quarta-feira, 15 de junho de 2011

Definido Wicca Tradicional!


Definindo Wica Tradicional

Para entendermos a Wica Tradicional, também temos que entender as definições de bruxaria e paganismo.  Você encontrará diferenças nas definições entre comunidades pagãs. Essas são as minhas interpretações. Outras pessoas poderão não concordar.

Bruxaria é caracterizada por uma coleção e uso de folclore e recursos com o propósito de influenciar as conseqüências de eventos, para reunir informação, ou para necessidades de cura. Alguém que pratica bruxaria usa uma variedade de itens locais comuns em seus encantamentos, feitiços, poções e cataplasmas. Ele também pode praticar adivinhação na forma de “scrying” e empregar uma variedade de outras técnicas.  Conhecidos como bruxos (não confundir com os que praticam Wica), essas pessoas podem cultuar ou não uma divindade. Esses bruxos não são necessariamente pagãos mas podem, ao invés, serem vistos como buscadores e mantenedores de informação oculta.

Pagãos (algumas vezes mencionados como neo-pagãos para distinguí-los dos povos pré-cristãos de quem derivam muitas de suas práticas) são um grande e diverso grupo de pessoas que praticam uma espiritualidade orientada para a terra.  Isso inclui, mas não está limitado, ao xamanismo, paganismo, Vudu, Santería e Wica. O único denominador comum é que eles não seguem o sistema de crenças tradicional judaico-cristão.  Muitos pagãos são panteístas (significando que eles acreditam que a força divina está presente nas leis do universo e que todos os deuses são geralmente vistos como extensões dessa força divina) e/ou politeístas (significando que eles trabalham com muitos deuses e deusas, que eles podem ou não ver com tendências panteístas).

Muitos pagãos utilizam magia cerimonial (lançando círculos, convocando divindades e elementais, etc) mas nem todos os magos cerimoniais são pagãos.  Eles não apontam nenhuma divindade central, feminina ou masculina, em seus trabalhos. Eles simplesmente trabalham com energias mágicas de acordo com um conjunto de regras (ou não, se a pessoa lida com caos).  Muitas dessas regras vem dos escritos de Aleister Crowley, que por sua vez emprestou de outras fontes tais como dos rosacruzes, franco-maçons e certas ordens gnósticas e esotéricas cristãs.




Definindo Componentes da Wica Tradicional

Tradicional:  Gardner definiu Wica como uma prática religiosa tradicional. Tradição define material transmitido pelos ancestrais pela tradição oral através das eras – opiniões, costumes, modo de fazer as coisas.  Não há dúvidas de que alguns dos fragmentos que Gardner reuniu vieram dessa tradição. Tradição também define o respeito aos processos de tempo que conduzem à confiança, que são invioláveis dentro do grupo que jurou manter essas tradições. A religião da Wica Tradicional envolve tanto a transmissão da informação de iniciador para iniciado quanto a prática de uma maneira específica de se fazer as coisas.

Iniciatório:  Geralmente muitas tradições não admitirão novos buscadores;  quando uma pessoa encontra a tradição, ele ou ela já foram longe demais com informações públicas básicas e está agora procurando experiências mais profundas. Aqueles que se tornaram dedicados já possuem um conhecimento básico das práticas wiccanas rituais, magia e ética. Quando o dedicado se torna iniciado, ele ou ela se torna então parte da tradição. Wica iniciatória tradicional envolve encontrar e ser aceito por um praticante qualificado da tradição escolhida, o que inclui aqueles que podem traçar sua linhagem de volta até Gerald Gardner ou, em alguns casos,  um de seus iniciados que podem fazer o mesmo.

Juramento:  Quando um dedicado é iniciado, ele faz juramentos, cujo conteúdo específico só é conhecido pelos membros da Tradição.  Um juramento é uma chamada solene aos deuses para testemunharem a veracidade e sinceridade do que se diz e um ardente atestado da inviolabilidade de suas palavras e ações.  Quando os dedicados são juramentados, eles não podem nem mesmo revelar o conteúdo do juramento ou os mistérios específicos que eles juraram proteger.  Os juramentos são feitos para manter a sacralidade dos próprios ritos.  Algumas coisas não podem ser ditas, mas podem ser experienciadas; porque a narração desses mistérios pode ser coisa sem valor, uma experiência incompleta, e eles são mantidos sob juramento.  Há também algumas coisas que devem ser guardadas dentro da Tradição porque para passá-las só verbalmente (ou por escrito) podem levar as pessoas a ter a impressão de que elas conhecem aquilo que não experimentaram e assim perderão a experiência verdadeira que pode conduzir ao conhecimento real.  Manter o material tradicional sob juramento, permite a cada novo buscador descobrir as maravilhas desses mistérios por eles mesmos sem nenhuma predisposição baseada em palavras de outros.
Fundamento dos mistérios:  Os mistérios mencionados na religião Wica tem um significado complexo e interligado. Um mistério, no sentido comum, é alguma coisa desconhecida que desperta a curiosidade. Quando essa definição é aplicada à religião,  ela expande para incorporar o saber,  a perícia e práticas peculiares àquela religião que os iniciados precisam experimentar a fim de colher o conhecimento daqueles mistérios.  Alguma orientação pode ser obtida através do aprendizado em livros e da recomendação de um mentor, mas a incompreensível verdade religiosa por meio do conhecimento e razão só pode ser revelada pelas próprias experiências do iniciado e de como ele explora os mistérios da sua Tradição.

Sacerdócio:  Como sua contrapartida convencional, a Wica Tradicional possui um clero – membros de uma categoria erudita que tem dedicado seu serviço à Arte – e uma hierarquia dentro desse clero.  Ele difere das religiões convencionais em um aspecto importante:  na época em que o buscador é aceito na Tradição e daí em diante,  ele ou ela é considerado um membro do sacerdócio e age como tal.  Eles não funcionam como intermediários entre outros e as divindades,  porque não é preciso, mas podem fornecer orientação caso sejam perguntados como fazer. Períodos de estudo são geralmente divididos em ciclos de um ano e um dia,  embora em circunstâncias atenuantes esse tempo passa ser encurtado ou alongado.  Um buscador inicia como um requerente. Durante esse tempo, o requerente é avaliado em conhecimento mágico e um programa de estudo é desenvolvido após determinar as áreas nas quais o requerente é fraco ou não tem estudado.  O requerente também pode comparecer a círculos abertos onde não-iniciados são admitidos e pode, se convidado,  participar de alguns trabalhos de coven.  Isso permite ao iniciado em potencial e ao coven avaliar a dinâmica do grupo e determinar o que é melhor para todos os interessados. Um requerente aceito se torna um dedicado e pode eventualmente ascender os graus e tornar-se um Elder ou mesmo Alto Sacerdote ou Sacerdotisa do seu coven.

Fran Wolfe-Johnson,  december 13, 2001

Por que as Pessoas Odeiam Btw?


Os americanos sempre tiveram um relacionamento de amor e ódio com sociedades secretas e bem documentadas como a franco maçonaria, particularmente no século XIX..  Franco maçons eram acusados das coisas mais horríveis.  Até a qualidade de membro em uma loja maçônica ou em uma das outras organizações (Odd Fellows, por exemplo) era ansiosamente procurado. Durante a Guerra Civil Americana, muitos maçons fixaram um emblema maçônico no peito de seus uniformes, tanto do Norte como do Sul.

Existem políticas envolvidas em algumas áreas.  Eu me lembro de um livro sobre a espiritualidade das mulheres que discorria em muitos detalhes sobre quão mortificado estava o autor e seu grupo por descobrir que seus belos rituais foram escritos  por aquele  “velho pervertido, Gardner.”  Eles os substituíram por uma forma de ritual que eu identifiquei facilmente como sendo de Aleister Crowley...

Muito poucos dos que tem esse ódio tomam nosso segredo e reserva das nossas práticas internas como uma negação de acesso para o que eles acreditam deveria ser extensamente disponível.  Eles nos tomam como sendo um bando de elitistas de material sagrado,  algo como uma classe de uma elite de clube social,  como aqueles que limitam a admissão apenas a um certo grupo social.

A origem dessa visão particular surgiu nos anos 60 e 70, quando muitos de nós estavam furiosos com qualquer tipo de elitismo social, e eu acho que essa mentalidade transbordou sobre a Arte.

Isso e um desencanto geral com qualquer coisa que seguisse uma Tradição.  Isso era equivalente a...  bem,  cumplicidade com as instituições e seguir regras cegamente.  Nós éramos muito anti regras naqueles dias.

As afirmações dessas pessoas estenderam-se em duas direções. A Arte é hierárquica.  Eles não gostam de hierarquia.  O fato de nós seguirmos rituais determinados e caminhos iniciatórios nos reduziu freqüentemente  à condição de que nós  “formamos bruxos que expulsam pessoas”.

Alguns condenam em voz alta a Arte tradicional porque nós temos uma maneira certa e uma maneira errada de fazer as coisas. Eles nos consideram arrogantes ou esnobes se nós sugerimos que não está certo combinar elementos discrepantes e usá-los como foco em seus rituais.

Entretanto, alguns de nós (lembrando que nós somos todos humanos, com a mesma distribuição de defeitos da população geral) éramos esnobes.  Eu conheci um sacerdote NROOGD que tinha estado afastado da comunidade desde 1980 – ele estava desencantado naquele tempo.  Ele tinha um monte de coisas horríveis a dizer sobre wiccanos. Eu creio que ele ficara desconfortável depois do ritual que nós realizamos ao descobrir que eu era wiccano,  e tive que ouvir tudo o que ele tinha para dizer.

Em alguns lugares, é só dizer que é tradicional para alguém depreciar a Wicca. Essa é uma “tradição” que eu espero que nós consigamos quebrar.

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Não é engraçado ?  As pessoas que nos criticam por seguir uma tradição estabelecida, com o que eles chamam de “modelo rígido”,  são as mesmas que continuam seguindo um modelo rígido de comportamento totalmente ultrapassado,  irracional nos dias de hoje.  Pelo menos nós sabemos de onde vem as Tradições que seguimos.  E eles ?  É realmente hilário.


Iniciação é transformação.


A nossa mente é separatista. Ela pensa em termos de divisão.  Isso torna a nossa vida fragmentada.  São pedaços que tentam, eu disse tentam, se tornar uma unidade, mas é impossível.  A vida é, por si mesma, uma unidade, mas a mente precisa dividi-la para poder entendê-la.  E por conseguinte,  tudo aquilo que a nossa mente afirma,  certamente é falso.  Como a parte, o fragmento, pode ser verdadeiro ?

A necessidade humana de se sentir total, de se sentir parte de alguma coisa, é frustrada pela própria mente que divide tudo.  E então o ser humano pensa que está separado de tudo,  que a divindade está lá,  num lugar inatingível,  longe de tudo.  O cristianismo foi uma das religiões que difundiu essa idéia:  “o homem é miserável porque se separou de Deus com o pecado original e agora tem que empreender um retorno”.  Mas como fazer isso,  se a humanidade não confia na vida, na existência ?   Quando nos sentimos um com a vida, todo o nosso medo ancestral  tende a desaparecer.  O medo da morte existe porque pensamos que estamos separados e então toda a luta se inicia.  Então começam as proteções,  você começa a se proteger e a lutar,  todo o conflito começa.  Mas aonde está o inimigo ?   Certamente que não está na existência, mas dentro de você.

A tendência natural é ver tudo e todos como inimigos.  Você é parte do todo, mas continua lutando contra ele.  Talvez seja por isso que a humanidade possui um sentimento de derrota incrustrado.  Até mesmo os grandes homens da história se sentiram derrotados, impotentes, mal-sucedidos.

Não sou sociólogo, sou religioso, só posso falar daquilo que conheço.  Posso dizer que uma pessoa religiosa está muito além da ansiedade, do medo, porque sabe que não existe um fim.  Entretanto, todo o segredo consiste na maneira como você encara os desafios.  Se perdermos nossa sensibilidade para os problemas e desafios,  fatalmente fracassaremos.  Pessoas insensíveis só conseguem resultados medíocres.  Uma coisa que eu sempre digo às pessoas que me procuram:  não procure por sensações; procure pela sua sensibilidade.

E isso são duas coisas muito diferentes.  Quando o interior cresce,  seu exterior também está crescendo.  É isso que a vida interior faz: nos torna capazes de sentir o sutil.  As pessoas precisam de mais sensibilidade,  mas lutam contra isso,  criam armaduras,  defesas,  e desse modo terminam morrendo antes de morrer.  Um dia me disseram uma coisa que eu nunca esqueci.  “Quando você tocar algo, torne-se o toque; quando olhar, torne-se os olhos; quando ouvir, deixe que toda a sua consciência venha aos ouvidos”.
Esse desejo de unidade com o todo é visceral. Porém a mente humana é separatista.  E então a mente cria armadilhas perigosas,  que terminam levando a pessoa para tão longe, mas tão longe, que ela termina perdida.  Agora mesmo existem grupos pseudo wiccans clamando:  “A Deusa está dentro de mim”,  e isso é motivo para se evitar qualquer busca verdadeira.  Se você acredita que encontrou algo,  para que continuar procurando ?  A Deusa já está dentro de você, então tudo acaba em samba.

Mas por que essa gente faz essa afirmação ?   Eles não sabem,  não sabem absolutamente.  Eles ouviram dizer isso.  Isso não é uma experiência real,  é uma armadilha.  Quando se conhece isso por experiência própria,  tanto o que está fora quanto o que está dentro é percebido como uma unidade, não estão separados, são dois aspectos da mesma energia.

Mas essa gente continua afirmando uma coisa sem ter experimentado, e eu acho isso totalmente contra producente.  Na verdade isso vem a ser outro truque da resistência dessas pessoas porque elas não querem ver a Deusa e o Deus do lado de fora.  Se elas admitirem que os Deuses também estão fora,  terão que admitir também a existência da figura de um mestre, de um sacerdote, de alguém para guiá-los.  E isso eles não querem.  São auto-suficientes.  É a Deusa quem inicia essa gente;  para quê existir Tradição,  para que aceitar que existem sacerdotes mais experientes que podem indicar o caminho ?  Se os Deuses estão fora,  sozinhos eles não serão capazes de encontrá-los.  

São esses paradigmas,  criados pela mente,  que terminam afastando as pessoas cada vez mais de uma verdadeira iniciação,  de uma verdadeira experiência religiosa.  Por isso eu sempre digo:  não tirem conclusões apressadas.  Nenhum sábio tira conclusões apressadas, porque todas as conclusões fazem a sua mente se fechar.  E então assistimos a pessoas auto-iniciadas,  que não receberam treinamento adequado,  fazendo afirmações idiotas.  Sou contundente ?  É esse o meu trabalho aqui.  Dizer a verdade.  Essas pessoas não conhecem,  não sabem o suficiente para fazer afirmações concludentes.  Uma conclusão só é válida se a pessoa experimentou tudo,  se conheceu tudo de maneira profunda.  O resto é balela.

Trata-se de um caso de resistência.  Na verdade todo mundo é resistente com relação aos Deuses.   Tudo é uma desculpa esfarrapada.  Querem saber por quê ?  Muito simples.  Porque se você quer conhecer os Deuses,  terá que desaparecer, terá que morrer para que os Deuses possam viver em você,  terá que se esvaziar da sua loucura,  de toda a insanidade que você considera como aquisição essencial na sua vida.  Isso é iniciação verdadeira,  essa morte,  essa transformação.  E então começam as desculpas, porque para se tornar religiosa a pessoa tem que renunciar a si mesma,  ao seu ego,  às suas neuroses, medos – esse é o único sacrifício.  Infelizmente todo mundo quer se tornar religioso sem renunciar.  Queremos permanecer nós mesmos,  mas nenhuma iniciação verdadeira o permitirá.  Então essas pessoas se auto-iniciam,  dizem que a Deusa está dentro delas sem terem vivenciado isso.

Quando é que essas pessoas aprenderão a lição ?   Quando deixarão de inventar desculpas ?

Rituais Certos Na hora errada.


O caminho na Wicca é de transcendência gradual das fronteiras do ego que mantém nossa consciência separada da corrente universal, até que no 3* grau nós devamos ter alcançado a habilidade para fundir nossa consciência com o Universo e a corrente vital. Os três graus, parecidos com os graus da franco-maçonaria de Aprendiz, Companheiro e Mestre, representam um gradual envolvimento nesse processo.
No primeiro grau de Aprendiz nós somos recebidos na família do coven e aprendemos como elevar o poder de dentro de nós mesmos e a direcioná-lo. Quando tivermos dominado isso, simbolizado pelo conhecimento de nossos instrumentos, somos elevados ao segundo grau de Companheiro, no qual aprendemos a como dirigir a energia de todo o coven sob a orientação da HPS e do HP.  Quando nós dominamos a fundo e aprendemos como canalizar a Deusa e o Deus de Chifres diretamente, então estamos prontos para sermos elevados ao terceiro grau e sair para fundar nosso próprio coven...
De modo a ajudar-nos a quebrar corretamente o invólucro de nossos egos, Gerald Gardner – ou o coven de New Forest no qual ele aprendeu suas técnicas de bruxaria – nos legou três técnicas rituais que desafiam radicalmente as fronteiras do nosso ego:  ritual em nudez; cordas e açoite; e o GR.

Ritual em nudez nos força a retirar a máscara que criamos para nós mesmos com as roupas que usamos,  e nos mostrar para nossos companheiros de coven como nós realmente somos.  Quando praticada ao ar livre isso nos possibilita trocar energia com nosso meio ambiente por cada poro de nosso corpo;  e não só através do centro da coroa em nossa cabeça.  Banhos de sol em nudez também podem induzir um transe no qual nós transcendemos tempo e espaço por alguns breves instantes.

Cordas & Açoite no primeiro grau reduz o iniciado ao estado de desamparo similar ao do seu nascimento e assim fortalecer o sentimento de estar renascendo dentro da família do coven.  Um psicólogo americano estudou os rituais de iniciação em fraternidades e descobriu que os mais dolorosos e humilhantes que eles sejam, mais fortemente o novo iniciado se ligará à fraternidade e mais ele valorizará ser um membro.  Cordas & Açoite no início de cada lua cheia é destinado a purificar nossas mentes de pensamentos estranhos.  Não há nada como uma dor no traseiro para fazer alguém esquecer que não pagou sua conta de telefone, o projeto inacabado do escritório, ou uma votação próxima.  A Corda e Açoite prolongada na elevação de 2* grau é considerada hipnóticamente regular e rítmica, devendo induzir gradualmente no wiccano elevado um sentimento de sonolência levando a um estado alterado de consciência.

O GR na elevação de terceiro grau, deve envolver técnicas “tântricas” de retenção ou afastar o orgasmo, que podem impulsionar os dois participantes para um estado de consciência cósmica, no qual eles descobrem o poder de Eros para unir o Universo e não apenas eles como indivíduos.

Todos os covens que eu conheço e com os quais eu tenho me reunido, praticam rituais em nudez,  pelo menos dentro do círculo.  Gerald estava muito surpreso com o número de bruxos nos seus dias que deixavam a nudez para os círculos e não se juntavam a clubes naturistas ou aproveitavam os feriados em praias naturistas.  Mas a julgar pela popularidade das danças em nudez em volta de fogueiras após os rituais de meio do verão ou Lammas em encontros wiccanos,  poucos jovens ainda tem essa inibição.  E eu suspeito que é a nossa naturalidade com o corpo humano nu, junto com a importância que nós damos à Deusa em seu culto, que continua a tornar a Wicca o ramo mais popular do Paganismo para novos recrutas.

Mas Cordas & Açoite e o GR parecem muito radicais para muitos wiccanos contemporâneos !  Agora, eu poderia ser a última pessoa a recomendar a alguém para ir a um ritual que pudesse traumatizá-lo ou por em perigo seu casamento.  Novamente: rituais não são fins em si mesmos, mas meios para um fim: nesse caso a transcendência do ego e a habilidade para elevar o poder.  Vendas & amarração e o GR não são as únicas técnicas que podem alcançar isso:  cinco outras são listadas no BoS, que são mais brandas mas também mais lentas, e há muitas outras não listadas no BoS.  Então, se C&A e/ou o GR podem traumatizar você ou algum de seus iniciados, pule-os e tente uma ou mais das outras cinco técnicas.  Realizadas regularmente e com persistência cada uma delas ou uma combinação de todas levarão você ou seu iniciado ao objetivo.
Mas isso não é o que a maioria dos covens wiccanos que eu conheço tem feito nos últimos 40 anos, seguindo o mau exemplo fixado por não menos do que Gerald Gardner.  Diante de um candidato ao 3* grau relutante em realizar o GR com ele,  ele dizia:  “Não esquenta! Vamos fazer isso simbolicamente!”  E então, por 40 anos ou mais,  Cordas & Açoite tem sido substituídos por  Cordas & Cócegas no primeiro e segundo graus de iniciação e a purificação após o círculo ter sido aberto, e o “GR simbólico” em troca do real no terceiro. E os iniciados são levados a acreditar que eles tem cumprido as exigências da iniciação e dos graus apropriados.

Pelo menos na Inglaterra – e eu presumo que na maioria da Europa – nós ainda temos açoites com nove tiras de couro como instrumentos, que podem infligir dor real se manejados corretamente. Mas eu fui convidado uma vez de um coven americano na costa leste da tradição Gardneriana de Long Island, onde os “açoites” usados tinham tiras de seda com duas polegadas de comprimento.  Essa é a tradição Gardneriana que se recusou a reconhecer os iniciados de uma de suas HPS, que havia abolido Cordas & Açoite em todas as suas iniciações.

Minha objeção a essa diluição dos ordálios iniciatórios para um vago simbolismo de sua natureza real,  é que ela é totalmente ineficaz em atingir a desejada mudança de consciência.  O que você pode aprender ao ter seu traseiro gentilmente acariciado por um açoite de nove tiras de ceda,  além de um desenvolvimento do sentido de absurdo ?  E quanto você pode alcançar da consciência cósmica colocando um Athame dentro de uma taça ?   E pior, ao fazer com que o membro iniciado ou elevado acredite ter encontrado todas as exigências do seu grau,  isso os priva de todo o incentivo para tentar uma das técnicas mais lentas de transcendência do ego.  Como resultado, nós temos um número de HPS e HP que jogam seu ego não transcendido sobre seus covens e covens que desmoronam diante do primeiro choque de egos ou opiniões diferentes, porque seus membros nunca compartilharam devidamente dor ou êxtase!
Pior, ao continuar a realizar Cordas & Açoite e o GR em sua forma simbólica, nós adquirimos a questionável reputação de ser um culto sado-masoquista com nenhum sentido benéfico e espiritual.
O maior problema com realizar rituais simbolicamente é que isso é contagioso.  Muitos wiccanos se juntam a uma HPS em alguma colina ou floresta uma vez por ano para um ritual de cura da Terra e então pensam:  “Ok, eu tenho feito a minha parte pela Terra por este ano”,  e algumas vezes nem mesmo juntam seu lixo.
Trinta anos atrás, uma membro de um coven teve câncer no seio e estava se recuperando lentamente de uma intensa série de tratamentos de radioterapia. Em cada encontro do coven durante nove meses – que ela estava incapaz de comparecer – o coven realizou um ritual de cura para ela, mas com uma exceção,  nenhum deles lhe telefonou ou visitou nesse intervalo nos encontros, mesmo quando eles tinham negócios na cidade onde ela vivia.  Rituais devem elevar nossa consciência e nos tornar mais efetivos em interagir com a realidade mundana.  Muitos de nós os usam ao invés, como um substituto para ações e como uma fuga de um mundo imaginário.

Elevação de Grau


Parece que está havendo uma falta de compreensão a respeito do significado ético, energético e espiritual/psicológico a respeito de uma elevação de 3*. Em meus 38 anos de Wica nunca presenciei qualquer tipo de problema quanto a isso, e como um wicano quase pré-histórico, isso deveria ser observado ainda mais antigamente devido aos bloqueios culturais e sociais.

ÉTICA
Nosso coven exige a elevação sexual no 3* e isso é muito importante já que as pessoas que passarão pelo ritual serão futuros líderes de coven,  estão pelo menos há três anos trabalhando,  e desde então sabem perfeitamente que isso existe. Não é nenhuma novidade.  Se essas pessoas serão líderes e não passaram pelo rito devidamente, vão ensinar o quê a seus futuros dedicados ? Transparência é importante no processo de formação de sacerdotes e a grande preocupação dos líderes de covens é exatamente fazer uma seleção de futuros estudantes e dedicados que tenham a maturidade necessária para entender o fundamento, bem como em contrapartida espera-se a mesma maturidade dos próprios líderes.  Creio que todos os verdadeiros iniciados aqui estão cansados de saber que tanto iniciador quanto iniciado, a essa altura,  já estão mais do que aptos a canalizar as divindades no círculo, e que isso é condição essencial para uma elevação de 3*

E mais:  eu sempre informo com antecedência a todos os nossos estudantes de que eles deverão estar nus nos encontros do coven muito antes deles começarem a participar desses encontros, e se alguém não concorda com essa premissa, tem todo o direito de recusar participar.  Do mesmo modo, qualquer pessoa a ser elevada ao 3* já está cansada de saber o que é exigido nesse rito, ninguém é pego de surpresa e, portanto, nunca soube ou presenciei qualquer caso de alguém se recusar a realizar o ritual como deve ser na hora H.

ENERGIA
Difícil de se explicar numa lista pública como esta, mas para que um rito de 3* seja realmente válido,  a elevação sexual é necessária.  As implicações disso são que tal ritual envolve poderes muito mais profundos do que qualquer outro rito sexual no qual os Deuses não sejam atraídos no círculo.


ESPIRITUAL/PSICOLÓGICO
Fred lamond na lista FutureCraft disse:
“In Wicca, the masterpiece of the 3rd degree is to transcend one’s ego, experience cosmic consciousness, and be able to channel the MG or HG at meetings when required. Cosmic consciousness is a precondition because from its vantage point all the petty preoccupations of one’s ego seem to utterly unimportant, and she will then be able to guide her coven in a tactful manner without engaging in any power trips”.

“Na Wicca, o maior trabalho de 3* grau é transcender o ego, experimentar a consciência cósmica, e estar apto a canalizar a Grande Deusa e o Deus de Chifres nos encontros se exigido. Consciência cósmica é um pré-requisito porque nessa condição favorável todas as preocupações mesquinhas do ego parecem totalmente insignificantes, e ela estará apta então para guiar seu coven de uma maneira diplomática sem se prender a qualquer viagem de poder”.

Como sabemos, alguém que chegou ao portal de uma elevação de 3* já realizou o trabalho de transcendência.  Como é que vai chegar lá e amarelar na hora ?

O que é Seguir O caminho espiritual?


Existe um ditado oriental que diz:   “No começo as montanhas são só montanhas e os rios apenas rios;  ao entrarmos no caminho espiritual as montanhas não são mais montanhas e nem os rios são apenas rios;  quando despertamos no caminho espiritual, as montanhas são novamente montanhas e os rios apenas rios”.   Esse ditado é bastante interessante, ainda mais que como buscadores espirituais, estamos tentando nos tornar diferentes, excepcionais. Essa é a expectativa da mente ordinária: tornar-se extraordinária.  O comum sempre se sente inferior e desse modo, a partir desse complexo de inferioridade, busca tornar-se especial.  Só que quem é especial não precisa fazer coisa alguma para ser especial,  não existe nenhum complexo nele.  Aquele que é,  está sempre pronto para relaxar no que é comum.

Eu nunca conheci nenhum sacerdote, nenhum mestre que não fosse uma pessoa comum.  Agora as montanhas e rios são outra vez apenas o que são. Mas as pessoas comuns estão sempre lutando para serem extraordinárias e isso é como que uma obsessão,  a obsessão por um objetivo novo – a religião que trará a salvação.  Elas crêem que a religião as tornará felizes,  que um novo tipo de paraíso será instaurado em suas vidas,  que toda dor e sofrimento desaparecerá num passe de mágica unicamente porque se tornaram buscadores.  O paraíso está somente na imaginação dos que orientam sua vida por objetivos. Essas pessoas não são religiosas,  são apenas  egoístas embarcando numa nova viagem  do ego, rumo à felicidade suprema.

O paraíso idealizado por essa gente está sempre no amanhã, no futuro. Porém o verdadeiro paraíso está aqui,  e agora.  E isso nada tem a ver com religião, e nem mesmo com espiritualidade porque transcende tanto a religião como a espiritualidade. Trata-se de adentrar numa nova visão de mundo e de si próprio,  na sensibilidade e na consciência,  na observação e na meditação.  É apenas essa a diferença entre a pessoa comum e o sacerdote.  Uma diferença de qualidade.

No entanto, as pessoas comuns estão competindo todo o tempo umas com as outras.  Mesmo no terreno da religião estão competindo.  Isso é pura ambição. As crianças são “educadas” para a competição, para a luta.  Toda noção de vida ocidental está voltada para a guerra,  e os melhores são sempre os mais fortes, os mais astutos, os mais desonestos.  Quem se importa com os meios ?   E a vida religiosa dessas pessoas é uma desonestidade.  Todo o sistema é em si mesmo neurótico,  e  o  mais famoso é aquele que lidera a neurose, o mais neurótico.  Nesse sistema existe apenas ansiedade, angústia, loucura.  Essas pessoas não conseguem enxergar coisa alguma verdadeira,  estão cegas,  embriagadas pelo sistema,  loucas tentando manter suas máscaras de serenidade enquanto manipulam a realidade e tentam mostrar aos outros que não são pessoas comuns.  Todo o esforço para se tornar extraordinário é o esforço para se tornar insano,  louco.

Todo o problema humano resume-se num simples ponto:   a mente humana é o problema.  Tudo o que foi ensinado, as pessoas continuam repetindo indefinidamente e tudo o que disseram, as pessoas continuam dizendo, geração após geração,  mecanicamente.   Entrar no caminho espiritual é começar a perceber que ficar repetindo as neuroses que foram ensinadas e condicionadas na mente é continuar transferindo a velha doença.  Na verdade a compreensão surge do silêncio.  O problema é mergulhar no silêncio,  é despedaçar a velha mente e sua loucura.

Todo mundo sabe que os filósofos e eruditos geralmente se comportam de maneira estúpida.  Essas pessoas estão mergulhadas no barulho mental. São ótimos para falar sobre o que sabem,  mas se alguma situação se apresenta,  bem isso só mostrará como são tolos.  Uma estória:

Um rapaz vinha dirigindo seu conversível vermelho novinho por uma estrada, quando numa curva passou por um carro desgovernado, dirigido por uma mulher.  Ao passar por ele, a mulher gritou pela janela do carro:  “Porco !”  O rapaz imediatamente gritou em resposta:  “Vaca !”  Satisfeito por ter dado o troco, ele faz a curva em velocidade,  e.....  atropelou um enorme porco no meio da estrada.

Toda situação, por menor que seja, na qual a informação do erudito não se adequar só mostrará sua estupidez.  Tem muita gente que passa a vida discutindo, argumentando, contra-argumentando,  conquistando.....  mas essas pessoas não são religiosas.  São somente acadêmicos posando de religiosos.  Religião não admite argumentação.  Religião é o que é.  Essas pessoas usam a retórica como uma arma,  mas a única coisa que conseguem é permanecer na ignorância.  Na Wica isso acontece muito entre iniciados e não iniciados.  Os leigos continuam discutindo, argumentando com os iniciados.  Eles mudaram os fundamentos da religião para atender às suas exigências particulares e pessoais, porque a mente dessa gente continua repetindo a loucura.  Eles não conseguiram relaxar no que é simples,  eles não conseguiram entrar no silêncio e para eles só existe argumentação.  Se você discute com um iniciado, você perderá o ponto,  porque sua mente estará repetindo a velha neurose, tentando ser mais do que o mestre.  O iniciado não está interessado em ser mais do que ninguém,  ele está apenas mostrando o caminho certo,  nada mais.
Existe uma estória budista que ilustra isso muito bem:

Existia na Índia um erudito chamado Maulingaputra.  Esse homem percorria o país debatendo com outros filósofos e derrotando todos.  Na época das monções,  Buda havia ficado retido numa aldeia por 4 meses, quando esse erudito foi vê-lo.  Quando ele chegou,  Buda olhou para ele e riu.  O erudito ficou ofendido e disse:  “Por que você está rindo ?”  O Buda respondeu: “Estou rindo porque neste lugar existe um homem que fica sentado diante de sua casa contando os touros e as vacas que vão ao rio beber água.  Fiquei intrigado com isso,  com o fato dele ficar todos os dias sentado, contando os animais, e então perguntei:  “Por que esse interesse todo ?  Esses animais lhe pertencem ?”   O homem respondeu:  “Não eles não me pertencem, nenhum deles.  Sou muito pobre e não tenho nenhuma vaca.”. Buda disse ao erudito: “Vendo você chegar, me lembrei daquele homem.”. O erudito perguntou: “Mas como eu estou relacionado com esse homem ?  Que loucura é essa ?”.  O Buda respondeu:  “Me lembrei daquele homem porque, seja o que for que você saiba, não lhe pertence. São vacas alheias.  Eu posso ver sua cabeça cheia de coisas de todo tipo, lindos  e sábios dizeres.  Eles lhe dão a aparência de sábio,  mas me diga uma coisa:  você sabe ou está apenas repetindo as escrituras ?”

Isso é muito pertinente.  Isso deveria ser considerado.  Porque é exatamente essa a diferença entre um iniciado e um auto-iniciado.  O auto-iniciado está somente repetindo o que os outros disseram.  Está só contando vacas alheias. Nenhum deles teve uma experiência espiritual legítima,  real.  Mas continuam esperando pela revelação da Deusa, porque  “Ela tem um plano para eles.”  E assim, essas pessoas continuam sendo astutas com os outros,  mas somente conseguem enganar aos outros e a si mesmos.  Todo o problema é esse:  se você engana aos outros,  vai começar a enganar a si mesmo.  Você acaba acreditando na própria mentira.  Essas pessoas perderam o contato com a sinceridade, com a verdade.  E mentiram durante tanto tempo que agora só sabem mentir.

É a velha ambição.  Essas pessoas querem ser sacerdotes,  mas entrando pela janela.  Só que a grande questão existencial é muito diferente.  A grande questão não é saber se você encontrou a Deusa,  se você encontrou o sacerdócio.  A grande questão é  “Você se encontrou?”   Ou então  “Quem sou eu?”  E essa questão só pode ser respondida no silêncio.  Nunca no tumulto da ambição de vir a ser alguma coisa, e muito menos de vir a ser alguma coisa por meios desonestos,  por meio da violência.   Sim, porque tentar quebrar o portão do sacerdócio e entrar por ele sem a atitude correta é pura violência.  É por isso que existem os mestres,  os sacerdotes.  Esse é o seu trabalho.  Ele não dirá e nem pode dizer o que sabe, mas ele certamente criará um modo pelo qual você possa florescer.

Juramento e os Perjuros


Muita gente não entende e conhece os procedimentos internos dentro de um caminho tradicional.  A questão dos juramentos feitos por buscadores que são aceitos dentro dessas Tradições não tem sido analisada, pelo menos aqui no Brazil. Talvez a razão para isso seja a quase total falta de verdadeiros Covens tradicionais por aqui, e até hoje não vi nenhum livro que procure esclarecer a questão, expondo claramente os motivos pelos quais um juramento é tão importante.
Aqui neste país, a palavra empenhada vale o mesmo que o lixo, as pessoas por aqui não valorizam sua honestidade. Antigamente, no tempo dos nossos avós, a palavra empenhada valia ouro. Hoje vale menos do que aquilo que geralmente vai dar no mar.
O pior de tudo isso, é que quando se faz um juramento dentro de um Círculo wicano verdadeiro,  se está empenhando a palavra diante dos nossos Ancestrais, Guardiões e Deuses.  A pior coisa que poderia acontecer para um buscador inexperiente, é trair a própria palavra empenhada.  Na verdade ninguém vai procurá-lo para explicações.  O que acontecerá é que tal pessoa estará “nas mãos” das forças postas em movimento no ritual,  cuja cobrança é implacável devido ao fato de não poder haver nenhuma argumentação. Ninguém pode argumentar com esses poderes,  então a melhor coisa a fazer é não se tornar perjuro,  para a própria segurança pessoal.
Pode até parecer estranho falar sobre essa questão,  isso pode soar como uma ameaça, mas o fato é que o Poder posto em ação cobrará aqueles que falharam em sua honestidade e integridade para com a Arte e sua Irmandade.
É por esta razão que, antes de realizarmos qualquer rito de dedicação/iniciação,  perguntamos,  até a chatice,  se a pessoa realmente está propensa a aceitar as condições,  a se dedicar integralmente à Arte,  a proteger e zelar pelos ensinamentos.  Isso é muito sério,  não é uma piada e nem uma brincadeira  de alienados.  É preciso ter integridade moral no melhor interesse em proteger a Arte e os irmãos que acolheram os que prestaram juramento.

Eu estava lendo um texto, veiculado na lista norte-americana AmberandJet, e tomo a liberdade de incluí-lo aqui, devidamente traduzido para facilitar:

“Muito do que tinha que ser dito a respeito do problema já foi dito, mas há umas poucas coisas que quero adicionar.

Primeiramente, um ponto crítico de distinção que eu vejo ser feito: “os segredos” dados por qualquer Tradição não são juramentados (sim, você leu certo)...  são os dedicados/iniciados que são juramentados, não os segredos. Isso não faria nenhuma diferença se todos os nossos “segredos” tivessem sido publicados e/ou prostituídos pelos outros, e nós poderíamos ainda ser juramentados para protegê-los.

Segundo, e um ponto que a maioria dos buscadores aparentemente não considera (a julgar pelo modo como a maioria tende a reagir às palavras dos iniciados):  isso não é só no melhor interesse dos iniciados de proteger a Arte e seus segredos/ensinamentos, mas no melhor interesse dos iniciados de proteger os próprios buscadores (i.e. iniciados em potencial e membros de sua família) de serem levados a se desviar por aqueles que querem prejudicar a Arte  (i.e.  os perjuros).

Quando um dedicado/iniciado faz um juramento, está inclinado a desistir de certas liberdades para obter entrada na Tradição, obter acesso aos seus ensinamentos e receber Poder de sua Egrégora. Iniciação é só como garantir um ato de Perfeita Confiança por parte do Coven e por parte do iniciado.

Um perjuro se coloca fora dos controles estabelecidos pela Tradição (controles que ele/ela de boa vontade aceitou).  Ao colocar-se fora desses controles (que é, claro, o que torna a quebra de juramento o crime mais grave que um Bruxo pode cometer), cria uma situação na qual não-iniciados poderão acreditar que a Tradição é alguma coisa que essa gente quer que seja.

Uma pessoa que ama,  honra  e  serve  sua Tradição, não quebrará juramentos.
Uma pessoa que ama,  honra e serve seus Irmãos e Irmãs da Arte não quebrará juramentos, mesmo discordando e desaprovando os ensinamentos da Tradição.
Uma pessoa de honra e integridade não quebrará juramentos, mesmo que discorde e desaprove os ensinamentos da Tradição e não tenha amor por seus Irmãos e Irmãs da Arte.

A partir dessas verdades óbvias, nós podemos deduzir que:

a) A falta de respeito nas supostas “razões” para a quebra de juramentos, o perjuro é um ato intencional.
b)  Perjuros são pessoas que não amam,  honram ou servem sua Tradição e sua Irmandade da Arte.
c)  Perjuros são pessoas sem honra e/ou integridade.
d)  Perjuros saem para prejudicar a Tradição que eles deixaram.
e)  Perjuros saem para evitar que não-iniciados dignos ganhem aceitação dentro da Tradição que eles traíram.”

Movimento Eclético


O grande problema com essa questão do ecletismo,  é que houve uma abordagem totalmente errada a respeito,  ao menos no que se refere à Wica particularmente,  que é o que nos interessa de perto.  Creio que a melhor forma para se compreender esse assunto,  é começar pela definição de ecletismo, extraída do Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa:  ecletismo – reunião de elementos doutrinários de origens diferentes que não chegam a se articular em uma unidade sistemática consistente.
Pois bem,  como podemos verificar,  essa definição nos orienta de maneira contundente para o cerne da questão.
Mas antes de analisarmos o termo em si,  temos que estar atentos a determinadas linhas de pensamento que estão inseridas no pensamento eclético,  como por exemplo,  a comum fuga do que é chamado de “dogma” pelas tradições ecléticas,  que envolve uma visão completamente errônea,  e que terminou se transformando num sinônimo de rigidez e intolerância.  Talvez o maior culpado dessa interpretação tenha sido Bertrand Russell,  que considerava o pensamento dogmático como um mal.  É preciso saber de antemão,  que um dogma é uma certeza interior (religiosamente falando),  o que difere totalmente da concepção dogmática política.  Religião não é política e nem politicagem,  e aqueles que vêem o dogma como uma abordagem política estão longe de serem religiosos, no total sentido da palavra.
Assim,  o ecletismo como vimos resume-se no aglomerado de diversos elementos doutrinários de várias origens,  o que na minha visão e observação,  jamais poderá originar um novo e coerente corpo doutrinário.  Como sabemos que a maioria das pessoas desconhece ou interpreta de maneira errada o que seja uma doutrina,  vamos falar algo a respeito.  Doutrina subentende-se por um conjunto coerente de idéias a serem transmitidas por ensinamento,  que se tornarão um conjunto de preceitos e princípios,  além de procedimentos e métodos,  que serão os fundamentos de um determinado sistema voltado para a orientação e a ação.
Visto isso,  podemos então verificar que nenhum sistema eclético poderá obter um corpo de unidade sistemática consistente.  Tal pluralismo e tal diversidade por si sós,  invalidam essa articulação ou a união de idéias tão diferentes num só sistema.  Se isso fosse possível,  não estaria havendo tanta confusão a respeito desse tema dentro da Wica.  Que o paganismo seja eclético e diversificado podemos entender.  Mas diversidade dentro de uma mesma estrutura e de um mesmo sistema religioso é impossível.
Wica é o que foi aprendido e ensinado por Gerald Gardner.  Podemos definir Wica como um sistema religioso e mágico,  baseado no equilíbrio das Polaridades Divinas,  sistema esse que segue um corpo próprio de Leis, rituais e práticas estabelecidas.  Wica é uma unidade sistemática consistente,  apresentada aos iniciados nos anos 50 do século XX, e que era o resultado de centenas de anos de evolução.
Também parece estar havendo uma imensa confusão quanto aos termos “evolução” e “diversidade”.  Tudo evolui,  inclusive as religiões,  mas daí a se defender a desestruturação do sistema religioso consistente chamado de Wica,  pautado na falsa teoria de que pode haver diversidade dentro de um mesmo sistema,  é totalmente infantil.  Vamos recorrer novamente ao Dicionário da Língua Portuguesa:  diversidade – divergência, contradição, oposição, diferença.
Desse modo, se é contraditório, diferente,  como pode fazer parte da mesma unidade sistemática ?   Isso é impossível.  E as contradições surgem por todo o caminho,  e só não vê quem está mergulhado nesse mar de confusão, pois quem está de fora observando não perde a realidade.
Assim, podemos observar a contradição na própria definição do termo diânico, apresentado  pelos seguidores dessa vertente pagã:  “O termo “Diânico” se refere a qualquer ramo da Bruxaria que enfatiza o feminino na natureza, vida e espiritualidade ACIMA do masculino.”   Só nesta frase,  já podemos verificar que o ramo diânico não pertence à unidade sistemática consistente divulgada por Gerald Gardner,  a qual ensina estar baseada no equilíbrio das Polaridades Divinas.  Como Wica é o que foi divulgado por GBG,  percebemos que dianismo é algum culto pagão,  mas está longe dos dogmas, filosofia, ritualística e fundamentos da Wica.
Tudo isso é bastante claro para qualquer um que tenha uma mente analítica.  Mas continuemos.  Uma outra abordagem sobre o que seja dianismo nos é fornecida pelos próprios seguidores dessa vertente pagã,  como segue:  “Quando uma pessoa escolhe ser Diânica, ela escolhe ser focada primeiramente na figura central da Deusa. O Deus,  quando e se reconhecido, participa limitadamente da liturgia e ritos. Muitas vezes ele é considerado apenas como uma das muitas faces da Deusa.”    Novamente nessa afirmação podemos verificar a total negação e contradição dos fundamentos da Wica, porque o que foi ensinado por Gardner traduz-se por uma religião duoteísta, centrada no Deus e na Deusa,  nas Polaridades Divinas.  Negar ou diminuir um em detrimento do outro,  é tornar o rito completamente desequilibrado em seu princípio mais sagrado.  Então, perguntamos,  dianismo é Wica ?
Muitas vertentes pagãs que seguem a supremacia de uma polaridade sobre a outra, há muito deixaram de se denominar wicanas, haja vista o que a própria Starhawk declarou em seu site,  declarando-se praticante de uma linha de bruxaria (witchcraft)  ao invés de Wica.
Não estamos querendo impor nenhum tipo de dogmatismo.  Estamos somente usando da mesma lógica usada pelos seguidores ecléticos,  quando tentam explicar a validade do seu próprio sistema chamando-o de Wica.  Se a lógica serve para eles tentarem, sem resultado, validar suas práticas,  também servirá para que os tradicionalistas mostrem onde ela é  falha.

O que é viver a vida no Sacerdócio


Viver a Vida de um Alto Sacerdote/Alta Sacerdotisa – O que isso significa para você ?

Umas poucas considerações aqui, e eu não quero pisar nos calos de ninguém.

Se você olhar as coisas de um contexto histórico,  na grande maioria das religiões pré-cristãs,  chamar alguém um sacerdote ou sacerdotisa, significa dedicar-se ao serviço da divindade do templo e então passar por um período de treinamento.  Até em um contexto moderno,  você pode imaginar alguém decidindo que tem o direito de chamar-se um Católico Romano ou sacerdote Ortodoxo ou um Rabi ?  Alguém pode simplesmente anunciar que é um sacerdote budista ?  Nós estamos para iniciar uma mulher que era Shinto.  Eu só posso imaginar a sua reação com alguém que venha comigo e afirme que leu um par de livros sobre Shinto e agora diga ser um sacerdote Shinto.  A mesma coisa acontece nas tradições de medicina nativas.  E acredite-me, dentro dessas comunidades tradicionais, não há nada mais desprezível do que pessoas que afirmam serem  “medicine men”  sem terem passado por um treinamento adequado.
Você deve ouvir o que é dito entre os Cheyenne sobre o companheiro que escreveu  THE SEVEN ARROWS OF WISDOM, por exemplo.  É a mesma coisa que os BTW (British Traditional Wica) dizem sobre os fraudnerianos.
Por que nós devemos (e eu estou incluindo Wica como parte da vasta comunidade Neo-pagã aqui) aceitar esse tipo de coisa ?  Nós ficamos tensos com impostores, mas nós os toleramos e até pedimos desculpas para justificar seu comportamento.  Minha Alta Sacerdotisa e eu encontramos certa vez uma mulher que se dizia auto-iniciada e estava ofendida porque nós não queríamos convidá-la para comparecer à iniciação de um dos nossos estudantes.

Qualquer um pode devotar-se ou dedicar-se ao culto de uma deidade.
Mas servir como seu sacerdote ou sacerdotisa requer treinamento em seus rituais.  Você não pode aprender a respeito mais do que, pela leitura, pode aprender a nadar, pilotar um avião,  pilotar um navio,  lutar com uma espada ou fazer amor.  Isso requer treinamento com alguém que foi treinado nos rituais apropriados.

Sim,  isso representa um problema com neo-pagãos tentando “reconstruir” os rituais de determinados deuses.  Nesse caso,  talvez um pouco de humildade seja necessária.  Como um exemplo:  Eu tenho estudado artes marciais por muitos anos.  Isso inclui Aikido e Karate,  tanto quanto estilos de espada renascentista, esgrima moderna,  arte no arco e flecha,  lança,  faca,  rifle e pistola.  Eu tenho treinado marinheiros em pequenos grupos táticos como parte de uma força de defesa marítima.  Eu posso chamar-me um arqueiro.  Eu ainda hesito em chamar-me de espadachim,  embora eu possa considerar-me hábil no uso da espada.  O que eu não posso é considerar-me um artista marcial.  Eu sou um estudante de artes marciais.  Minha Alta Sacerdotisa é faixa preta em Karate.  Também ela se considera uma estudante de artes marciais.

Agora,  eu posso me chamar um Wiccano e especificamente um Alto Sacerdote Gardneriano.  Por que ?  Porque eu tenho feito o trabalho exigido.  Eu fui iniciado e avancei através dos graus até o 3*,  e eu tenho servido como Alto Sacerdote de um Coven por mais de uma década.

O ponto que eu estou tentando mostrar,  é que a menos que você tenha sido treinado (e sim,  isso pode incluir um Coven eclético) para ser um sacerdote ou sacerdotisa de uma deidade particular ou um grupo de deidades,  é muita presunção chamar-se sacerdote.

Francamente eu penso o mesmo de alguém que se chama  “bruxo”  só porque leu alguns livros.  Entre os  Tsalagi  (Cherokee)  mesmo alguém iniciado na medicina é ensinado a não chamar-se de  “medicine man”  ou  “medicine woman”.  Ele pode até dizer que sabe alguma coisa sobre isso.  Quando os outros respeitarem a sua sabedoria naquela área,  serão eles que começarão a chamar você de “medicine man”.

Agora eu estou certo de que isso provavelmente ofendeu um bom número de pessoas com senso de denominação e auto-importância, mas antes que alguém responda, eu sugiro que tomem algum tempo para pensar sobre o que eu disse.  Por que é tão importante para você chamar-se de sacerdote/sacerdotisa ou bruxo ?   Você está seguro de que isso não é para aumentar sua própria auto-valorização ou para impressionar aqueles que estão em volta ?  Não será possível que  devoto da Deidade X, Y ou Z não é uma descrição mais correta do que você é ou está fazendo?

Gawain

Operação Cone do Poder


A Guerra havia sido declarada a 3 de setembro de 1939, mas foi apenas em 10 de maio de 1940, quando as tropas alemãs invadiram a Holanda e a Bélgica e Winston Churchill tornar-se Primeiro Ministro, que um sentimento de urgência começou a estar em foco. Rapidamente as tropas alemãs invadiram aqueles dois pequenos países e eles capitularam a 28 de maio.  Tropas britânicas foram forçadas a retroceder para a pequena costa em Dunquerque, mas,  com a ajuda de uma frotilha de navios, mais de 300.000 britânicos e franceses foram evacuados seguramente.  Em 14 de junho, tropas alemãs haviam alcançado Paris e,  em 22 de junho,  o governo da França se rendeu.

Planejando o Ritual
A invasão foi sentida como iminente.  Para a maioria das pessoas conhecidas,  o desastre era ameaçador. Eles tinham que fazer alguma coisa.

Mas o que eles poderiam fazer a respeito ?  Eles estavam além da idade em que poderiam se juntar às forças armadas e serem aceitos num combate.  Gardner estava com 56 em 1940. Susie Mason tinha 57 e Dorothy Clutterbuck na casa dos 60.

Reconhecidamente, alguns, como Gardner, podiam ter se juntado à Guarda Nacional,  mas muitos deles quase certamente podiam ter sentido que eles deviam usar as habilidades que possuíam para deter a invasão – e essas habilidades eram mágicas. Particularmente como eles haviam sido ensinados que os bruxos no passado tinham trabalhado para evitar o sucesso de invasões semelhantes, eles podiam naturalmente se voltar em direção a um método similar que tinha sido legado a eles.

O momento crucial  foi provavelmente quando alguns dos bruxos (talvez os Mason) revelaram que suas famílias tinham vivido na área por muitos anos e que eles possuíam uma tradição de que quando tiveram a ameaça de invasão no passado, da Armada Espanhola em 1588 e de Napoleão em 1805, tinham sistematicamente realizado trabalhos mágicos para pará-las.

Eu acho provável que foi Gardner quem primeiro teve a idéia:  o que foi feito uma vez poderia ser feito novamente !   Se foi, então ele obviamente os convenceu,  pois foi decidido realizar um ritual ou rituais para ajudar a deter a ameaça de invasão.  Bracelin diz:

“Old Dorothy convocou  “vários covens; embora pela Lei dos Bruxos eles não devessem se conhecer”.   Isso foi o começo da  “Operação Cone de Poder”,  quando os bruxos, como eles disseram, enviaram uma força contra a mente de Hitler.

Allen Andrews inclui o seguinte:

“... uma convocação extraordinária foi feita por membros do Coven do Sul.  Isso trouxe dezessete homens e mulheres para uma clareira em New Forest.”

Quando ?
Os que tem escrito sobre o ritual deram várias datas da sua realização.  Bracelin diz apenas  “depois da Bélgica, Holanda e França caírem”,  i.e.  depois de 22 de junho.   Patrícia Crowther diz  “Lammas Eve”;  Doreen Valiente  diz  “Lammas”,  e  Andrews fala claramente  “a noite de 1º de agosto”.  Apenas King,  citando Wilkinson, diz  “maio”,  mas ele adiciona  “quando a invasão de Hitler era iminente.”   Como foi somente em meados de junho que a “agitação da invasão”  pegou,  eu acho que King,  relatando de segunda-mão ou mesmo de terceira-mão, simplesmente mencionou a data errada.  Doreen Valiente tentou resolver essa diferença afirmando o seguinte:

“... Wilkinson  descreveu o ritual que esse coven tinha realizado em New Forest para deter a ameaça de invasão de Hitler em 1940,  embora a data que ele forneceu seja maio de 1940 e a data que eu dei foi Lammas 1940. Contudo eu havia dito que, de fato, houve uma série de rituais, que podem responder por essa discrepância.  Gerald é citado em sua biografia como dizendo que o ritual foi repetido quatro vezes, então nós podemos estimar que ele se iniciou após  “May Eve”,  foi repetido na Lua Cheia de junho e julho e outra vez em Lammas (1º de agosto).”

Sua preocupação com a invasão provavelmente foi maior do que em outro lugar devido à sua “linha de frente”  i.e.  a localização costeira.  Isso pode ter vindo à mente do público um tanto mais cedo,  digamos ao tempo de Dunquerque (4 de junho).  Patrícia Crowther diz o seguinte:

“Gerald me disse que,  quando operando magia,  o ritmo de um ritual era muito importante, e que as Quatro Marés do ano devem ser levadas em consideração.  Uma época ideal se situa entre o solstício de verão e o equinócio de outono, quando a natureza tem enriquecido seu grande potencial e as emanações etéricas são mais fortes.  Uma época em que elas estariam mais beneficamente abertas.  Foi por isso,  ele disse,  que os bruxos de New Forest  escolheram Lammas para trabalhar contra a invasão da Bretanha proposta de Hitler.  Essa também foi a razão porque o ritual foi realizado na floresta,  em Lamas Eve 1940,  quando a Lua estava nos últimos dias da minguante.  A época ideal para se livrar de qualquer coisa. A data, a época do ano, a fase da Lua e o local foram decisivos para o ritual. Um ritual que se tornou conhecido como  ‘Operação Cone de Poder’.”

Estou seguro de que Patrícia Crowther está certa com relação à época do ano para trabalhar tal ritual. Contudo, as coisas eram urgentes e trabalhos mágicos não podem esperar pela época ideal.  Como Churchill diz:

“À medida que o mês de junho transcorria, o sentido de uma invasão em potencial a qualquer momento crescia sobre nós todos.

Depois de Dunquerque, e mais ainda quando três semanas depois o governo da França capitulou, a questão se Hitler iria, ou poderia, invadir e conquistar nossa Irlanda rosa, como temos dito,  estava em todas as nossas mentes.”

E os que viviam no litoral estariam bem mais preocupados com tal possibilidade e pensando nisso mais seriamente do que o resto da população. Agora,  Highcliffe e a área de New Forest são potencialmente muito vulneráveis à invasão,  estando na costa sul,  perto de alvos militares de Southampton e Portsmouth:  uma localização sem dúvida  de linha de frente.  Ian Stevenson, o historiador local de Highcliffe,  recorda que sua família sempre tinha suas malas prontas para uma fuga a qualquer momento.  Isso não era tão verdade para os que viviam em outras partes do país.

O tempo era premente – a história estava sendo feita. Todo dia, até o fim do mês de junho as circunstâncias mudaram, desde a evacuação de Dunquerque, completada a 4 de junho até a queda da França em 22 de junho. Então, do meio do verão até o fim,  estava certamente claro que alguma coisa teria que ser feita.

Nessas circunstâncias, eu creio altamente improvável que os bruxos tivessem esperado um mês antes de realizar um ritual para tentar parar a invasão.  Por tudo que eles sabiam, a invasão poderia ter acontecido e estar completada antes de Lammas.  Eles podiam, na minha opinião, ter organizado um ritual, provavelmente com seu próprio grupo,  pouco antes da queda da França em 22,  marcados pelas palavras de Churchill:

“O que o General Weygand chamou a “Batalha da França”  acabou.  Eu espero que a batalha da Bretanha esteja começando.  Dessa batalha depende a sobrevivência da civilização crtstã. Dela depende nosso próprio modo de vida britânico e a continuidade das nossas instituições e nosso Império.  A total fúria e poderio do inimigo podem muito breve se voltar contra nós.  Hitler sabe que ele terá que nos deter nesta ilha ou perder a guerra.

Se nós podemos nos levantar contra ele,  toda a Europa pode se tornar livre, e a vida no mundo pode mudar para um futuro pleno,  iluminado pelo sol das terras altas; mas se nós fracassarmos, então o mundo inteiro, incluindo os Estados Unidos, e tudo que nós conhecemos e consideramos, afundará no abismo de uma nova era de trevas mais sinistra, e talvez mais prolongada, pelas luzes de uma ciência pervertida.”

O efeito  desse discurso não pode ser subestimado.  Ele encheu a atmosfera de ação determinada e é minha suposição que foi nesse momento, mais que qualquer outro, no qual os bruxos decidiram realizar um tipo de ritual que,  por tradição,  tinha sido tão bem sucedido contra Napoleão e a Armada Espanhola.

Com tal sensação de urgência sentida por todos naquele tempo,  era necessário só tomar um dia ou dois para organizar.  Nós não sabemos o âmbito em que o grupo celebrou os festivais sazonais ou encontros na Lua Cheia, mas eles poderiam certamente estar cientes do simbolismo dos ciclos do ano e dos meses. O solstício de verão caiu em 21 de junho e a Lua Cheia havia sido 2 dias antes, na noite de quarta-feira 19 de junho.  Assim ambos os ciclos solar e lunar estavam na fase minguante no sábado 22 de junho,  e é minha opinião que um ritual pode ser realizado nessa data.

Contudo, tornou-se claro que alguma coisa especial era necessária. Os membros mais velhos do coven devem ter contado das tradições de frustrar a Armada Espanhola e as invasões Napoleônicas, e planos foram esboçados para alguma coisa que poderia necessitar um bocado de preparação, envolvendo  “chamar vários covens”,  decidir sobre um local favorável e os detalhes do ritual. Discussão deve ter tido lugar.

Como julho avançou sem vislumbre da invasão, tornou-se claro que Lammas seria a época óbvia para realizar um ritual de um modo mais elaborado.  Astrológicamente, era uma época altamente significativa porque caia dentro de uma semana com uma conjunção exata Júpiter-Saturno, uma coisa que só acontece a cada 20 anos e que é um ponto de equilíbrio no ciclo mundano quando as coisas podem ser iniciadas ou finalizadas.  Que isso ocorreu muito perto de um sensível ponto na própria carta de Hitler (sua conjunção Vênus-Marte) pode ter ajudado todos os esforços que foram sendo dirigidos sobre suas habilidades de decisão-criação e preferências por ação.    

Onde ?
Além das razões levantadas por Patrícia Crowther, há uma razão adicional porque o ritual deve ter acontecido em New Forest em Lammas, particularmente quando, como nós veremos, o tema do sacrifício surge em cena.  Há um lugar, e só um lugar em New Forest,  que mistura os temas de Lammas e sacrifício,  que é a Pedra de Rufus,  que marca o local aonde, de acordo com escritores como Margaret Murray,  William Rufus foi atingido e tornou-se a vítima divina – um sacrifício pagão – em Lammas no ano de 1100. De fato,  o ritual deve ter tido lugar no aniversário de 840 anos daquele evento, ou 10 ciclos de Urano.

Não nos interessa aqui se Murray estava certa em suas teorias, ou mesmo se a Pedra de Rufus marca o local exato onde Rufus caiu.  Certamente em 1940 não haviam dúvidas sobre a localização na mente popular, e os mais letrados dos bruxos,  incluindo Gardner,  podiam certamente ter conhecido as teorias de Murray, mesmo se elas não tivessem tradição dentro das suas próprias.

Em uma das minhas viagens de pesquisa, visitei a Pedra de Rufus, parando meu carro num estacionamento do lado oposto da estrada  para dar uma olhada na pedra.  Eu senti então uma urgência forte  para caminhar no sentido contrário, sobre uma elevação insignificante.  A cena silvestre que eu vi era surpreendente.  Parecia muito semelhante à imagem que eu havia feito na minha cabeça da localização do ritual de 1940 – uma área aberta na floresta com árvores altas e vegetação rasteira.

Eu tive um sentimento tão poderoso sobre isso que eu não consigo colocar em palavras,  e tive uma impressão muito vívida de que,  quase por “acidente”, eu havia tropeçado na localização real.

Também existem alguns indícios que sugerem isto.
Justine Glass, em seu livro de 1965,  Witchcraft, The Sixth Sense and Us, se refere à Pedra de Rufus como um local de uso comum de encontros de bruxos. A própria pedra está perto e totalmente visível, da estrada,  então não poderia ser um bom local de rituais. Contudo, o lugar que eu estou sugerindo para o ritual de 1940 fica sobre uma elevação baixa, perto da estrada mas não visível dela.  Parece então que ele foi usado por um tempo muito longo depois de 1940 e talvez por gerações anteriores também.  O vilarejo mais próximo da Pedra de Rufus é Brook, que é mencionado por Sybil Leek como sendo o local de um dos 4 covens de New Forest.

Gardner nos diz  “Nós fomos levados à noite para um lugar na floresta...”  Ele havia sido iniciado quase um ano antes e podia presumivelmente ter comparecido a vários rituais do grupo.  Sua afirmação subentende que o local não era o seu lugar normal de encontros,  ou um dos seus lugares normais de encontros.  Ele pode muito bem ter sido escolhido por um dos outros covens de Forest.  Também, o uso da palavra  “nós”  implica que ele não era o único naquela situação,  i.e.  sendo levado para algum lugar desconhecido.

Quantos ?
Gardner diz que Old Dorothy convocou “vários covens; apesar de pelas Leis dos Bruxos eles não deverem se conhecer uns aos outros.”   Andrews menciona dezessete,  o que parece um número razoável e provável – de modo a ser reunido rapidamente,  suportando as restrições da viagem em tempo de guerra, e a vigilância da Guarda Nacional, particularmente numa área da costa vulnerável na qual a ameaça de invasão iminente podia ser mais fortemente sentida.

Eles podem ter tomado, provavelmente, três carros, possivelmente organizados por Old Dorothy como ela fizera em anos anteriores para os saraus de  Mill House.  Vizinhos devem ter ido a pé, de bicicleta ou até,  seguindo a tradição,  cavalgando.  Entretanto, eles estavam claramente sob risco de serem parados.  Os Defensores Voluntários Locais tinham sido formados em 17 de maio de 1940,  tendo esse nome sido mudado por insistência de Churchill em meados de julho para Guarda Nacional,  e Mackenzie cita o exemplo de um homem que tinha sido parado 20 vezes durante uma jornada de 8 milhas.  Portanto,  qualquer um viajando à noite,  particularmente durante essa primeira explosão de atenção entusiástica pelo dever,  e numa área perto da costa,  poderia esperar ser parado pela Guarda Nacional.  Eles certamente teriam que ter boas desculpas preparadas.

Em minha opinião,  afirmações de que um número substancial de pessoas compareceu à assembléia realmente tem que ser desconsiderada já que havia restrições de viagem e grandes dificuldades em reuniões de pessoas em todas as partes do país sem ser informadas. Uma grande assembléia provavelmente poderia não ter tido os efeitos mágicos em qualquer caso.

Contudo, é possível que um grande número possa,  em pequenos e isolados grupos, ter igualmente trabalhado para a mesma finalidade,  mesmo operando próximos à mesma data,  embora provavelmente não tão organizados quanto Katherine Kurtz sugeriu na noite de Lammas.

O Que foi Feito ?
 O ritual era para ser especial e sério. Gardner dá o tom:

“...foi feito o que não pode ser feito exceto em grande emergência.”

Desse modo, ele menciona alguma coisa que era conhecida, e que tinha sido feita antes (talvez por tradição oral datando dos tempos da Armada Espanhola e de Napoleão) mas só podia ser usado em uma emergência daquela magnitude.  Sentiu-se claramente que o estado atual que eles previram era o de invasão iminente.  Ele faz uma alusão a seguir:

“...poderosas forças foram usadas, das quais eu não posso falar.  Agora para fazer isso, significa utilizar a força vital das pessoas; e muitos de nós morreram poucos dias após termos feito isso.”

Gardner obviamente não está disposto a entrar em detalhes, e está claro que ele foi proibido de fazê-lo, seja por indivíduos específicos ou por alguma Lei da Arte,  pelo óbvio e natural entendimento de manter os detalhes de tais rituais secretos.  Contudo, nós temos um possível indício no que Gardner escreveu sobre magos do extremo oriente e como eles operavam. Ele diz:

“Como eles fazem isso ?  Desejando ardentemente alguma coisa ou enfraquecendo as funções corporais de algum modo... Eles o fazem afastando uma parte de suas vidas – morrendo em parte,  de modo a obter esse poder.”
Isto soa muito parecido com aquilo que Gardner estava mencionando, e assim jejuar antes do ritual, talvez por um período considerável,  podia ter sido um elemento nos trabalhos de 1940 ?

Fosse o que fosse, foi certamente algo que por sua própria aceitação:

- usado forças poderosas
- usado a força vital individual;  e
- resultou na morte de vários indivíduos poucos dias depois

King citando Louis Wilkinson,  fornece uma explicação diferente do que poderia ser.  Ele também chama esse procedimento por um nome poderoso – o de sacrifício.

“Os bruxos sentiram que era essencial que ele [i.e. Hitler] devia ser detido em seus planos de invasão através de um poderoso ritual,  o ponto central do qual deveria ser a morte de uma (voluntária) vítima sacrificial.  Os membros mais velhos ofereceram-se para o sacrifício e deixaram de fora seu óleo protetor  e eles podem ter morrido devido aos efeitos da exposição.”

Este relato possui um fundo de verdade.  Noites de verão podem ser muito frias, mesmo no final de julho/início de agosto,  sem falar maio.  Isso é particularmente verdade para os que são velhos, especialmente se, como Wilkinson deduziu, eles estavam vestidos de céu. Wilkinson disse a King que:

“O coven de New Forest… usava um ungüento, mas ele era apenas  uma banha grossa,  basicamente consistindo de gordura de ‘urso’,  muito parecida com aquela usada pelos  nadadores do canal e tendo um propósito semelhante, ou seja,  simplesmente indicada para proteger seus corpos nus do frio nos encontros ao ar livre.”

Agora,  o uso do termo gordura de ‘urso’ não deve,  eu creio, ser entendido literalmente.  Isso era provavelmente apenas gordura de ganso ou qualquer coisa desse tipo.  Eu estava me lembrando de um vinho tinto chamado de  “Sangue de Boi”.  Ele adquiriu esse nome no século XVI quando os Turcos, que estavam atacando o castelo de Eger na Hungria, podiam ver os defensores bebendo alguma coisa vermelha e concluíram que era o sangue de touros/bois, que lhes dava sua força.  Eu creio que a menção a ‘gordura de urso’ era uma pequena brincadeira entre os bruxos e nada mais.

Como temos visto,  havia somente um pequeno fogo funcional ao invés da normal fogueira maior (e quente).

E, ao contrário do que se possa dizer,  atividade corporal pode com certeza abaixar a temperatura do corpo e induzir uma hipotermia,  porque o sangue é desse modo mandado para as extremidades do corpo e portanto afinado.

Contudo,  junho de 1940 foi o segundo mês de junho mais quente do século na Inglaterra e Gales;  julho foi um dos mais úmidos do século;  e agosto um dos mais secos.  Como Bob Prichard escreveu:

“Tinha havido uma boa quantidade de calor e tempo claro em maio, e esse foi o momento que marcou o calor em junho; o tempo mais quente fora os primeiros 10 dias...  fora um mês ensolarado, e muitos lugares tiveram pequenas porções de chuva, mas a segunda metade do mês era geralmente menos firme e gelada que a primeira; houve uma dia muito frio em 23 de junho, quando a temperatura só alcançou 13 graus em Boscombe Down em Wiltshire.
Então vieram as chuvas copiosas de julho... o tempo tornou-se muito mais firme até o fim do mês...”

Isso não parece ser superficialmente um período particularmente frio, e não há menção no relatório de Prichard, sobre o tempo no verão de 1940,  de  “a noite mais fria de maio (ou de outro mês qualquer) por muitos anos”,  que se poderia pensar ser uma menção insignificante. Entretanto,  New Forest é considerada pelos meteorologistas como sendo  “um lugar notoriamente frio”.

Tudo o que podemos afirmar é que, mesmo no verão, é possível que alguém que estava frágil ou, por outro lado, com uma boa saúde,  contrair hipotermia se estivesse realizando um ritual vigoroso no meio de uma clareira na floresta à noite e sem roupas.  Isso pode certamente exacerbar certas condições que a pessoa pode estar propensa e que podem estar presentes, com conseqüências fatais uma ou duas semanas depois.

De fato,  nós temos a confirmação disso pelo próprio Gardner:  “Minha asma, que não se manifestara desde a minha volta do Oriente, voltou com muita força”.  Como conseqüência disso,  Gardner permaneceu sofrendo de asma pelo resto da sua vida.

Gardner havia retornado do Oriente em 1936,  mas foi mais de quatro anos depois que a asma voltou,  e sabemos que isso pode ocorrer devido a um frio extremo.  John Illman confirma isto quando ele diz que:

“Ar frio também pode precipitar a asma,  pelo resfriamento das vias respiratórias.  Em seu livro,  All About Asthma and Allergy,  o Dr. Harry Morrow Brown avisa que o ar frio pode causar contrição dos canais dos Brônquios.  Uma curta caminhada numa manhã fria pode ser o suficiente para precipitar um ataque.”

A asma é,  conseqüentemente,  também conhecida como  “doença dos ocultistas”.  Muitos tem relatado uma correlação e um dos pacientes mais conhecidos foi Aleister Crowley.  Eu também me lembro de uma das características centrais no livro de Dion Fortune,  The Sea Priestess,  Wilfrid Maxwell,  que era um asmático.  Sua asma,  surgida após ele ter enfrentado sua família pela primeira vez, pareceu resultar numa harminização com a lua e acessado uma série de sonhos originados numa vida anterior.

O Cone de Poder
Gardner diz:

“Nós fomos levados à noite para um lugar na floresta,  onde o Grande Círculo foi erigido...”

O círculo estava marcado no chão num espaço claro entre as árvores. Doreen Valiente diz que Gardner disse a ela que  “nessa ocasião um círculo muito grande foi marcado com gravetos”.  Isso foi feito presumidamente com antecedência e poderia indicar que o ritual teve lugar numa área na qual gravetos,  i.e.  galhos e ramos pequenos eram fáceis de se encontrar.  Pode-se talvez imaginar aqueles bruxos da área ajudando a juntar gravetos numa grande pilha um dia ou dois antes, e então na tarde do ritual, deixando-os imediatamente do lado de fora do círculo que seria lançado do modo normal.

Com relação ao tamanho do círculo,  Gardner diz:

“A única vez que eu vi um grande [mais do que 9 pés] círculo ser suado, foi quando nós tentamos trabalhar a mente de Hitler,  e que foi uma operação totalmente diferente,  ‘Lançando para Longe’ e realizado de um modo inteiramente diferente, necessitando de muitas pessoas que pudéssemos reunir e bastante grande para trabalharmos dentro.”
Os ramos foram então recolocados numa pilha antes do amanhecer para estarem prontos para a repetição do ritual num futuro próximo.

Valiente fornece os seguintes detalhes sobre a iluminação:

“Um fogo ou uma vela estava dentro  [do círculo],  na direção onde o objeto se supunha estar...  A vela mencionada poderia ter sido uma lanterna...  e o fogo,  não muito grande devido às restrições do ‘blackout’ em tempo de guerra,  estava acesa no que era aproximadamente a direção que se acreditava que a invasão viria,  presumivelmente o sudeste.”

Andrews acrescenta que:  “Seu fogo cerimonial estava habilmente mantido escurecido, ainda vivo,  de modo que o grupo fosse protegido das incursões aéreas...”  Este último comentário sobre proteção de incursões aéreas certamente se refere ao próprio Gardner. Era um reconhecimento de que, em tempo de guerra, qualquer luz poderia atrair atenção indesejável.

Essa afirmação é, contudo, interessante visto que nenhuma outra vela ou luz é mencionada, certamente não nos quatro quartos, mais duas velas no altar como é comum hoje.  Parece que era como se eles só tivessem aquilo que era absolutamente necessário, mas a afirmação é ambígua como se a vela e o fogo fossem alternativas ou se ambos estivessem presentes:  a última parece provável já que detalhes sobre ambos são dados.  Também está claro que a vela e fogo estão diretamente relacionados com o objeto do rito e não são meras decorações.

Há também uma menção de  ‘fogos cerimoniais’,  supostamente algum tipo de bastão seguro por cada um dos participantes, que eram acesas na extremidade mas talvez impregnados com alguma coisa que os mantinha acesos mas que também não fazia muita chama. A implicação da afirmação é que era uma substância com a  qual os guardas de incursões aéreas eram familiares. Certamente a espécie de coisa da qual Ernie Mason tivesse conhecimento.

Valiente também recorda que as pessoas foram  “posicionadas para vergastar os dançarinos”.  Isso a lembrou de uma referência de:

“...um encontro de bruxos escoceses que teve lugar em agosto de 1678, quando um líder bruxo masculino,  um Gideon Penman, ...estava na traseira de todos os dançarinos,  e batia em todos aqueles que estavam devagar”.  Isso é mencionado na  The Geography of Witchcraft  de  Montague Summers.
Isso acontecia obviamente durante a parte do rito quando todos (exceto os chicoteadores) dançavam em torno do círculo para elevar o cone de poder.  “O Cone de Poder.  Esse era o modo antigo”.

Gardner foi ensinado pelos bruxos que o poder reside em seus corpos e que pode ser liberado por várias técnicas incluindo o canto e a dança.  Trabalhando juntos dentro do círculo mágico, eles podem elevar o que chamam um “cone de poder”, que pode então ser direcionado em direção a um objetivo particular. É isso que eles estavam tentando elevar através do ritual.

Andrews diz que:

“...o coven prosseguiu conduzindo os ritos tentando elevar o primeiro colossal “cone de poder” que elas já haviam produzido – e dirigi-lo contra Hitler.  E o grande Cone de Poder foi elevado e lentamente dirigido na direção de Hitler.”

Isso parece indicar que eles (i.e. aqueles indivíduos) haviam elevado um cone de poder antes, mas nunca algo dessa plenitude, embora eles soubessem, por tradição, que isso poderia ser feito.

Haviam pelo menos três aspectos para isso – a própria dança e a energia gerada;  o canto;  e o estado mental dos participantes.  Valiente escreve, de notas feitas como Gardner estava falando:

“Então todos dançaram em círculo até que eles sentissem que tinham elevado poder suficiente.  Como o rito era para banimento, eles começaram deosil e terminaram widdershins,  com muitas voltas de cada.”

Ela também faz um comentário interessante quando diz:  “Eu suponho que se a elevação do Cone de Poder não fosse para banir alguma coisa,  toda a dança deveria ter sido deosil.  Além disso, o rito teria sido consideravelmente menos exaustivo.”

A elevação do Cone de Poder era somente o primeiro estágio do procedimento, contudo.  A próxima etapa era certamente mandá-lo com sua mensagem para o destino.  Então, qual era a mensagem e qual era o destino ? Valiente dá os seguintes detalhes do que eles estavam tentando conseguir:

“...quando os bruxos elevaram o Cone de Poder contra a invasão de Hitler,  eles procuraram atingir as mentes do Alto Comando Alemão e persuadi-los de que a invasão poderia não ter sucesso, ou alternativamente, confundir e embrutecer suas mentes para que os planos de invasão morressem completamente.  Geralmente,  old Gerald disse,  poderia haver alguém em algum lugar cujas ações poderiam afetar vitalmente o que a cerimônia dos bruxos estava tentando realizar.  A mente dessa pessoa poderia ser influenciada, sem seu conhecimento, tanto que eles poderiam agir de um modo mais que de outro, e assim o resultado desejado poderia acontecer.”

É claro que essa era a mente mágica – tentando atingir aqueles que estavam em posição de tomar decisões, e finalmente o próprio Hitler,  para colocar em suas mentes que eles não podiam ter sucesso com a invasão.  O meio pelo qual eles fizeram isso foi muito particular.  Valiente, citando gardner, diz:  “Então eles formaram uma linha com as mãos dadas e investiram em direção ao fogo gritando o que eles queriam”.  Essa é uma variação de dar as mãos no círculo, dançando em direção ao centro e então saindo até onde pudessem sem soltar a mão da pessoa perto de você,  que é uma antiga dança dos bruxos e ainda é uma característica de muitas danças no país.

Agora podemos ver o verdadeiro propósito do fogo estar na borda do círculo, na direção na qual o Cone de Poder seria mandado.  Como ele estava na borda, as pessoas não podiam dançar em volta dele.  Então, como Gardner descreve, eles formaram uma linha,  então arremetendo na direção do fogo e gritando, e desse modo para trás novamente,  até que os esforços fossem focados na direção correta.  Como Andrews diz:  “O clímax de um ritual longo vem com os membros,  num estado de excitação tensa, projetando seu desafio em gritos de rítmico uníssono...”

Então, quais foram esses gritos ?  Gardner se lembra de dois comandos concisos:  “Você não pode cruzar o mar.  Você não pode cruzar o mar.  VOCÊ NÃO PODE VIR.  VOCÊ NÃO PODE VIR.”   Valiente fornece uma versão ligeiramente diferente,  e que pode ser mais fácil de cantar:  “Não pode cruzar o mar. Não pode cruzar o mar.  Não é capaz de vir. Não é capaz de vir!”  Como ela diz:  “As palavras tinham que ser simples e capazes de cair dentro de um ritmo cantado que expressava o propósito do rito”.  Gardner disse a Patrícia Crowther que as duas frases foram  “Você não pode cruzar o mar”  e  “Não é capaz de vir”.

Diz-se que eles dirigiram a idéia para o cérebro de Hitler.

Valiente, citando Gardner, diz que  “Eles mantiveram isso até que eles estivessem exaustos ou até alguém cair desfalecido, quando eles disseram que o feitiço atingiu seu destino”.

Gardner diz  “Nós repetimos o ritual quatro vezes”.  Agora, é possível que isso signifique que o cone de poder foi elevado várias vezes na mesma noite, mas isso é altamente improvável porque isso também seria fisicamente e mentalmente exaustivo para os envolvidos.  De fato, o Cone de Poder só poderia ter sucesso se os que o estavam elevando  ‘dessem seu máximo’,  o que poderia ser improvável de fazer se eles sabiam que eles poderiam ter que repeti-lo imediatamente.  De fato, Gardner disse a Patrícia Crowther e menciona em Witchcraft Today, que eles repetiram o ritual várias vezes após o primeiro em Lammas.  Gardner também continua a citar os elders dizendo:  “Nós não precisamos matar muitos do nosso povo”.  Isso é altamente improvável se bem que é difícil explicar para as autoridades, que eles haviam morrido no próprio ritual.  Essas explicações foram quase certamente feitas alguns dias depois do último ritual.

Os problemas com a Wicca


Atualmente a Wica vem passando por certos problemas que tem causado muito stress entre os novos convertidos.  Tais problemas derivam,  em primeiro lugar,  da falta de uma formação real, verdadeira e consistente,   concernente aos ensinamentos e sua transmissão.  A esmagadora maioria dos que se tornam  “wiccanos”  hoje em dia parece cair de pára-quedas no seio da religião após a leitura de livros cujo conteúdo nem sempre corresponde ao ensinamento tradicional.  Por mais consistente que um livro possa ser,  seu conteúdo jamais tornará ninguém um wiccano experiente.  O motivo disso já é mais do que conhecido por todos:  a natureza reservada e hierárquica dos covens originais,  praticava um tipo de ensinamento oral que nunca chegou a ser escrito,  além do mesmo poder diferir de coven para coven,  mantendo é claro sua essência.  Assim,  os covens Gardnerianos mantiveram sua estrutura fechada e tudo o que  “transbordou”  desses grupos sempre foi muitíssimo superficial.

Posteriormente,  os ocultistas que foram atraídos pela Wica,  tinham um conhecimento muito limitado e fragmentado a respeito da própria ritualística da religião,  além é claro do desconhecimento quase completo do próprio BoS.  Partindo de um conhecimento ignorante da religião,  começaram a passar informações cada vez mais truncadas.  Muitas pessoas acreditam que o conhecimento do BoS está mal escrito,  mas realmente era esse mesmo o objetivo de Gerald Gardner:  se alguém não iniciado conseguisse obter o BoS, com certeza não teria uma visão real dos ritos,  mas uma pálida, nebulosa e sombria amostragem dos mesmos.  Justamente por causa disto é que ele se chama Livro das Sombras.  Então,  algo bastante mais problemático se estabeleceu no cenário mundial.  As pessoas começaram a analisar o BoS e tiraram a conclusão de que o conhecimento não estava no Livro em si,  mas no interior das pessoas.  Essa conclusão é verdadeira,  porém em parte.  Os novos seguidores dessa “Wicca” popular,  passaram a citar trechos da Carga da Deusa para  justificar essa  “descoberta”,  essa quase iluminação:  “Pois se aquilo que buscas não se encontra dentro de ti,  não a encontrarás fora de ti.”  E então esses novos convertidos,  sem treinamento, sem iniciação,  sem acesso ao conhecimento oral,  passaram a esperar por uma revelação trazida pela Deusa, algo quase como um milagre cristão,  uma revelação divina que ofereceria os mistérios escondidos no BoS.

Infelizmente esse tipo de pensamento e de conclusão errados,  serviram para afastar cada vez mais esses buscadores do verdadeiro caminho.  Estressados pela total escassez de informação, passaram a ver os livros publicados como fontes de informação que possuíam as chaves do poder ancestral.  E desse modo, iniciou-se a maior mistura de conceitos, ritos, fundamentos,  transformando essa “Wicca” popular num poço de informação duvidosa,  errada e completamente diferente do que era e ainda é praticado nos covens tradicionais.

Um outro problema que geralmente está ligado ao triste caso da desinformação,  diz respeito àqueles postulantes que conseguem ingressar num coven tradicional,  mas o deixam sem completar seu treinamento e sua formação.  O resultado disso,  como já observado através dos anos inclusive com a própria “Tradição Alexandrina”,  foi a elaboração de um sistema mágico alienígena,  que esses praticantes teimam em chamar de “Wicca”,  mas que está anos luz de distância da verdadeira natureza do culto.  Portanto, qualquer um que receba esse conhecimento fragmentado,  não poderá nem ensinar e nem dar assistência àqueles que se dispõem a ser postulantes.  E isso é fácil de ser entendido,  já que basear seus métodos de ensino nos textos do BoS sem conhecer os fundamentos da religião ensinados durante o processo iniciático,  é passar adiante um sistema mutilado, incompleto, superficial e até mesmo perigoso de ser seguido.  Como tenho dito durante os últimos anos em algumas palestras,  existe um postulado mágico que diz:  “Nunca pratique um sistema mágico que você não conheça completamente”.   E assim,  nós tradicionalistas,  temos que assistir pessoas despreparadas praticando um sistema mágico mutilado e misturado,  e ainda por cima chamando isso de “Wicca”.  Talvez fosse cômico,  se não fosse trágico.

Parece que é uma praga do mundo moderno acreditar que qualquer tipo de disciplina,  qualquer tipo de autoridade deve ser evitado e até mesmo combatido.  Hierarquia e disciplina são necessários em todo processo educacional.  Se atualmente vivemos num mundo de declarada violência e total desrespeito,  isso se deve ao modelo educacional atual,  no qual os pais se desligaram totalmente da educação dos filhos achando que isso é uma obrigação da escola e dos professores.  O que isso acarretou é que, mais tarde,   quem vai disciplinar esses jovens e futuros adultos é o Estado.

Disciplina e hierarquia são o alicerce de qualquer aprendizado espiritual e mágico.  Praticar magia e bruxaria sem ter passado por isso é o mesmo que no dizer de Arthur Machen  “querer ganhar o céu de assalto”,  ou seja,  uma heresia cujos resultados podem ser um desastre.  A mentalidade distorcida crê que a disciplina e a hierarquia existem para criar um modelo elitista,  porém esse tipo de mentalidade jamais poderá compreender os verdadeiros motivos para tal estrutura.  A hierarquia existe,  e é por um motivo importantíssimo.  O poder precisa ser transmitido,  o conhecimento tem que ser conseguido através de trabalho árduo,  e não “gloriosamente revelado”  por alguma Deusa para qualquer um que se arvore a entrar de assalto na religião.  Portanto, a maior mentira que tem sido propagada atualmente é aquela que diz que os Mistérios serão  “revelados” ao iniciado.  Quem espalha essa bobagem não só não recebeu o conhecimento como está enganando aqueles que pretendem obtê-lo de modo fácil e ignóbil.

E tudo isso é ainda mais complexo na Wica,  uma religião tremendamente erótica e sexual, cujo culto envolve e trabalha com uma energia imensamente poderosa:  a magia sexual.  Grupos presos a conceitos puritanos, tem transformado a Wica num desafortunado e deformado culto.  Essa situação piorou consideravelmente depois que certos grupos pós-modernos adotaram uma deusa assexuada,  cultuada por adolescentes,  a qual chamamos  como  “Jeová de Saias”.  Trata-se de um terrível fingimento do culto ao princípio feminino.  Essas pessoas não tem a mínima idéia do que seja cultuar esse poder,  mesmo porque tal culto é completamente desequilibrado pela negligência da invocação do poder masculino correspondente,  que equilibra as forças colocadas em movimento no ritual.  Todos os que receberam uma formação séria na Arte, sabem que operar apenas com o poder lunar, negligenciando o poder solar,  leva a uma considerável perda da ligação com a realidade formal e física;  não podemos esquecer que o poder lunar regula as correntes do plano astral,  e operar apenas com esse poder é proceder a uma perigosa confusão dos planos individuais.

Portanto,  mais uma vez pedimos aos que realmente querem professar nossa religião com seriedade,  que procurem covens e sacerdotes sérios e experientes.  As pessoas tem confundido liberdade de pensamento com permissividade de ação.  Tal atitude irresponsável poderá causar irremediavelmente a perda e a degeneração não só da Antiga Religião como a de seus praticantes.

Quatro elementos e a linha de Owlen


O padrão de como se fazem as invocações dos Quartos é importante, pelo menos na visão da Linha Olwen:  Ar, Fogo, Água e Terra,  evoluindo dos elementos menos sólidos para os mais sólidos,  ou seja, uma progressão clara dos reinos etéreos para o terreno,  chamando a essência do Outro Mundo para este que é uma forma sólida de manifestação.  O conhecimento dessa progressão é muito antigo e aparece na magia e na religião pagã e seus textos desde antes do início da era cristã.

Estabelecendo o Ar no Leste, podemos conhecer o significado dessa associação, toda a história, com conhecimento e explicação: está associado com a manhã, a chegada da luz, a Estrela da Manhã, etc.  Você pode encontrar esse tipo de conexão com todos os elementos e suas direções – pois, filosoficamente, os 4 elementos possuem uma associação íntima com os 4 Quartos.  Nós estamos chamando sua essência para aqui e assim faz sentido chamá-los nessa seqüência.  Começando pela fonte – o sol nascente – e portanto tal seqüência deverá iniciar pelo Leste.

Qual é o propósito do Círculo ?  Há dois modos gerais de se fazer isso: um mais mundano e outro mais esotérico. Na visão mais mundana, ele é a celebração do mundo a nossa volta. Nada errado com isso – e para pessoas cuja espiritualidade se centra em torno da celebração do mundo físico.

Na visão mais esotérica, um Círculo é um templo, um templo mítico específico, um lugar Entre Mundos, no qual nós procuramos entrar em comunicação com os Deuses e aonde nós podemos – mudar – o Mundo. Em nossa vida cotidiana, nós constantemente celebramos o Mundo físico à nossa volta.  O propósito de um ritual esotérico é não somente continuar  essa celebração,  mas encontra-se com os Deuses (e com outros bruxos) numa espécie de local central  no qual estamos intimamente familiarizados.

A diferença entre a visão mundana e esotérica e a diferença entre um “membro” de uma religião e um “místico” dessa religião.  Ambas as visões são igualmente boas, ambas servem a propósitos vitais, mas cada uma é apropriada para diferentes sentimentos e grupos de pessoas.  Por mim, eu prefiro uma abordagem mística, mas eu certamente não tenho dificuldades com os que não preferem.

Desse modo, aqui vai uma visão mística:

Quando nós construímos um Círculo, estamos recriando um mundo mítico, um lugar entre os mundos, um local pré-existente e específico dentro do Outro Reino. Estamos entrando em um lugar aonde outros tem estado e que outros tem construído também. Nós nos lembramos do que aquele lugar representa. Você pode vê-lo como um lugar mítico, ou como um lugar real nos reinos astrais.  Tanto um quanto outro não necessita de se ter certos atributos tais como uma casa em local afastado na qual você possa construí-lo. O fato de que você não tenha um oceano localizado no seu leste, não tem a mínima importância.  Essa confusão tem sido sistematicamente feita por pessoas não iniciadas e que desconhecem fundamentos importantes.

Quando nós chamamos os Quartos, nós não estamos invocando os elementos físicos.  Nós estamos invocando as entidades que circundam esse lugar mítico no qual estamos entrando.  Misticamente, os seres do Ar vivem no Leste. Isso nada tem a ver com o local geográfico aonde você vive.  Isso tem a ver com a Geografia Sagrada do Templo no qual você está pisando.

Assim sendo,  sim de fato, a essência da Água vive no Oeste,  mesmo se você vive na cidade de Nova York.  Quando eu chamo o Oeste, eu não estou invocando Água – eu não quero abrir uma comporta e ter um oceano invadindo minha sala de estar.  Isso vai apodrecer o carpete.  Eu estou invocando os Seres Místicos do Oeste, que estão associados com a idéia da Água, para virem testemunhar o que estou fazendo.  Não estou chamando por “água”, estou chamando por entidades específicas dentro de um templo específico astral que estou construindo, entidades cuja “residência” mística está  (e sempre tem estado) no Oeste daquele específico Templo astral.

Existe poder na repetição do ritual, e na união dentro de uma forma de pensamento na qual outros participem. O fato é que essas atribuições particulares tem estado em uso por um tempo muitíssimo longo, e usadas por muitíssimas pessoas, o que quer dizer que tais atribuições tem uma ressonância na qual nós podemos entrar e que podemos usar quando fazemos nosso trabalho. Alterar tais atribuições significa conscientemente ir para algum outro lugar, conscientemente e intencionalmente nos cortarmos, nos desligarmos, dessa antiga e difundida corrente de poder.

Outros, claro, são livres para verem isso de outros modos.  Entretanto, se alguém vê algo errado na visão tradicional que descrevi acima, isso parece a mim um tanto estranho e vindo de uma mente muito estreita e que nunca esteve realmente Entre Mundos.
E não podemos esquecer de que tudo isso também está relacionado com a Roda do Ano e sua disposição solar. Sim, a Roda é solar, a Wica não é a “religião da Deusa” e Papai Noel não existe.  Eu me lembro de uma coisa que Fred Lamond me disse uma vez.  Ele me disse:

“Dois aspectos de nossa prática tem estado abertas a não-iniciados desde os dias de Gerald  Gardner 45 anos atrás: a) As polaridades Deus-Deusa, que ele descreveu em seus livros “Witchcraft Today” e “The Meaning of Witchcraft”; b) Os 4 sabbaths maiores – Samhain, Imbolc, Beltane e Lammas.  Gerald desse uma vez: “nos tempos antes da Era das Fogueiras, os sabbaths eram grandes festas celebrando o fim das fases de trabalho no ciclo da agricultura nos quais toda a aldeia participava. Somente os esbaths de Lua Cheia eram privativos para bruxos iniciados, porque era quando eles podiam lançar seus feitiços !”  De acordo com isso, Gerald nos encorajava a convidar pessoas não-iniciadas mas muito próximas de nós para as festas das fogueiras na época dos grandes sabbaths. Essa prática morreu após a morte dele, mas tem sido revivida de uma maneira descontrolada pelo movimento aberto pagão na América do Norte nos anos 80.
Casualmente, nos dias de Gerald, nós celebrávamos os 4 sabbaths maiores desde que há somente 4 estações no ano. Quando eu perguntei a ele por que nós não celebrávamos os solstícios e equinócios ele respondeu: “Você pode se quiser, mas isso não seria apropriado ao nosso clima. O festival mais importante é a primavera com o festival da fertilidade, que pode ser celebrado quando ficou quente o suficiente para fazer amor ao ar livre. Na Palestina isso acontecia logo após o Equinócio de Primavera, na época da Páscoa dos judeus (que substituiu as orgias de fertilidade da primavera por Moises) e a Páscoa que é baseada nela.  Na Inglaterra e em países da mesma latitude, normalmente não está suficientemente quente até maio,  e na Escandinávia não está até o meio do verão, que ainda é celebrado com danças toda a noite em volta de fogueiras.”
Então como começou a prática de celebrar 8 sabbaths ?  Nos sabbaths em que costumávamos ter grandes festas, fosse com amigos não-iniciados ou apenas com o Coven,  nós gostávamos dessas festas, e então decidimos na ausência de Gerald (por volta de 1960) celebrar os solstícios e equinócios também com festas. Isso foi em seguida colocado no papel por Doreen Valiente e outros escritores como uma antiga tradição celta, os tão chamados 8 Sabbaths da Roda do Ano.”

Espero que este pequeno artigo tenha esclarecido bastante essa questão dos Elementos e dos Quartos,  porque muita besteira já foi escrita em dezenas de listas de discussão na Internet,  causando muitos mal-entendidos.