos e amigos pelas costas. A bruxa malvada sempre vai jogar em nossa cara que justiça e paz, só existem quando nosso egoísmo está plenamente satisfeito. Ela estoura a bolha imaginária em que vivemos mostrando com requintes de crueldade, quem somos nós; como vivemos e pensamos, mas principalmente como agimos.

Ela escraviza os outros. Suas habilidades em escravizar são suas maiores e mais temíveis habilidades. Tememos essa habilidade pois sabemos que seremos capturados pelas armadilhas da bruxa e que seremos incapazes de escapar dela, uma vez em seu poder. Mas ainda assim, iremos procurar pela bruxa má. Ela nunca vai nos acorrentar, a porta estará aberta para fugirmos quando quisermos, mas quem disse que queremos ou mesmo temos força para isso ?

Nós nunca somos capazes de notar, que a magia e o poder que procuramos tanto, está dentro de nós mesmos, e mestre ou adepto qualquer pode fazer isso por nós, atingir isso por nós. Mas o que faz delas tão malvadas e perigosas, é o fato dela nunca nos alertar sobre isso. Ela deixa que cometemos falhas mortais. Ela não nos alerta sobre o risco de sermos aprisionados por nossa ganância e ignorância.

Na forma de consumismo nas festas de Natal, no rosto sorridente de Ronald McDonald's, o ungido é ressuscitado anos após ano. Ninguém sabe o nome da bruxa malvada, mas vamos nos sentir melhores imaginando que elas são diferentes, piores do que nós. Só aquele que sente o poder dela nas próprias veias sabem o que elas são. Não nos simpatizamos com elas, mas as vemos como guias, guardiãs, ou mesmo desafiadoras a quem secretamente adoramos.

De certa maneira, começamos a rever os nossos conceitos sobre a bruxa má, desejando seu poder e ser como ela é, e deixando para trás os festejos do Samhain, das fantasias no Halloween, encare o espelho e pergunte: "Você é malvada o suficiente para conseguir o que deseja para sua vida?"

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Baba-Yaga


Caminho pela floresta
e falo intimamente com os animais
Danço descalça na chuva
Danço nua
Viajo por caminhos
que eu mesma faço
e da maneira que me convém
Meus instintos e meu olfato são aguçados
Expresso livremente minha vitalidade
minha alegria pura e exuberante
para agradar a mim mesma
porque é natural
é o que tem de ser
Sou a selvagem e jubilosa energia vital
Venha e junte-se a mim

Baba-Yaga é uma velha, muito velha, que vive em uma cabana sobre pés-de-galinha. Ela se alimenta de ossos humanos moídos em seu pilão, mas há quem diga que também come criancinhas com seus dentes de ferro. E voa dentro de um almofariz de prata, muito veloz. Contam ainda que o rastro de cinzas que deixa pelo céu, rapidamente a danada vai apagando com sua vassoura.
Importante figura no imaginário do povo russo, Baba-Yaga está presente em muitos contos tradicionais, no caminho de Vassilissa, a bela, ou do destemido Príncipe Ivan, como nas bilinas (narrativas em verso) de grandes poetas românticos, entre eles, Gogol, Puchkin, Liermontov. Igualmente na música clássica daquele país, alguns compositores se dedicaram a fazer-lhe um “retrato sonoro”: temos três poemas orquestrais com Dargomíshky, Balakirev e Liadov; ela também aparece na suíte Quadros de uma Exposição, de Mussorgsky, e no Álbum para Crianças, de Tchaikovsky. Talvez, a primeira antologia de literatura russa de tradição oral, que o público de língua portuguesa teve acesso, fora feita por Alfredo Apell, nos idos da década de 1920. No Brasil, a bruxa aparece na história de encantamentos “A princesa-serpente”, na coletânea Contos populares russos organizada por J. Vale Moutinho (Nova Crítica, 1978 e Princípio, 1990), mas coube à escritora Tatiana Belinky o resgate mais bem divulgado como literatura para crianças: a velha Yaga e a magia das skáskas (narrativas maravilhosas) estão em Sete contos russos (Companhia das Letrinhas, 1995). Mais recentemente, foram publicados, em três volumes, os Contos de fadas russos, organizados por Aleksandr Afanas'ev, a partir de 1855, com o título Narodnye russkii skazki, base destes trabalhos e outras formas adaptadas (Landy, 2002 e 2003).

Quase sempre, Baba-Yaga é a temível bruxa, a malvada, la maliarda. Às vezes, ela parece ser apenas uma grande conselheira ou a guardiã de muitos segredos, moradora da escuridão numa densa floresta. Sob esta faceta, Baba-Yaga seria assim como a representação da Mãe-Natureza, igualando-se às antigas deusas, uma divindade com poderes sobre a vida e a morte porque rico em mistérios é seu perfil. Contudo, nossa maneira apressada de encarar as realidades imaginárias acomodou-se sobre a lógica a dividir o mundo em partes e posições irreconciliáveis. Quando se pensa em bruxas, evocam-se as fadas e uma eterna rivalidade, ou seja, a luta entre o Bem e o Mal.

Ora, a designação “bruxa” dada às velhas sábias surgiu muito antes do cristianismo lançar sua caça à elas, e referia-se a uma casta de sacerdotisas de um sistema religioso antigo e diferente, com caracteres próprios ao paganismo: uma religião de culto à Terra. Durante a baixa Idade Média (até meados de 1400), as bruxas eram tidas em consideração pelos campônios, aldeões e demais homens das vilas. A bruxaria era, para o Clero e a Coroa, uma simples superstição e, de modo algum, estava associada aos poderes do Mal. Reconhecidamente, as velhas que prestavam serviços para toda a comunidade na condição de parteiras, curandeiras, conselheiras, eram bruxas. Acreditava-se (uma tradição que ainda hoje se mantém) que essas mulheres tinham poder e influência sobre o corpo de outras pessoas e podiam curar doenças, bem como havia a crença de que sua magia e outras formas de projeção podiam favorecer a boa colheita. Com suas ervas milagreiras, a antecipação do futuro e outras simpatias, as bruxas eram respeitadas. A Medicina era ainda uma ciência incipiente, atendendo prioritariamente às camadas mais altas da sociedade medieval, como a nobreza e o clero; mesmo assim, os resultados a que chegava eram menores e mais incertos que os milagres operados pelas velhas sábias do povo.

No entanto, com a crise que a igreja medieval enfrentou junto às classes populares, as bruxas acabariam por cair em desgraça. Política e religião uniram forças e passaram a difundir novas imagens e idéias a respeito do curandeirismo e outras superstições relacionadas às velhas. Tornaram-se agentes do Mal, foram demonizadas dentro dos tribunais, em oposição a um sistema que representava a visão do Bem. Como portadoras de uma maldição divina, as bruxas se transformaram ideologicamente em consortes do próprio Diabo — ao mesmo tempo em que, na iconografia da época, o anjo soberbo ganhava novos contornos, assemelhando-se ao traçado animalesco e profano do antigo deus Pã. Fora criado igualmente o conceito de sabá, a grande festa orgíaca em que a devassidão, a gula e a beberagem tomavam a cena, gerando terror e histerismo entre o povo.

O velho conselho de uma bruxa não continha mais sabedoria, tornou-se um maledicente sussurro como um vento sequioso, frio e corruptor. E, entre os véus e alguma penumbra da fantasia, surgiram voláteis fadas, numinosas entidades, obrigando as mulheres-bruxas a esconderem-se em refúgios cada vez mais ermos. Os contos populares de magia são pródigos nas imagens do sítio abandonado, da alta torre, do castelo debaixo da montanha ou imerso no mar, como a casa perdida no meio da floresta em que ninguém ousa penetrar.

Vassilissa, a Formosa, andou e andou, e só ao entardecer do dia seguinte ela chegou à clareira onde ficava a cabana da Baba-Iagá. A cerca em volta dessa isbá era toda feita de ossos humanos, encabeçados por crânios espetados neles, com olhos humanos nas órbitas. E o trinco do portão era uma boca humana cheia de dentes aguçados. E a casinha era construída sobre grandes pés de galinha. (Belinky 1996: 25-6)
Longe do convívio humano, Baba-Yaga tem o domínio pleno e solitário da floresta, suas árvores e as sombras, revelando-se como uma das manifestações do arquétipo feminino da Grande-Mãe, com quem, em última instância, todos buscam um consolo ou ajuda. O encontro de Vassilissa com ela guarda certas semelhanças com uma versão primitiva pouco conhecida do conto de O Chapeuzinho Vermelho, que remete não apenas a um rito de passagem, mas à transmissão de poderes da mulher velha para a jovem (Kaplan, 1997).

É necessário um período de convivência naquela cabana e abandonar os temores e a curiosidade infantis, para que uma nova aprendizagem se estabeleça.
É ilustrativo o diálogo com Vassilissa, a respeito dos três cavaleiros que a menina vira passar (o branco, o rubro e o preto), quando se dirigia à cabana sobre pés-de-galinha. A velha responde que eles respectivamente são “meu dia, minha tarde, minha noite”. Não poderia se expressar de outra maneira, não fosse a verdadeira senhora da passagem do tempo. “Podemos chamá-la de Grande Deusa da Natureza”, afirma Marie-Louise von Franz, mas “obviamente, com todos esses esqueletos em volta de sua casa, ela é também a Deusa da Morte, que é um aspecto da natureza” (1985: 208). Baba-Yaga compreende igualmente os dois mistérios extremos da Vida, o nascimento (criação) e a morte (destruição).

A Grande Mãe nem sempre é Boa Mãe. Na escala grandiosa, o seu aspecto negativo, devorador e asfixiante, denomina-se a Mãe Terrível [...] Nos mitos, aparece como a mãe devoradora que come os próprios filhos. Conhecemo-la como a cruel Mãe Natureza, que procura repossuir toda a vida — toda a civilização — com a finalidade de colocar tudo de novo dentro do ventre primevo. Como terremoto, abre literalmente o ventre para sugar o homem e suas criações de volta a si mesma. (Nichols 1995: 105)
Além de suas qualidades dóceis e férteis, o arquétipo da Grande-Mãe simboliza a destruição necessária para uma nova ordem. O sorriso malévolo de Baba-Yaga pode ser comparado com inúmeras representações de um tipo de mãe-fera, como é o caso da deusa Kali da tradição hindu. Sedenta de sangue, Kali pode surgir inesperadamente diante de seu expectador com a língua vermelha estirada para fora — antevendo o prazer da devoração.

Do bosque saiu a malvada Baba-Iaga. Viajava dentro de um almofariz e segurava na mão o pilão e a vassoura.

— Cheira-me aqui a carne humana! — suspeitou a terrível bruxa.

Vassilissa estava tão aterrorizada que se sentiu desmaiar. Tudo em volta era sinistro e Baba-Iaga tinha um ar ameaçador. Mas resolveu encher-se de coragem. Já que ali estava, pelos menos ia tentar a sorte e pedir ajuda àquela horrível bruxa. Assim, aproximou-se da velha, inclinou-se e disse:

— Olá, avozinha! As minhas irmãs mandaram-me vir ter contigo, para te pedir lume. (Beliayeva 1995: 81)

Quando nos depararmos com o temível, ou mesmo com o nariz e as rugas de Baba-Yaga, intimamente sabemos algo de sua força e sua ancestralidade mágica.

Tratá-la com respeito é o primeiro passo para conquistar respeito em troca. Quando Vassilissa encara a feiticeira com sinceridade, sem soberba ante o perigo, assegura as chances para uma cumplicidade e convivência pacífica com a velha. Não cair em sua ira devoradora significa ter acesso aos conhecimentos dessa potestade arquetípica. Durante a estadia na isbá da bruxa, há de recuperar essa memória, os segredos de quem sabe ouvir a música das correntezas subterrâneas. Ao mesmo tempo em que vai demonstrando sinais de afeição, a menina reconhece na outra o saber, ainda que inconsciente, na verdade é seu. Afinal, que imagem o espelho de seus olhos refletirá?

Enquanto Baba-Yaga jantava, Wassilissa ficou ali perto, silenciosa. Baba-Yaga disse: “Por que é que você está me olhando sem dizer nada? Você é muda?”
A menina respondeu: “Se pudesse, gostaria de lhe fazer algumas perguntas.”

“Pergunte”, disse Baba-Yaga, “mas lembre-se, nem todas as perguntas são boas. Saber demais envelhece!” (von Franz 1985: 206)

A Lenda da Descida da Deusa do Mundo do Subterrâneo

A nossa Senhora a Deusa nunca amou, mas Ela resolvia todos os Mistérios, até o Mistério da Morte; então fez uma viagem ao Submundo.

Os Guardiães dos Portais desafiaram-na: "Despe os teus trajes, tira as tuas jóias; porque não os podes trazer para esta nossa Terra."

Então Ela despiu os seus trajes e tirou as suas jóias, e foi amarrada, como todos os que entram no Reino da Morte, a Poderosa.

E era tal a sua beleza, que a própria Morte se ajoelhou e beijou os seus pés, dizendo: "Abençoados sejam os teus pés, que te trouxeram para estes caminhos. Fica comigo; mas deixa-me pôr a minha mão fria no teu coração."

Ela respondeu: "Eu não te amo. Porque é que acabas com todas as coisas que amo e tens prazer em que esmoreçam e morram?"

"Senhora", respondeu a Morte, "esta idade e destino, contra as quais nada posso fazer. A idade faz com que todas as coisas murchem; mas quando os homens morrem no fim do tempo, eu dou-lhes descanso e paz, força para que eles possam retornar. Mas Tu! Tu és maravilhosa. Não voltes; fica comigo!"

Mas ela respondeu: "Não te amo".

Então disse a Morte: "Como não recebeste nem a minha mão ou o teu coração, terás de receber o chicote da Morte".

"É o destino assim seja," disse Ela. E Ela ajoelhou-se, e a Morte chicoteou-a carinhosamente. E ela chorou, "Sinto as pancadas do amor".

E a Morte disse, "Abençoada Sejas!" e deu-lhe o Beijo Quíntuplo, dizendo: "Que assim te possas manter na alegria e conhecimento." E Ele ensinou-Lhe todos os Mistérios, e Eles amaram e foram um, e Ele ensinou-Lhe todas as Magias.

Porque existem três grandes acontecimentos na vida de um homem: Amor, Morte e Ressurreição no novo corpo; e a Magia controla-os todos. Pois para realizar o Amor deves voltar ao mesmo sítio e lugar e na mesma altura que a pessoa que amas, e deves lembrar-te e amá-la novamente. Mas para renascer tens de morrer e estar pronto para um corpo novo; e para morrer tens de ter nascido; e sem amor não podes nascer; e isto é tudo a Magia.

O que é Federação Pagã

A Federação Pagã, oficialmente fundada em 1971, trabalha para tornar o paganismo acessível às pessoas que genuinamente procuram um encontro espiritual baseado nos Antigos Deuses e na Natureza.

A Federação Pagã tem 30 Coordenadores regionais na Grã-Bretanha que actuam como bases de actividade e apoio da P.F., e como P.F.Internacional está representada com Coordenadores Nacionais em 26 Países.

Os Coordenadores mantém contacto postal , via internet ou pessolamente, com os membros da sua área, ou países, se eles assim o desejarem, e estão disponíveis para os orientar nas suas dúvidas, quando necessário.

Além dos seus coordenadores nacionais e regionais, a P.F tem Organizadores locais nomeados pelos Coordenadores nacionais que
actuam nas suas comunidades . Os coordenadores podem levar a cabo Celebrações, debates, encontros e conferências, ou delegar em seus organizadores.

Em Inglaterra, a P.F. leva a cabo mais de 1000 inquéritos por ano, desde a rádio, televisão, jornais e revistas. Para além de fornecer informação geral, a P.F. fornece contactos em tradições especificas.

A P.F. conseguiu que o Paganismo fosse reconhecido como uma religião válida pelo Home Office e pela UK´s Interfaith Network e trabalha para repor a verdade do paganismo, opondo-se aos retratos difamatórios e incorrectos resultantes da intolerancia religiosa e do oportunismo pessoal, facultando informacões, enviando correcções e quando necessário, apresentando queixas nos tribunais – a P.F. tem efectivamente auxiliado em casos de discriminação religiosa nos empregos e na custódia de crianças.

Os nossos materiais educativos ( folhetos e pacotes informativos) encontram-se em várias livrarias académicas e instituições de renome, e ocasionalmente também são enviados a professores e outros profissionais, quando conveniente.

Em todos os seus esforços, a P.F. promove a exactidão factual sobre o Paganismo, a mútua tolerãncia entre fés, sem contudo se mesclar, e tenta prestar a sua melhor assistência e colaboração a todos aqueles que desejam explorar a espiritualidade Pagã ou procurem simplesmente informações sobre a nossa religião.

Pagan Federation Internacional  


Os Departamentos, tal como são denominados todos os Núcleos externos da Pagan Federation, com sede em Inglaterra há 31 anos e a operarem em 26 Países, representam e actuam dentro das mesmas bases e objectivos.

O objectivo é facilitar o contacto entre os membros inscritos, se for essa a sua vontade (expressa por escrito quando da inscrição); promover encontros e debates entre os membros; o esclarecimento público e defesa dos seus ideais.

Dependendo das Leis vigentes em cada País, assim se actuará em defesa de um Membro, caso aconteça algum problema motivado por adoração em público (depois de apurados factos de que não ultrapassou riscos desnecessários, imprudência, ou exibição gratuita), ou no caso de molestamento de outros grupos religiosos.

Não nos responsabilizamos por actos propositados de provocação, indecoro ou de irresponsabilidade cívica, alheios ao espírito Pagão, nem a problemas jurídicos ou pessoais de um membro, assuntos esses externos à nossa Federação.

O objectivo é a aceitação do movimento como religião livre e também facilitar o contacto entre as pessoas de vários países. A P.F. escolhe pessoas qualificadas para Coordenadores Nacionais como os representantes oficiais em cada país, os quais trabalham para uma amena mas constante oficialização do paganismo como religião.

PFI - Portugal 

Desde 1997 que The Pagan Federation nomeou Coordenadores Nacionais em Portugal. Nessa qualidade, informam que estão ao seu dispor para ajudar em algum assunto administrativo, ou caso seja já associado, na orientação de assuntos ligados ao Paganismo. Os Coordenadores Nacionais de Portugal editam um jornal em português sobre paganismo, e enquadram os seus associados em um grupo de trabalho adequado, comum a todos os membros, cuja participação e interesse depende dos mesmos.

Anualmente é actualizada uma lista de Grupos ou Individuais associados, e a pedido, é enviada aos nossos Membros que tenham as quotas em dia. No caso de termos indicações para não transmitir o contacto, apenas constará o 1º nome, e a Tradição Pagã que segue, sem quaisquer mais referências.

A Pagan Federation Internacional- PORTUGAL oferece os seguintes serviços aos seus membros:

 WEB SITES – uma boa forma de estar informado!

Muitos países tem o seu próprio PFI Web site, com informações, links seleccionados, notícias, agenda de eventos etc. poderá encontrar uma lista dos nossos sites em : http://www.paganfederation.org .

 PAGAN WORLD - Uma magazine sazonal na Web!

Esta revista, em inglês, contem artigos de bastante interesse, não disponível a não-membros. No caso de Membros que não tem acesso à Internet, os Coordenadores Nacionais disponibilizam uma cópia da revista impressa.

 PFI CHAT LIST – Contactos informais entre NC e Membros da PFI!

Esta mailing list é em ingles e aqui pode pôr questões, falar com amigos de outros países e ler as notícias de última hora e até ter encontros com autores e nomes conhecidos no meio. Acesso só a membros. Caso deixe de ser membro será automaticamente "unsubscribed" desta lista.

 PFI – LOCAL CHAT LIST

Alguns países tem também a sua lista própria de contactos entre membros. A melhor forma para expor dúvidas, receber orientações ou simplesmente falar de longe com seus Coordenadores. Portugal oferece esta serviço, através de www.onelist.com/group/PFI-Portugal

 EVENTOS / REUNIÕES - Encontros informais!

Alguns países organizam reuniões (pub.moots) temáticas, ou de tema livre para os seus membros. A cargo dos Coordenadores Nacionais é organizada uma Saudação anual - consulte a secção Notícias.

Como tornar-se Membro ? 


A qualidade de Membro permite-lhe, nomeadamente, assistir a eventos, reuniões sazonais e a ter contacto com o paganismo europeu através do convívio com outros pagãos, trocando ideias e esclarecendo eventuais dúvidas.

A quota anual para estes serviços é de EUR 13 (Euros). Uma forma económica de se ser membro desta Organização de nível mundial e de ter todos estes benefícios.

A filiação é permitida a qualquer pessoa de 18 anos ou mais, que se considere sinceramente pagã e que concorde com os três princípios que norteiam a Federação Pagã:

1. Amor para e afinidade com a Natureza. Reverência para com a força vital e seus ciclos de vida e morte em eterna renovação.

2. Uma moralidade positiva, segundo a qual o indivíduo é responsável pela descoberta e evolução de sua verdadeira natureza, em harmonia com o mundo externo e a comunidade. Isso é muitas vezes expresso como: "Faze o que tu queres, contanto que não prejudiques ninguém".

3. Reconhecimento do Divino, o qual transcende gênero, com aceitação tanto o aspecto feminino quanto o aspecto masculino da Divindade.

Os Pagãos que concordem com esses princípios e tenham interesse em fazer parte da Federação Pagã deverão escrever para um dos endereços ao final referidos, falando de suas experiências, interesse e vivências no Paganismo. Serão também bastante úteis comentários sobre como o interessado descobriu sua condição de pagão, sobre os livros que possa ter lido, sobre a vertente do Paganismo que lhe interessa ou que pratica, assim como outras experiências que considere relevantes e significativas. (Mas saliente-se que Pagãos iniciantes ou experientes serão recebidos da mesma forma.) Após o recebimento dessas informações, o interessado, caso aceito, receberá uma carta convidando-o a participar da Federação Pagã, acompanhada de um formulário para preenchimento. Esse formulário, devidamente preenchido, deverá então ser devolvido aos Coordenadores da Federação Pagã do seu país.

A Federação Pagã reserva-se o direito de recusar um pedido de admissão a Membro efectivo.

Toda a correspondência enviada, deve ser sempre acompanhada de envelope já selado, para resposta.

Para se inscrever como membro da PFI, procure contacto na nossa morada:

P.F.I. -PORTUGAL
APARTADO 24170
1251-997 LISBOA

ou enviando um e-mail para pfiportugal@pt.paganfederation.org.

Copyright cedido pela Pagan Federation - London , G.B. 

A Escola de Elêusis

Os mais antigos mistérios gregos parecem ser os de Elêusis, pequena povoação, hoje Lefsina, do noroeste de Atenas, pois eles datam dos tempos pré-micênicos, como o demonstram as pesquisas arqueológicas realizadas no local.

Um hino homérico do século VII antes da nossa era conta, sob a forma de lenda, a fundação do santuário.

Zeus e a deusa mãe Deméter tinham uma filha querida, Cora, que um dia foi raptada por Hades, deus dos Infernos.

Deméter, louca de dor, procurou a filha por toda a parte, mas em vão, certa vez, disfarçada de velha, foi recolhida na corte do rei Chélios e pediu para beber uma mistura de cevada, água e erva-dormideira. Atenderam ao seu desejo. Como agradecimento, ela encarregou-se de cuidar do filho recém-nascido da rainha e, para torná-lo imortal, ungia-o de dia com ambrósia e à noite submetia-o às chamas purificadoras de um fogo sagrado.

A rainha, surpreendendo este ritual, ficou deveras assustada, mas então a deusa revelou-lhe a sua identidade: «Sou», disse, «Deméter, a Venerada, a que regenera os homens e faz crescer as plantas. É meu desejo que se erga aqui um templo onde eu própria ensinarei os mistérios.»

Em seguida, desapareceu, deixando atrás de si uma claridade divina e os aromas maravilhosos de todas as flores da Primavera.

Zeus acabou por conceder a sua esposa o privilégio de tornar a ver Cora durante um terço do ano, ficando outro terço reservado a Hades que desposara aquela que ele raptara.

É este o primeiro mito de Perséfone.

Tranqüilizada, Deméter revelou aos soberanos de Elêusis: Triptoleme, Diocles, Emuope e Cheleos, os mitos que viriam a tornar-se célebres (Existem tantas versões como autores).

Alguns dão um lugar quase primordial a Dioniso, ou Baco (o deus Soma dos Arianos = bebida de iniciação), o que bastante associa os Mistérios aos mais antigos cultos arianos da Gália e das Índias.

Noutra versão, dada por Clemente de Alexandria, o Mistério começa com Afrodite (Vênus) e os Coribantas, ou Cabiros. Uma descrição da cena da bebida pedida por Deméter esclarece o rito do cesto (cofre) na tradição completamente falsificada.

Eis o texto de Clemente de Alexandria, que torna ridículo o que ele considera uma fábula de mau gosto:

«Contudo, Baubo (a rainha) recebe Deo (Deméter) na sua casa e apresenta-lhe a bebida chamada cyceon. Mas a deusa, dominada pela dor, afasta a taça e recusa-se a beber. Então Baubo, triste com este desprezo, despe-se e mostra-se em toda a sua nudez.

«Este gesto alegra a deusa e a vontade de rir que ela sente decide-a a tomar a bebida!

«Eis pois o que Atenas esconde nos seus mistérios, não o negueis, viso que tenho a meu favor a descrição feita por Orfeu.

«Citar-vos-eis os seus versos a fim de reproduzir, contra essa infâmia, o testemunho do próprio mistagogo: «Proferindo estas palavras, ela ergueu a sua túnica e desnudou as partes baixas do seu corpo, que se escondem aos olhares; a seu lado estava o pequeno Iaco que, com a mão, acariciava, rindo, a parte inferior do seio de Baubo; ao ver isto, Deo teve vontade de rir, e ela pegou então na taça decorada com pinturas na qual deitara o cyceon.»

«Eis um espetáculo admirável e muito conveniente para uma deusa!...

«Não há nada mais ímpio do que os mistérios... é uma lei sem valor, uma opinião vã, e o mistério do dragão não passa de uma mentira, como o resto.

«A iniciação que se lhe associa é o contrário da iniciação verdadeira.»

É certo que Clemente de Alexandria (160 D. C.) era um filósofo grego cristão e parcial por princípio, contudo não podemos senão aprovar as suas conclusões.

Incontestavelmente, os mistérios egípcios, há 4.000 anos, e os mistérios gregos, há 2.000 anos, eram paródias da iniciação autêntica, dos conhecimentos que a classe sacerdotal tinha completamente esquecido.

Daremos, adiante, um apanhado dos ritos de Elêusis, mas há boa razões para se crer que o mistério do cofre, tornado simples cesto, se referia a um falo de madeira ou de pedra, e a uma vulva, consistindo o «trabalho» na introdução de um na outra.

Compreende-se então toda a ironia do bom Clemente de Alexandria, num século em que o cristianismo, novinho em folha, não era senão pureza e espírito de sacrifício!

Aliás, devemos recordar-nos de que os Gregos eram fundamentalmente anti-religiosos, dando que a sua mitologia não era, em suma, mais do que uma sucessão de relações licenciosas, de incestos, de adultérios, de raptos e de outras brincadeiras de velhos guerreiros e de deuses olímpicos!

Na lenda de Elêusis, a aventura inicia-se com uma nota escabrosa: « Júpiter uniu-se a Deo, sua própria mãe, e depois a Prosérpina, sua filha. depois de tê-la gerado, desflorou Core.»

A propósito de um desses objetos encerrados no cesto, o falo, o bom Clemente indigna-se!

Evidentemente, ele ignorava que a sua própria religião cristã iria venerar a virgem de Airão, a amêndoas mística em forma de vulva irradiante que envolve as imagens da Virgem.

Amadores do erotismo, estetas e incrédulos por natureza, os Gregos tiravam o caráter sagrado às divindades integrando-as nas fábulas, como se, sabendo que os deuses tinham sido simples anjos iniciadores de forma humana, viris e por vezes sem escrúpulos, tivesse sido sacrílego assimilá-los a criaturas celestes...

O que, de resto, também não teria sido sério!

Para mais, o Olimpo dos Gregos era terrestre e tudo estava genialmente imaginado para atrair os deuses à Terra e abolir a distância que os separava dos mortais. Neste estado de espírito, a iniciação não podia ter um caráter religioso, pelo menos nas épocas historicamente conhecidas.

Os mistérios de Elêusis eram fundamentalmente os mesmos que os de Delos, consagrados a Apolo, e os de Samotrácia, dedicados aos Cabiros.

Em todos eles eram transmitidos os segredos dos Iniciadores vindos do céu, a sua identidade, a crença em outra pátria situada em uma estrela, a ciência da astronomia, da física, da química, dos encantamentos, da serpente voadora, do dilúvio, a lei infringível da preservação do patrimônio biológico humano e a necessidade de uma transmissão secreta.

Tais foram os segredos iniciais dos Mistérios, disto temos a certeza absoluta.

É de notar que, como acontecia com os Celtas (e no livro de Enoch), a iniciação a Elêusis é dada por uma mulher: Deméter, com o ritual da bebida mágica: ambrósia ou cyceon.

Os Druidas Eumolpe e Musée, que foram grandes Mestres, ensinavam, de preferência, mulheres.

Consideram-se por vezes os Mistérios de Elêusis como provenientes dos Mistérios Cabiros Fenícios, os quais descendiam dos Mistérios Druidas votados a Taliesin, filho de Korrigan ou Gwyon, e de Koridwen.

No rito, o «cofre» tinha dupla importância: intrínseca, primeiro, e depois por encerrar o segredo «dos objetos».

Como os mistérios foram instituídos para transmitir o conhecimento depois do dilúvio julgamos que o cofre representava a arca, o barco que salvou alguns seres humanos.

Nos arredores de Roma, em 1696, descobriu-se um vaso que tinha a forma de um pequeno barril. Datava de uma época grega muito antiga, e continha vinte casais de animais e mais de trinta e cinco figurinhas humanas, todas elas na postura de pessoas que procuram escapar a uma inundação. As mulheres eram representadas aos ombros dos homens.

Pensa-se que este vaso servia para as festas chamadas Hidroforias, as quais, segundo Apolônius citado por Suedas, se celebravam em memória dos que tinham perecido no dilúvio.

Vasos semelhantes teriam servido nos mistérios de Elêusis.

Tudo isto se tornou bastante compreensível, muito razoável para o nosso espírito de homens do século XXI, mas há dois ou três mil anos a Criação do Mundo (Omphalos), a refração da luz e as funções da glândula pineal constituíam mistérios tão grandes que só os iniciados os conheciam, não sendo conveniente revelá-los à «maioria».



Os ritos Eleusinianos do período decadente eram tidos pelos sacerdotes tanto mais secretos quanto a Verdade é que em nada os compreendiam. Assim, entendiam ser indispensável, para manter uma aparência de dignidade, adotar ares misteriosos e dar aos objetos um significado nebuloso.

As Eleusínias, celebradas, originalmente, de cinco em cinco anos, tinham por oficiantes os sacerdotes, ou Hierofantes, e as sacerdotisas, ou Tisíades, coroadas de mirto e portadoras de uma chave, símbolo dos mistérios.

Decorriam durante, pelo menos, duas semanas, sendo nove os dias principais:

1º – dia da reunião dos neófitos.

2º – chamado «alaze, mystoï» (para o mar, mistos!): purificação pela água.

3º – jejum = preparava-se o leito nupcial da virgem divina. À noite, interrompia-se o jejum comendo bolos de cevada e dormideira, e bebia-se cyceon, bebida sagrada.

4º – procissão do calathus (cesto).

5º – dia dos archotes, com procissão noturna.

6º – dia da partida de Atenas para junto de Elêusis. Cultos de Ceres, de Iaco e de Dionísio.

7º – dia do regresso ao templo, com cerimônias da figueira sagrada e brincadeiras da ponte. Esta ponte era a Cephise, por onde passava a procissão por entre a gozação e brincadeiras maliciosas da multidão. Aliás, a procissão tomava parte nelas.

8º – Cerimônias dedicadas a Esculápio que, em tempos tendo chegado nesse dia a Atenas, vindo de Epidauro, depois das cerimônias, foi iniciado à noite, costume que se perpetuou para todos os que se encontravam nas mesmas circunstâncias.

9º – e último dia, chamado plémochoé, do nome de dois vasos que se enchiam de vinho colocando-os um a ocidente e outro a oriente. Depois do que eram quebrados, ao mesmo tempo que se pronunciavam palavras mágicas.

O sentido deste símbolo é claro: «O conhecimento (os vasos) vinha do ocidente através dos Pélagos - Celtas, e do Oriente, pelos indo-europeus e os Persas. Os vasos podem ser partidos, a sabedoria foi já transmitida ao iniciado.»

As Eleusínias celebravam-se na Primavera e no Outono, os dois períodos de sementeira dos grãos, correspondentes aos pequenos e grandes Mistérios obrigatórios para todos os iniciados.

Existia também um grau superior, a Epóplia ou Autópsia (do grupo autos = ele próprio, e opsis = vista), isto é, visão interior, êxtase, pondo em comunicação com Deus e buscando um poder paranormal.

A iniciação era pois dada no templo de Deméter, situado no lado da colina, sob uma fonte; a entrada do santuário era proibida aos profanos, sob pena de morte.

O jejum incidia principalmente sobre a carne de aves domésticas, peixe, favas, romãs e maçãs (fruta do conhecimento).

Os Hierofantes a fim de melhor suportarem a abstinência, tinham autorização para beber sumo de cicuta (a cicuta é um veneno, mas dosada, possui virtudes medicinais e alucinógenas).

Na ilha de Céos, no mar Egeu, na antigüidade, os anciães inúteis à pátria deixavam habitualmente a vida bebendo cicuta.

Perto do fogo do sacrifício estava «o filho do lar», que tinha de ser de puro sangue ateniense, nos últimos tempos, iniciavam-se os homens, as mulheres e as crianças, com excepção dos bárbaros, dos assassinos, e dos cristãos.

Os ritos misteriosos tinham lugar durante vigílias sagradas, em Elêusis: percursos nas trevas, provas de terror e de ansiedade, visões de objetos aterradores, vozes misteriosas e desconhecidas, e depois fulgor e fantasmas que desapareciam por alçapões... numa palavra, todo o arsenal bem conhecido da Iniciação!

O momento mais importante e sem dúvida o menos afastado da verdade primitiva era o confronto dos objetos misteriosos e a revelação das palavras sagradas.

Clemente de Alexandria dá um resumo desses Mistérios:

«Eis», diz, «na fórmula Eleusiana: jejuei, bebi cicuta, peguei no que havia dentro do cesto e, depois do meu trabalho, coloque tudo na bolsa; em seguida, pegando outra vez naquelas coisas, coloque-as dentro do cesto.»

A cicuta não é a bebida simples reclamada por Deméter: água, cevada, dormideira, embora semelhante mistura se revele, a priori, nitidamente alucinógena.

Segundo os autores antigos, essa bebida compunha-se principalmente de cevada primitiva, leite, mel, azeite ou vinho, mas há tantas receitas quantos os autores!

Aquele que a bebia devia adquirir o conhecimento do passado e responder de às perguntas do Hierofantes.

Quanto aos «objetos misteriosos» encerrados no cofre, temos uma lista que certamente seria maior ainda com a superstição, a ignorância dos sacerdotes e a deturpação do segredo inicial: as seis cores do arco-íris, as seis plantas «eficazes», um falo, uma vulva, um Omphalos (ovos primordial), uma serpente (a iniciadora), trigo, mel, uma pinha (símbolo da glândula pineal, ou 3º olho), um torrão de terra, um «maná» e os xoanon (Parece haver uma aproximação etimológica a fazer-se entre o xoana, pedra negra, e o xoarcam, o primeiro dos cinco paraísos da mitologia hindu. No xoarcam, trinta e três milhões de deuses e quarenta e oito mil penitentes julgados dignos da felicidade vivem uma existência paradisíaca entre mulheres maravilhosamente belas, sensuais e sábias) pedras negras milagrosamente caídas do céu no reinado de Cécrops e às quais estava ligada a fortuna de Atenas.

A tudo isto acrescentar-se-iam ainda os bustos de deuses e deusas, «ídolos de madeira mal talhados», dizia Tertuliano, dos quais alguns estavam enlaçados por serpentes, comemorando assim a união fecunda das mulheres terrestres com os Iniciadores do Céu. A manipulação desses objetos devia, na crença geral, transmitir as forças misteriosas que os habitavam e estabelecer uma espécie de filiação divina.

Uma Iniciação era custeada pelo neófito devido aos custos da Escola e custava trinta dracmas, mais um porco e ainda uma gratificação aos Sacerdotes de Elêusis.